Transformar a nós mesmos e o mundo com as idéias da física quântica.

Mundo Corpóreo


MUNDO CORPÓREO

Uma oportunidade em “perceber” (redescobrir) o que é objeto corpóreo.

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Antes de mais nada, antes de qualquer ciência, antes de qualquer filosofia, antes de qualquer religião e antes de qualquer investigação racional, precisamos reconhecer que o mundo existe e que é conhecido apenas em parte. O mundo corpóreo existe como algo que se apresenta para nossa inspeção. Parece haver uma necessidade lógica para que ele “se mostre”, da mesma maneira que pertence a natureza do círculo encerrar, delimitar, uma porção do plano. Se o mundo não fosse “conhecido” em parte que seja, ele simplesmente cessaria e deixaria de ser o mundo – ao menos o “nosso” mundo. Num certo sentido, o mundo existe “para nós”; ele está aí para “nosso exame”. Essa “inspeção”, ou mesmo esse “exame” é efetuado pelos sentidos, através da percepção sensitiva. Deve ficar claro que essa percepção não significa apenas um ato de passividade de obtenção de imagens, ou melhor, um ato desprovido de inteligência. Uma constatação crucial e porque não dizer fundamental é que não importa como o ato é consumado – isso é invariável – percebemos as coisas ao nosso redor e podemos vê-las, cheirá-las, tocá-las, ouví-las, saboreá-las. Isso todos nós sabemos perfeitamente bem!

Reconhecemos os objetos externos! Isso é fato! O que deve ser levado em consideração é o fato de percebemos os objetos externos apenas parcialmente e que a sua “integralidade” como objeto permanece oculto de nossa percepção. Diante da nossa percepção visual o que fica exposto é apenas a sua aparência externa, o seu interior escapa aos sentidos. Se conseguíssemos perceber o objeto em sua totalidade, integralmente, implicaria obviamente em não termos a capacidade de perceber coisa alguma, nunca. O problema de percebermos apenas parcialmente e não integralmente os objetos externos parece ser imanente a própria natureza do objeto em questão, assim como, por uma analogia, é da natureza do círculo deixar de fora uma porção do plano. Nem o mundo exterior como um todo e nem o mais insignificante objeto dentro dele podem ser conhecidos ou percebidos integralmente. Essa é uma característica imanente do mundo corpóreo. Longe de ser uma incapacidade do observador, mas pela própria natureza do “ente” corpóreo.

É claro que sempre podemos perceber mais e mais e dessa maneira aumentar nosso conhecimento perceptivo, assim como é possível alargar um círculo. O que não é possível é “esgotar” o objeto por via da percepção, ou seja, alargar o círculo até que ele deixe de excluir um ‘remanescente infinito” do plano. Pois, perceber um objeto corpóreo com a capacidade de ser “completamente percebido”, cessaria de ser um objeto corpóreo, do mesmo modo como um círculo “sem exterior” deixaria de ser um círculo. Um objeto corpóreo “conhecido integralmente” deixaria imediatamente de ser corpóreo. Esses objetos corpóreos existem “para nós” como “coisas” a serem investigadas por meio da percepção sensitiva. Entramos em cena como observadores, não como objetos, mas como sujeitos. Essa presença subjetiva pode até ser esquecida algumas vezes, mas não pode ser exorcizada, o que significa dizer que, sob um olhar mais atento, ela (presença subjetiva) está fadada a mostrar-se na natureza do próprio objeto. O objeto, por assim dizer, apresenta as marcas dessa relatividade – sujeito e objeto – orientando em direção ao observador humano. Uma dessas “marcas” é a própria capacidade do objeto de ser percebido, mesmo que seja em parte. Um objeto corpóreo não tem a capacidade de perceber-se. Outra “marca” é a característica contextual, ou melhor, a relatividade de tudo. Por exemplo: a forma espacial que percebemos de um corpo depende da nossa posição em relação a ele, do mesmo modo que a cor percebida depende da luz sob a qual o objeto é visto.

Um objeto corpóreo é aquele capaz de apresentar certos atributos, ou manifestar certo atributos melhor dizendo. Esses atributos são quantitativos e qualitativos. Um objeto corpóreo, portando é concebido e definido segundo seus atributos. De maneira mais precisa: o objeto corpóreo concreto é idealmente especificado em termos de todo o conjunto de seus atributos observáveis. O que precisamos entender definitivamente e acima de tudo é que nada no mundo “existe” em si mesmo, que “existir” é precisamente entrar em interação com outras coisas, incluindo observadores. O mundo, por essa razão, não deve ser entendido como a mera coleção de incontáveis “entes” individuais existentes de per si, seja objetos corpóreos, átomos, ou o que queiram. É que, acima de tudo, cada elemento existe numa relação com todos os outros e, portanto, em uma relação com a totalidade, a incluir necessariamente um pólo consciente, subjetivo.

As descobertas recentes da física quântica podem nos aproximar definitivamente da espiritualidade, permitindo desvendar um mundo além do mundo corpóreo, seja de objetos físicos sutis, seja de um mundo de potentia como sendo um eterno “vir a ser”, o que emerge de tudo isso é que tanto objetos corpóreos quanto objetos físicos, ou qualquer outro objeto que seja especificado, todos apontam para muito além deles. Apontam para uma realidade indivisa e una onde “coisas e fatos” estão longe de serem concebidos como separados e independentes. A compreensão desse fato nos impulsiona para que passemos a viver com novos significados, agora baseados na integralidade, na realidade indivisa e una, onde todos nós observadores possamos nos enxergar segundo essa realidade total e não local que conecta a todos. A separação já causou muito estrago para a humanidade. É uma verdadeira “doença” que impede uma nova concepção do universo. A mudança de paradigma se faz necessária. Uma mudança de contextos para que a consciência obtenha novos significados nessa relação de coexistência entre observadores que somos e o próprio mundo corpóreo (que se “mostra” para nós) como necessário para o compartilhamento de experiências. Muito mais que falar, muito mais que escrever sobre tudo isso, é necessário vivermos e nos comportarmos segundo esses princípios. A separação e a independência são manifestações parciais de uma realidade muito mais fundamental que é INDIVISA E UNA.

Emerge uma gama de oportunidades de estudos e reflexões. Medicina, Direito, Biologia, Filosofia, Psicologia, Arquitetura, Engenharia, Computação e qualquer outra área do saber necessita de uma revisão de paradigma, uma mudança de contextos. Da mesma forma, as religiões com seus rituais e explicações simplistas necessitam de uma mesma e necessária revisão em uma atitude de dar ouvidos para a ciência. Ciência ouvindo a essência de todas as religiões e as religiões ouvindo a essência da física quântica. A transformação pessoal e a própria necessidade de transformação é obviamente pessoal e intransferível. Transformação necessária para que Ciência e Religião (Espiritualidade) possam finalmente compreenderem-se mutuamente. Há necessidade de um certo “despertar” para essa realidade. Cada qual no seu tempo! Cada qual com seu aparato de percepção e, cada qual com sua estrutura teórica sobre como quer acreditar no mundo e, consequentemente, com as devidas responsabilidades pelas memórias advindas dessas percepções. É isso!

Abraços fraternos

Milton

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