Transformar a nós mesmos e o mundo com as idéias da física quântica.

Criatividade


Fazemos nossas escolhas baseada em contextos. O que são os contextos? É o pano de fundo das escolhas. Nosso sistema de crenças contribuem para determinar esse pano de fundo. Todas as informações a que fomos submetidos desde o berço até o momento atual que eu estou escrevendo e você, caro leitor(a), está lendo, contribuem para a estruturação de nosso sistema de crenças. A educação, os amigos da adolescência, a família, os primos, os irmãos, o melhor amigo, as bases dos ensinamentos religiosos que tivemos, sistema de educação profissional a que nos submetemos, ou seja, há uma perspectiva que nos envolve de forma invisível em todos os relacionamentos, nas interações sociais, nos compartilhamentos de experiências, como se houvesse um “nós” como pano de fundo, constituindo os contextos para as escolhas.
Criamos nossa visão de mundo, nossa cosmovisão, nosso sistema de crenças, o paradigma que norteia as decisões, as escolhas e soluções de problemas. A ciência materialista construída ao longo dos últimos séculos permeia nossas idéias querendo tirar nosso livre arbítrio, querendo nos forçar a pensar que somos máquinas que obedecem programas genéticos frutos de um acaso e necessidade de sobreviência. Isso é uma crença limitante!!! Determina um contexto que limita nossas escolhas e nossas ações de forma inconsciente. Não há necessidade de excluir esses conhecimentos que foram importantes no crescimento e desenvolvimento da humanidade, nossa atitude é inclusiva, porém buscando um novo contexto para criarmos novos significados pois o velho contexto materialista proporcionou soluções falidas. Temos que transcender e incluir. Não somos contra o materialismo, somos a favor de uma expansão da consciência despertando o potencial de criatividade do ser humano em encontrar novas soluções e para isso acontecer é necessário ir além, uma nova visão de mundo, uma nova crença não limitante, novos comportamentos, transcendendo o sistema atual e incluindo o anterior. Isso é evoluir!
Como a mente dá significado? Um exemplo simples que aprendi com Amit Goswami está nas ilustrações abaixo. Dê uma olhada na ilustração abaixo. O que vem a ser essas linhas dentadas? Poderíamos dar várias representações. E o que significam essas linhas na fenda? Bom, poderíamos também imaginar uma série de significados. E se agora inventarmos uma história, um contexto: um soldado está passeando com seu cachorro por detrás da cerca, mas é claro que deste ângulo só podemos ver sua baioneta e a cauda do cachorro (Kraft, 1996).

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É parecido com a estruturação de nossa língua portuguesa onde temos a gramática e a semântica, isto é, a estrutura sintática de uma frase e o significado semântico dessa frase. Observem que nossa mente dá significado baseado em contextos e no processo de criatividade os contextos se tornam muito importante, pois são os temas constantes que acabam permeando nosso inconsciente nutrindo a mente e proporcionando significados.
Para despertar o poder criativo é necessário compreender o processo de como o ato criativo se desenvolve e se manifesta. Vários pesquisadores da criatividade encontraram os passos para sermos criativos. Grahan Wallas (1926) foi um dos primeiros a sugerir que o ato criativo era composto de 4 estágios:
1 – Preparação – você tem um problema. Reunir o maior número de informações, fatos e ideias sobre o assunto. Abrir a mente para novas possibilidades. Pensar, pensar, pensar. É a fase de gasto de energia, de empenho, de esforço pessoal. A abertura da mente é muito importante nessa fase e aqueles que não a possuem esbarram na dificuldade de serem criativos, pois limitam e muito as possibilidades. Percebam que penetrar no mundo das idéias é buscar novas possibilidades e para que a diversão aconteça é imprescendível o esforço pessoal na identificação dessas crenças limitantes. Por exemplo: Mudar é fácil e divertido para mim. Será mesmo? Toda mudança gera um pouco de insegurança e acabamos por permanecer nas mesmas condições habituais e condicionamentos de pensar e agir. Permitir-se mudar já é um avanço. É essa abertura da mente que buscamos. Livres de crenças limitantes. Como mudamos nossas crenças? Como criamos novos contextos? Bom, mais adiante retornarei a esse tema. No momento, seguimos adiante em nossa descoberta dos passos para a criatividade. Fiquemos em mente a primeira fase onde a preparação acontece na reunião de informações e pensar, pensar, pensar…
2 – Incubação – Tirar a atenção do problema. Relaxar. O problema não vai escapar de você. Essa é a fase sem gasto de energia mental. Atividades de relaxamento, música terapêutica, visualizações ativas, todas atividades que facilitem o processamento inconsciente. Onde as possibilidades aumentam e ficam longe da nossa percepção plena, onde não há a cisão do sujeito e objeto, porém há processamento das ondas de possibilidades no campo transcendente, no mundo de potentia, aguardando o salto descontínuo onde se reunem todas as possibilidades processadas para a solução do problema e na, grande maioria das vezes, isso ocorre em momentos lúdicos: no banho, no ônibus ou debaixo de uma macieira! que o digam Poicanré, Arquimedes e Newton respectivamente.
3 – Insight repentino – Ah-ha do processo criativo. O raio que penetra o ser e faz badalar os sinos. A dança palpitante do coração. Eureka!!! A surpresa, o êxtase repentino e descontínuo. o verdadeiro salto quântico da criatividade.
4 – Manifestação – Agora começa a criatividade. Você tem um produto na mão. O seu insight. Agora manifeste-o.
A manifestação de um processo criativo na qual podemos compartilhar com todos chama-se criatividade externa. A manifestação criativa de um artista é sua obra de arte. A manifestação criativa de um cientista é sua nova lei física. Quando passamos por um processo de transformação interna, quando temos um insight criativo interno, quando achamos uma nova solução para nossos problemas, quando o produto da nossa criatividade ocorre dentro das nossas percepções a nível de pensamentos e sentimentos estamos diante da criatividade interna.

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Esse ponto é fundamental, pois é a criatividade interna que proporcionará nossa mudança comportamental, isso mesmo, o produto da criatividade interna, a manifestação da criatividade interna é o nosso comportamento, são nossas ações. Esse novo comportamento não pode ser apenas a nível intelectual, a solução de nossos problemas devem envolver toda a integralidade do ser humano e considerar não apenas a razão, mas o sentimento. Aqui é importante uma observação. Esse processo de transformação envolve um novo contexto e um novo significado. O exemplo abaixo foi extraído do livro de George E. Vaillant Fé Evidências Científicas e representa bem o que pretendo dizer em buscar soluções baseado em novos contextos e novos significados.

Um rapaz de 14 anos estava no programa de reabilitação por ter baleado e matado um adolescente inocente para mostrar a sua gangue do que era capaz.
No julgamento a mãe da vítima permaneceu em silêncio.
Depois do veredicto, ela dirigiu-se ao jovem: “ – Vou matar você”.
O jovem foi levado para cumprir alguns anos em uma instituição juvenil.
Seis meses depois, a mãe do garoto morto foi visitar o assassino.
Ela foi a única visita que recebeu durante a sua prisão.
Começou a visitá-lo com mais regularidade, levando dinheiro e alimento.
Perto do final da sentença de 3 anos, ela perguntou o que ele iria fazer quando saísse.
Ele estava confuso, e ela ofereceu ajuda. Permitiu que ele morasse em um quarto dentro da sua casa. Morou lá por 8 meses.
Foi então que ela o chamou para uma conversa: – “ Você se lembra quando falei no tribunal que ia matar você?”
Claro, respondeu ele. Nunca vou esquecer aquele momento.
“ Bem, eu esqueci” – disse a mãe. “ Eu não queria que o rapaz que foi capaz de matar meu filho sem motivo continuasse vivo. Eu queria que ele morresse. Foi por isso que comecei a visitá-lo e a levar coisas. Foi por isso que deixei que morasse em casa e arrumei um emprego. Foi assim que comecei a transformá-lo.”
Bem, aquele garoto de antes já não existe mais. Agora gostaria de saber: – já que meu filho está morto e o assassino não existe mais, se você quer ficar aqui. Tenho espaço e gostaria de adotar você, se me permitir?
E ela se tornou a mãe que ele nunca teve.

Essa transformação não foi apenas baseada em uma solução intelectual. Houve um processo de criatividade interna. A solução instintiva inicial foi a vingança: “Vou matar você.” Porém, ela vivenciou o seu insight e o produto de sua criatividade interna foi a mudança de seu comportamento, foi uma emoção positiva, foi um novo circuito cerebral, foi um novo contexto, foi, enfim, um novo significado. Quando todos nós conseguirmos trazer as idéias arquetipicas para uma nova reinterpretação achando soluções que envolvam razão e sentimento e manifestar essa solução em forma de comportamento, em forma de ação coerente, vivenciando o discurso, estaremos dando passos largos para a construção de um novo planeta, de uma nova humanidade, de uma nova civilização que saberá honrar essa transformação.

Abraços fraternos
Milton

Comentários em: "Criatividade" (8)

  1. Ludmilla Almeida disse:

    Milton, que extraordinário esse espaço que você criou! Estou me deliciando com todo o material aqui contido! Esse texto sobre a criatividade é o começo da reflexão de como devemos agir com amor a nós mesmos! Obrigada por compartilhar conosco tanta Luz!
    Abraços Fraternos

    Ludmilla

  2. Kátia Maria de Oliveira Franco disse:

    Maravilhoso este espaço e todo material que tem nos presenteado… Bela reflexão com este relato tão comovente do garoto, lembrei então de Heráclito que nos disse que nós não pisamos no mesmo rio duas vezes… E de repente vejo que não há como alimentar mágoas, ressentimentos quando o outro é apenas nossa própria projeção e a medida que avançamos na senda do autoconhecimento, já não somos os mesmos e não podemos, desta forma, continuar com as mesmas projeções…

  3. Adorei!!! Parabéns!!!

  4. Parabens pela iniciativa, o mundo precisa de pessoas com visão humana e dedicação espiritual para propor novas maneiras de ver o caminho da evalução disponibilizado por Deus.
    Lauro Milhomem

  5. MARIA TEREZA BOTOSSO DI NÁPOLI disse:

    DR. MOURA, LINDO, MUITO LINDO!
    ELA DE INÍCIO AGIU COM A RAZÃO E DEPOIS FOI TRABALHANDO OS SEUS SENTIMENTOS.
    ELA FEZ SUA MUDANÇA INTERIOR E AO MESMO TEMPO UM AJUDANDO O OUTRO PARA CONTINUAREM AS SUAS VIDAS.
    ESSE COMPORTAMENTO SÓ TRAZ BENEFÍCIOS!
    DR. MOURA, SUAS PALAVRAS VIERAM NO MOMENTO CERTO, COM ESSE SEU TRABALHO DE ALERTA PARA TODOS NÓS!
    ADOREI, PARABÉNS!
    MARIA TEREZA.

  6. jose carlos de oliveira disse:

    Ola Milton! Sempre leio e me esforço por compreender estas coisas sobre novas maneiras de “ver” o que apenas “enxergamos”. Leio também as reações dos leitores. Vejo que uma boa quantidade deles, logo vai para o lado religioso do assunto, fato que entendo perigoso e limitante. Mas não há nada a fazer. Cada um vê o que está “predisposto” a ver… É o engessamento da mente por tantos milênios de foco restrito. Mas são etapas. Nada errado. Porém, precisamos sim, progredir, alargar o entendimento, alargar a mente. Gostaria que em algum momento você pudesse falar de Deus, mas acho que seria mexer na toca das abelhas kkk. Espero que vc tenha muito cuidado com o que diz, no sentido de procurar ficar o mais longe possivel das crenças, das carências e da santa ignorância (das pessoas). Caso contrario, você pode correr o risco que correu Tom Hanks, em Forest Gump, quando resolveu correr os USA de ponta a ponta, sem parar. Lembra da multidão de “fiéis” que o seguiram? E, seguir alguém, é um desastre. Grande abraço

    • Querido amigo José Carlos, grato pelo seu comentário. Poderei em breve falar sobre Deus de forma objetiva. Não vejo problemas quanto a isso!! Dentro em breve escreverei sobre a consciência cósmica que nos ajuda em nossas escolhas! Quanto mais próximos ficaremos dessa consciência mais liberdade de escolha teremos. Pode ter certeza que Ele é a real conexão entre todos nós.
      Abraços fraternos.
      Milton

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