Transformar a nós mesmos e o mundo com as idéias da física quântica.

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Impermanência – Situações da Vida


IMPERMANÊNCIA
SITUAÇÕES DA VIDA

Vamos utilizar a visão mental para “percebermos” um fato importante. Vejam com seus próprios “olhos internos” a diferença que há entre VIDA e SITUAÇÕES DA VIDA! Há uma lei universal que retrata a impermanência de todas as coisas externas. Nada é para sempre. Até mesmo o “para sempre” acaba. Aqui reside uma observação importante: caso haja uma identificação da mente com o aquilo que é apenas externo haverá indubitavelmente sofrimento. O sofrimento nada mais é que um certo distanciamento da consciência impelida pela mente e suas identificações. A consciência é a base de tudo! Ela escolhe dentro das possibilidades. A realidade de cada um de nós assim é formada. A presença da consciência “perturba” as possibilidades da matéria e a realidade se faz. A atenção e a energia focada confere o caráter de realidade de tudo.Quem é você? Eu sou médico. Não, eu não perguntei sua profissão, eu perguntei quem é você? Eu sou o Milton. Não, eu não perguntei o seu nome, eu perguntei quem é você? Eu sou… Quem é você? Estamos vivenciando várias situações em nossas vidas e conforme a identificação da consciência ou valor extraído pela mente dessas situações é que proporcionará sofrimento ou não. Eu sou a tristeza… Eu sou a alegria… Eu sou o medo… Eu sou a ansiedade… Eu sou a decepção… Eu sou a revolta… Eu sou minha profissão… Eu sou meus bens materiais… Eu sou a raiva… Eu sou a gratidão… Quem é você? Quais são suas identificações? Essas identificações são impermanentes. Elas obedecem a um ciclo que possui início, meio e fim como o ciclo de nascimento e morte.

A vida é muito mais que as próprias situações impermanentes. Durante a vida, passamos por vários ciclos que tem uma extensão no plano do tempo e espaço que estamos presentes. Nascimento e morte. Vários outros ciclos ou “dramas” da vida servem para o aprendizado. Quando mais consciência trazermos para cada situação de vida, menos sofrimento provocaremos para nós mesmos. Quando menos identificação com as diversas situações e mais observadores nos tornarmos delas (as situações), mais paz e presença conquistaremos. Esse fato é corroborado pela neurociência e a capacidade de visão mental que todos nós possuímos. O oceano interno de sensações é rico. Manter a atenção consciente é um treinamento que poderá trazer benefícios em todos os setores da vida. Não importa se estamos vivendo na abundância ou não. Não importa se hoje vivemos na alegria ou na tristeza. Não importa as polaridades que estamos vivendo. Importa sim, que dessa polaridade podemos extrair a sempre presente consciência de todas essas situações e adquirir a presença divina e serena do SER. A impermanência de todas as situações irá se dissolver. O passado irá se dissolver com a presença do espírito em cada situação do aqui e agora, que é a única coisa que realmente existe. O momento sempre presente se renova a cada instante e a cada instante estamos criando a realidade. Se focarmos a “energia” da atenção no momento atual, trazendo a consciência para o que temos hoje, aqui e agora, tanto passado (culpa, ressentimentos, mágoas e etc) quanto futuro (ansiedade e etc) irão se dissolver por falta de “energia”. A energia que mantém “vivo” o passado e o futuro, que não existem ou que já existiram, se dissipa e é utilizada para o aqui e agora da realidade presente. Simples e difícil assim. Simples e complexo assim.

A mente é poderosa e, na maioria das vezes, está a serviço do EGO e suas identificações por fornecer uma “energia” às situações da vida e manter essa identificação para satisfazer o próprio EGO. Seja em discussões de diversidade de pontos de vistas. Seja na busca em sempre querer estar com a razão. Seja em qual polaridade for. Essa é a casa do EGO. Quando a consciência está presente no momento atual, nós podemos manter nosso ponto de vista com assertividade e compaixão e sem exclusão. É uma atitude inclusiva e não exclusiva. Como isso é difícil na prática do dia a dia! Essa visão tem ficado mais clara para mim de pouco tempo para cá. Já passei por situações onde o EGO falou mais forte em querer defender esse ou aquele ponto de vista com a intenção de sempre querer ter razão. Se vocês analisarem alguns dos meus textos perceberão essa fase. Está tudo certo! Como diria um amigo. Realmente está tudo certo. Nada acontece em nossas vidas que não seja necessário para a nossa evolução. Encarar as adversidades como oportunidades é um ponto de partida. Desenvolver e aprimorar a capacidade de visão mental com a “observação” das diversas situações da vida sem a identificação do SER com as mesmas é um dos caminhos para valorizar a vida. Tudo isso, reflete o que “buscamos” com o estado de coerência cardíaca. Perceber e observar o que sentimos, como testemunhas do mesmo. Perceber e observar o que pensamos, na mesma atitude de testemunhar o pensamento. Perceber e observar, principalmente conhecer-se a si mesmo, durante as ações e comportamentos. Essa tradução é essencial se acreditamos que a felicidade está na consciência e podemos trazer a consciência para dissolver as inconsciências das situações da vida.

As situações da vida são impermanentes. A vida é permanente. A essência divina dentro de cada um de nós é permanente. A consciência é a base de tudo. Não a consciência egóica das identificações. Quem é você? Mas, sim a consciência cósmica, universal, Deus, qualquer nome que você queira dar para traduzir, mesmo que imperfeitamente, a sensação forte e presente que temos algo de essencial dentro de cada um de nós que nos impulsiona para irmos adiante seja em qualquer situação de vida que estejamos vivendo, pois em última instância, essas situações de vida são criadas por nós mesmos em um ciclo constante de evolução. Tudo o que acontece na sua vida, aceite isso, é o que é necessário para sua evolução. Não há necessidade alguma de se identificar com o sofrimento, pois ele é apenas uma ferramenta, dentre as muitas disponíveis, que reconduz o SER para “tornar-se” cada vez mais consciente e presente. Um dia o ciclo de nascimento e morte pode acabar. Esse dia, talvez, será o dia que perceberemos que nenhuma situação da vida, dentro da polaridade, irá “causar” nenhuma reação de luta ou fuga dentro da nossa essência. A presença consciente não mais terá inconsciências e tudo saberá. As coisas serão como são. Tudo será como é. Tudo está certo!

Abraços fraternos

Milton

Felicidade


FELICIDADE

 

 

Como buscamos a felicidade? Algumas perguntas são importantes para que as respostas guiem nossos comportamentos. Alguns pesquisadores tentaram encontrar uma “fórmula” elegante que represente a almejada felicidade. Após um estudo bem orientado e com um bom segmento, conseguiram encontrar 3 fatores essenciais para a felicidade. Quais são esses três fatores? Vamos à fórmula: Felicidade = Fator pre-estabelecido + condições de vida + atividades voluntárias. Ainda não é a última palavra na compreensão do que vem a ser a felicidade, mas, sem dúvida, um ponto de partida para muitas considerações. A felicidade, se considerarmos uma unidade (100%), pode ser fracionada nesses fatores acima expostos. Segundo esses pesquisadores, o fator preestabelecido assume uns 40% na responsabilidade pela “aquisição” da felicidade. As condições de vida tem uma importância de apenas 10% para “encontrarmos” a felicidade e já as atividades voluntárias representam 50% dentre os fatores que levam ao tão desejado estado de felicidade. Acreditamos que realmente nascemos para vivenciar a felicidade. Por que, então, conseguimos vivenciar apenas ligeiros flashs de um estado interior de paz, tranquilidade, estado de graça, plenitude, completude, realização e etc? O que está “errado”  no processo de busca da felicidade? Será que a buscamos da forma correta? A análise está longe de ser simples, porém já somos portadores de várias “pistas” que levam a uma conclusão inevitável: a felicidade é um “estado” interior. Por que então a buscamos no exterior?

 

Analisando a “fórmula da felicidade” o primeiro fator exposto trata-se daquilo que já é pre-estabelecido desde o nascimento. O determinismo genético na formação dos padrões de disparos de neurônios que determinariam a capacidade de sermos felizes ou não. Eles atribuem uma importância de cerca de 40% a esse fator e não estão equivocados quanto a isso. Realmente trazemos uma determinada “carga genética” com as informações contidas dentro dessa “biblioteca” que representam uma experiência “milenar” da consciência em evolução. Estamos em constante e ininterrupta evolução. Porém, esse determinismo genético necessita ser revisto! Caso contrário, o estado de felicidade encontra-se naturalmente determinado e você nada pode fazer com relação a isso. Há controvérsias!! A todo instante estamos vivenciando situações difíceis e diferentes. Pessoas que estão felizes interpretam tais situações como oportunidades e as infelizes como problemas. Sabemos hoje, através dos avanços da neurociência, que as crianças possuem os chamados neurônios espelhos que disparam quando observam adultos em ação. Vejam a importância do exemplo! Quando crianças estão cercadas de pessoas felizes há uma grande chance de essas mesmas crianças reforçarem os circuitos da felicidade em seu cérebro. Quando crianças estão cercadas por adultos infelizes há uma grande chance desses bebes reforçarem as redes neurais que traduzem a infelicidade. Se houvesse um determinismo genético com relação a isso nada poderia influenciar a formação de novos circuitos e novas redes de disparos de neurônios seriam impossíveis de serem formadas. Não é o que ocorre. As drogas influenciam e geram estados alterados da consciência. A terapia cognitiva é capaz de mudar crenças limitadoras e despertar estados de felicidade. A própria meditação modifica a região pré-frontal do cérebro e altera o humor por liberar neurotransmissores que fazem a mediação de estados compatíveis com a felicidade. Meditar libera a dopamina, oxitocina, serotonina e etc. Que tal, então, iniciarmos a pratica de 5 minutos diários de meditação? Isso aprimora a atenção plena e nos torna capazes de “nomear e dominar” qualquer objeto (pensamento, sentimento, memória e etc) que surja na percepção da consciência. Com a pratica, aprimoramos o sentido de “presença” e valorizamos o aqui e agora, melhorando estados depressivos e qualquer outra alteração do estado de humor.

 

O segundo fator levantado pelos pesquisadores é denominado condições de vida. Todos acreditam que saindo de uma condição ruim para uma condição boa a felicidade será encontrada. As pesquisas não corroboram essa observação. Pessoas que entraram em êxtase após ganharem na loteria, após um ano eles já se encontravam no mesmo patamar de felicidade que estavam antes de ganharem. Após cinco anos, referem um estado até pior que antes de ganharem na loteria. Eles não souberam lidar com uma situação estressante, mesmo sendo essa situação impregnada de impressões aparentes de felicidade. O contrário também é válido. Pessoas que foram vítimas de tragédias, mortes, acidentes que levaram à paraplegia, tinham todas as razões para serem infelizes. A capacidade de superação que todos nós possuímos em enfrentar e superar adversidades fazem com que em pouco tempo, essas pessoas alcancem um patamar de felicidade compatível ao que eram antes do evento trágico. Todos nós possuímos uma certa resiliência emocional capaz de adaptação a qualquer situação externa. Talvez seja esse o motivo que as condições de vida interferem tão pouco com o estado de felicidade.

 

O terceiro e mais expressivo fator da fórmula da felicidade, com um contribuição de 50%,  é denominado ações voluntárias. Aquilo que escolhemos fazer no dia a dia. As escolhas voluntárias que acreditamos nos direcionam para a aquisição de um estado íntimo de felicidade. A grande maioria absoluta das pessoas escolhem algo relacionado ao prazer pessoal. Ir ao cinema, uma boa refeição, viagens e etc. Essas escolhas trazem realmente algum benefício, porém é instantâneo e passageiro. Dura cerca de alguns dias e há um declínio posterior. Outras escolhas que envolvem uma certa criatividade são as escolhas que fazemos em benefício de outras pessoas. Segundo os pesquisadores, as ações que realizamos na tentativa de proporcionar o bem e felicidade a outras pessoas traz um efeito mais duradouro em nós mesmos.

 

Essa é a visão dos pesquisadores quanto ao que compreendem sobre a felicidade. Buscamos a felicidade no exterior? Talvez ai esteja realmente a dificuldade em estar pleno e em paz por muito tempo. Tempo? Quando não estamos focados na “presença” do SER, a mente identifica-se com qualquer objeto da percepção da consciência e converte o tempo em uma experiência da própria mente. A mente fica presa no passado ou no futuro. Há uma identificação do SER com a mente. Ansiedade, stress, qualquer tipo de medo, intolerância surge quando a consciência está fixa em um ponto futuro e não está focada no momento presente. Arrependimento, culpa, estagnação surge quando estamos presos no passado e também distante do momento atual presente. A felicidade está no SER e o SER está no sempre momento presente. O “tempo psicológico” impede  o SER de se manter presente e encontrar a felicidade. Olhe esse exato momento agora! Você vê problemas? Não. Os problemas estão ou no passado ou no futuro, ou seja, no tempo psicológico e não no tempo pragmático vivenciado pelo relógio. Quando passamos a tentar viver o momento presente com mais “presença” temos uma maior oportunidade de dissolver o passado definitivamente e “cultivar” um futuro ainda mais promissor. Focar a atenção na plenitude do SER e no momento atual e presente trará mais consciência para tudo o que nos propormos a fazer e realizar. A felicidade está ai! Ai mesmo na mesma substancia que dá “sustentação” às substancias do seu corpo. Temos que aprimorar a  convivência  conosco mesmo.

 

Abraços fraternos

 

Milton

Visão mental


Visão Mental

Atenção plena

Cérebro trino

Felicidade e bem-estar

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No post anterior, conseguimos definir a mente como um processo relacional regulatório do fluxo de energia e informações. Mente/Cérebro/Relacionamentos. Esse tripé é a chave para entendermos o que vem a ser bem-estar. Saúde mental e felicidade. Será que esse binômio guarda alguma interconexão? Acredito que sim. O problema é considerar a seguinte hipótese como verdadeira: Nascemos para sermos felizes? O que é essa tal felicidade? É um estado de graça? É um êxtase? É um estado emocional? É saúde? É o funcionamento apropriado do corpo físico? É o funcionamento equilibrado dos corpos sutis? O que é a felicidade? É um estado da “alma”? Estamos todos em algum tipo de relacionamento. Não há como permanecer no isolamento por muito tempo sem perder o senso da saúde mental. Precisamos uns dos outros. Nós somos observadores uns dos outros. A mente é real! Porém não há necessidade de nos identificarmos com a mente. Somos, sem dúvidas, muito mais que a mente. temos, sim, que “aprender” a utilizar esse “instrumento” poderoso. Sem ela, seria impossível estabelecer algum tipo de “percepção” do outro. O outro existe em minha percepção. Podemos ir além. Consigo perceber o outro e identificar o seu estado emocional. Consigo perceber o outro e sentir que ele está me sentindo. “Sentir-se sentido”. Essa seja talvez uma das características mais humanas que possuímos: a capacidade de sentir que estamos sendo sentidos. Isso é fundamental para a saúde mental e também para a felicidade. Mente/cérebro/Relacionamentos. Esse triângulo é a base do bem-estar. Mente e cérebro formam uma ligação íntima e inseparável. Temos bilhões de neurônios que fazem representações de nossas intuições, pensamentos e sentimentos. Se pudéssemos ouvir o som dos disparos dos neurônios quando estão realizando a representação de um pensamento, como seria? Qual sinfonia eles tocariam? Quais arranjos são necessários para que um significado apareça? Quais acordes são realizados para que uma emoção seja manifestada? É importante desenvolvermos um certo raciocínio sobre esses aspectos, porém não há necessidade de estabelecer  nenhuma identificação com qualquer pensamento ou com qualquer sentimento. Somos muito mais que aquilo que  pensamos e sentimos. Essa “identificação” com a mente é a origem do sofrimento!

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A todo instante estamos realizando um verdadeiro “mapeamento” do outro e de nós próprios. Em qualquer relacionamento essa capacidade de “mapear” a si mesmo e o outro, ou seja, criar uma “imagem” que represente a si próprio e o outro, é a base da visão mental. Durante qualquer experiência que envolva relações interpessoais a visão mental está presente fazendo um levantamento das informações e energia do próprio corpo e simultaneamente realizando um outro levantamento das informações e energia do outro. Há uma espécie de “ressonância” mediada pelas emoções que podem ser compartilhadas de forma não verbal e que são fundamentais para a “percepção” do outro. É como se cada um de nós, como observadores, fossemos cocriadores uns dos outros. Somos sujeito e objeto simultaneamente em qualquer relacionamento. A emoção/sentimento “permeia” essa observação simultânea e consegue-se criar um mapa de “nós” em cada relacionamento. Essa ressonância ocorre em um relacionamento entre mãe e filho(a), entre namorados, entre amantes, entre amigos, entre membros de um grupo, entre grupos, entre comunidades, entre sociedades, entre cidades, entre países, entre… todos. Imagine por um instante se perdessemos a capacidade de sentir que somos sentidos. O que aconteceria? Indiferença? Frieza? Mecanicidade dos movimentos? Incapacidade de criar um mapa do outro? Exatamente isso. Estamos todos interconectados por uma realidade fundamental. Se somos infelizes, é porque tem algo em nossa consciência que não está integrado. Há alguma fragmentação da nossa essência que merece uma atenção especial. Aspectos de nossa mente subconsciente estarão presentes nesses “mapeamentos” e diante do fenômeno de ressonância corre-se o risco de projetar esses aspectos subconscientes como sendo do outro e, de repente, os outros tem raiva, tem ódio, tem diversas mazelas e , eu não. O problema está com os outros, não comigo! Como estamos buscando a felicidade? A felicidade interior não está no exterior. O problema real é que estamos constantemente nos identificando com esse oceano interno de pensamentos, crenças, sentimentos, medos, tristezas, desejos, anseios, frustrações e etc. Atribuímos um valor, um significado, uma energia e essa informação torna-se um “sofrimento” e , ainda mais, identifico-me com esse sofrimento. Somos muito mais que isso! A essência sempre presente em cada momento, em cada aqui e agora, é capaz de “nomear e dominar” cada “elemento” desse “oceano interno” que chamamos de mente. Temos que exercitar o poder da visão mental e, não, criarmos mais identificação com seus “elementos”. Isso gera sofrimento e como consequência a infelicidade. Estamos e permanecemos afastados da essência divina presente dentro de cada um de nós. Imagine como seria cada relacionamento se estivéssemos constantemente em íntima relação com a essência divina dentro de cada um de nós? Se pudéssemos realizar nossas escolhas em “sintonia” com essa frequência divina, encontraríamos todas as chaves que levam para a felicidade. A felicidade está nessa essência. E essa essência está dentro de nós. Portanto…

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A consciência no ato da observação divide-se em sujeito e objeto. Surge a autoreferência em uma causalidade de hierarquia entrelaçada. Há uma identificação da consciência (sujeito) com o cérebro. Com essa identificação podemos criar representações de qualquer aspecto sutil (Intuições, pensamentos, sentimentos). O cérebro faz representações. Ao longo de toda a evolução, a consciência de forma criativa foi aumentando sua complexidade – expressões internas e particulares – a medida que o cérebro também aumentou sua complexidade com “aquisições” de mais áreas e regiões – complexidade da forma. Dessa maneira pesquisadores conseguiram identificar a presença de três cérebros dentro de um único cérebro – cérebro trino. Assim, nosso cérebro reptiliano – tronco encefálico – é responsável pelas representações mais primitivas relacionadas a sobrevivência propriamente dita. Fome e sede e a saciedade das mesmas.  Instinto de reprodução e a saciedade sexual. Áreas e regiões com agrupamento de vários neurônios que “codificam” a representação dessas funções biológicas. Com o aumento da complexidade da forma, novas e mais complexas expressões internas da consciência podem ser representadas. A próxima conquista evolutiva foi o cérebro mamífero – cérebro límbico – responsável pela representação dos sentimentos e centros coordenadores das emoções. O cérebro emocional foi uma conquista criativa da consciência para prosseguir em sua evolução. Medo. raiva, ódio e outras emoções negativas foram necessárias nos primórdios da evolução para que padrões de disparos neuronais fossem criados para garantir a sobrevivência. Afinal um pequeno barulho na mata pode significar apenas um movimento do vento ou o movimento de algum predador. Na dúvida, é melhor fugir, senão… é o fim. O córtex cerebral é a aquisição mais recente com funções intelectivas nobres sendo a região pré-frontal a última aquisição evolutiva que permite a tomada de decisões baseadas na razão. Esses três cérebros desenvolvem uma ação conjunta e simultânea e o córtex pré-frontal é responsável por regular o fluxo de energia e informações provenientes do cérebro reptiliano e límbico. O cérebro reptiliano e o límbico enviam constantes informações e energia para todas as áreas superiores (córtex cerebral e córtex pré-frontal) mantendo essas áreas “alertas”, isto é, excitadas.  Já o córtex cerebral consegue enviar energia e informações para as regiões hierarquicamente inferiores (cérebro límbico e reptiliano) com função inibitória dessas regiões.

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Hoje em dia sabe-se que a meditação “fortalece” a região pré-frontal. Quando focamos a atenção na nossa essência, em nosso verdadeiro “eu”, a capacidade de permanecer equânime, em paz, com senso de compaixão, assertivo, mesmo em “situações” estressantes traz a possibilidade de atingir o tão desejado estado de felicidade. Pois nesse estado de atenção plena não há nenhuma identificação com a mente e com nenhum de seus “elementos”. Observa-se que o “tempo” torna-se “atemporal”. Percebe-se os “espaços” entre os pensamentos e sentimentos. Uma sensação inexplicável de paz, plenitude e presença surgem e há um contato com a essência divina. Para que isso possa ter oportunidade de ocorrer é necessário o desenvolvimento dessa atenção plena. Quanto mais tempo permanecermos “centrados” como observadores do oceano interno das percepções (Intuições, pensamentos e sentimentos) em uma atitude apenas de identificação dessas energias e informações liberando-as em seguida, conseguiremos atingir um estado de graça e êxtase que pode ser traduzido em felicidade. Nossos relacionamentos serão mais saudáveis. As escolhas serão mais coerentes, pois conseguiremos estar cada vez mais conscientes das escolhas, não permitindo que a energia e informação do cérebro límbico invada e “inunde” o córtex cerebral, impedindo-o de exercer a sua nobre função de discernimento. A meditação da atenção plena é um instrumento poderoso capaz de  proporcionar uma integração entre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito e também proporcionar uma integração entre os três andares  do cérebro trino. Podemos presenciar qualquer situação da experiência diária e não ser “dominado” por essas situações e, sim, dominarmos cada situação. Pessoas felizes que vivenciam situações difíceis encaram essas situações como oportunidades, já as pessoas infelizes visualizam problemas. Desenvolver e aprimorar nossa capacidade de visão mental proporcionará uma certa habilidade e capacidade de “nomear e dominar” qualquer situação do dia a dia. Com essa atitude de presença constante com atenção plena em nosso “eu” verdadeiro não haverá identificação do EGO com as armadilhas da mente. A visão mental é um instrumento para adquirirmos bem-estar e felicidade. Não o contrário! É uma oportunidade de conhecer as nós mesmos durante nossas ações. “Conheça a ti mesmo”.

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A visão mental é isso! Ela pode ser ampliada com a atenção plena. As ações serão mais coerentes e cônscias. Integração. Perceber o fluxo da consciência. Mapear a si próprio e ao outro criando um mapa de “nós”. Sentir que estamos sendo sentidos. Sentir que podemos sentir os outros. Empatia é isso. Aumentando a capacidade da visão mental, ampliaremos a “mente” e a capacidade de regular, durante uma relação, o fluxo de energia e informação sem identificação e sem sofrimento. Que possamos então despertar e ampliar a consciência para que a felicidade seja um estado em que possamos realizar nossas escolhas. Vale lembrar que não basta ler sobre a atenção plena, ela não virá sem uma certa pratica. Focar a atenção durante cinco minutos diários em nosso “eu” verdadeiro, na respiração, no ir e vir suave da respiração, percebendo e nomeando cada sensação, cada emoção, cada pensamento que possa surgir durante esses cinco minutos, sem julgamento, apenas nomeando e liberando trará uma sensação de bem-estar e felicidade.  Caso você perceba que um pensamento o levou para algum lugar, sem problemas, honre a sua meditação e retorne a atenção para o seu verdadeiro “eu”. Em pouco tempo você experimentará que a convivência com você mesmo poderá ser agradável. A felicidade está ai, junto com a essência divina que permeia cada um de nós.

Abraços fraternos

Milton

A mente é real!


A MENTE É REAL

 

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Ao longo dos últimos anos a ciência se abriu para examinar a natureza da vida. Podemos afirmar sem ressalvas que a “mente”, embora não seja visível, é, inequivocamente, “real”. A medicina já tem se aventurado a inserir em seus programas curriculares noções de empatia e redução do stress em estudantes de medicina e enfatizado a importância de ver o paciente como pessoa. Pode-se ir mais além, mas já é, sem dúvida, um início. Desenvolver um currículo mais abrangente e focado no “interior” poderia ser uma avanço para áreas como psiquiatria, pediatria e a própria psicologia dentro da medicina. Precisamos perceber que todos nós temos um “oceano” interno com intuições, pensamentos, sentimentos, memória, apego, narrativas e etc. Esse oceano interno com todos esses aspectos formam o que chamamos de “mente”. Mas o que é realmente a mente? Será que poderíamos dar uma definição para que as várias áreas do saber pudessem dialogar de maneira objetiva sobre o termo “mente”? É estranho perceber como a visão que cada uma dessas áreas do saber possuem sobre a mente é por demais divergente. Cada disciplina tem sua própria maneira de ver a realidade da mente. Se reunirmos linguistas, engenheiros da computação, geneticistas, matemáticos, neurocientistas, sociólogos, psicólogos do desenvolvimento e experimentais, perceberemos que cada qual enxerga e compreende a natureza do cérebro com sendo de alguma forma relacionada com a natureza subjetiva da mente.

 

Concorda-se facilmente que o cérebro é composto por um conjunto de neurônios protegidos pelo crânio e interconectados com o resto do corpo, porém não há uma visão compartilhada da mente e nenhum vocabulário para discuti-la. Um engenheiro da computação se refere a mente como “um sistema operacional”. Um neurobiólogo diz que ” a mente é apenas a atividade cerebral”. Um antropólogo fala sobre “um processo social compartilhado que atravessa gerações”. Um psicólogo diz que a “mente são nossos pensamentos e sentimentos”. E assim por diante. Essa divergência não ajuda em um entendimento integral podendo levar a desentendimentos entre as diversas disciplinas e corre-se  o risco de não haver avanço. Como poderíamos definir a mente de maneira funcional que estabelecesse um ponto de partida para futuros diálogos? Eis a proposta: “A mente humana é um processo relacional e incorporado que regula o fluxo de energia e informações”. É isso! Essa definição é compatível com as abordagens de todas as disciplinas. A mente é real e ignorá-la não a faz desaparecer. Definir a mente possibilita compartilhar uma linguagem comum sobre a natureza interna de nossas vidas e possibilita para os profissionais da psicoterapia, medicina e educação acesso a essa linguagem comum. Vamos aprofundar em cada aspecto dessa definição.

 

A mente envolve um fluxo de energia e informações. Energia é a capacidade de realizar uma ação – seja ela mexer os membros ou pensar. Energia pode ser compreendida de diversas formas, mas essa “capacidade essencial de fazer algo” permanece a mesma. Utilizamos “energia” neurológica quando pensamos, falamos, ouvimos e lemos. A informação é tudo que simboliza algo diferente de si mesmo. As palavras que você lê ou ouve são ‘pacotes’ de informação. Os rabiscos na página não são os significados das palavras, e as que você ouve são apenas ondas de som movendo moléculas de ar em determinada frequência. O significado está na mente. Energia e informação andam de mãos dadas no movimento de nossas mentes. Somos capazes de fazer representações no físico para transmitir essa noção de informação. Nossa capacidade de “representar” uma reação emocional para nós mesmos, de dar-lhe um nome e um significado. Não somos máquinas! Máquinas não processam significados. Interação material não processa significado e coisas do tipo. Saber que nossas mentes regulam o fluxo tanto de energia quanto de informação nos capacita a sentir a realidade dessas duas formas de experiência mental e, depois, a agir sobre elas em ver de nos perdermos nelas. A mente, a todo instante, cria novos padrões de fluxo de energia e informação, os quais continuamos a monitorar e a modificar. Esse processo é a essência de nossa experiência de vida subjetiva.

 

A mente também é um processo regulatório. Pensemos no ato de dirigir. Se você tem as mãos no volante, mas os olhos estão fechados (ou focado em uma mensagem de texto), você pode fazer o carro se movimentar, mas não está dirigindo-o – uma vez que dirigir significa regular o movimento do veículo, ou seu fluxo, pelo tempo. Se você tem os olhos abertos, mas está sentado no banco de trás, pode monitorar o movimento dele (e fazer comentários, como alguém que conheço), mas não poderá movê-lo de fato. O que está sendo monitorado e depois modificado pela mente? Trata-se do fluxo de energia e informação. A mente “observa” o fluxo de energia e informação e depois molda as características, os padrões e direção dele. Cada um de nós possui uma mente única: intuições, pensamentos, sentimentos, percepções, memórias, crenças e atitudes singulares, em um conjunto regulatório de padrões também únicos. Podemos aprender a moldar esses padrões, a alterar nossa mente e como consequência o cérebro, ao ver, em primeiro lugar, a mente com clareza.

 

A mente é incorporada. Isso significa que o fluxo de energia e informação acontece, em parte, no corpo. A relação entre mente e cérebro torna-se óbvia. Porém não podemos passar uma navalha no pescoço e separar o cérebro do restante do corpo. Temos cérebros no coração, no intestino e etc. Finalmente, a mente é um processo relacional. A energia e a informação fluem entre as pessoas e são monitoradas e modificadas nessa troca compartilhada. Isso acontece agora mesmo entre você e eu, através da minha escrita e da sua leitura. Esses pacotes de energia saem da minha mente e agora entram na sua. Se estivéssemos juntos em uma sala esses “sinais” poderiam ser trocados de outra forma seja no domínio verbal ou não verbal. Os relacionamentos são a forma como compartilhamos o fluxo de energia e informação, e é esse compartilhamento que molda, em parte, com o fluxo que é regulado. Nossa mente é criada dentro de relacionamentos, incluindo o relacionamento conosco mesmos. Podemos perceber e sentir os outros. Temos a capacidade de ressonância por possuir circuitos cerebrais que realizam essa função. “Sentir sentidos” e sentir os outros é a base para realizarmos um aprofundamento sobre nossa própria mente. Muitos dos distúrbios atuais advém dessa incapacidade de se sentir sentido ou de sentir os outros. Depressão, bipolaridade, transtornos diversos do humor, explosões emocionais e até mesmo transtornos biológicos podem ser abordados sob uma visão de mente cuja definição aqui explicamos. Ver a mente como epifenômeno não ajuda muito. Dar a mente o valor que lhe é de direito permite um inicio de quebra de paradigma da separação. Temos a ressonância mutua dos relacionamentos e os princípios quânticos que sustentam a prática. É isso!

 

A mente é um processo que  regula o fluxo de energia e informação. Sob  essa perspectiva cria-se uma oportunidade para explorarmos outras dimensões de nossa mente incorporada e relacional e o que significa ser humano. A física quântica permite essa expansão da consciência quando utilizamos seus princípios e passamos a pensar quanticamente. Estamos diante de uma oportunidade única para mudar paradigma. Que possamos neste momento, partirmos para a prática desses princípios e construirmos uma sociedade melhor. “Mentes que se relacionam e regulam o fluxo de energia e informação”. De forma alguma estamos separados. Na verdade, há uma interconexão entre todos. A “substância” da “matéria” do grosseiro (externo) é a mesma da “matéria” sutil (interna), isto é, do oceano interno, ou melhor, da mente. Temos muito em que trabalhar. Em todas as áreas. Vamos adiante! É isso!

 

Abraços fraternos

 

Milton

 

Separação sujeito-objeto


CISÃO SUJEITO-OBJETO

A REALIDADE DA CONSCIÊNCIA CÓSMICA

Quem é o sujeito e quem é o objeto da percepção sensitiva?

 

 

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Vocês já pararam para se perguntar o porquê que em cada medida que fazemos no ato da observação, a maneira como a “forma” de um objeto aparece na tela mental durante a percepção, surgem sempre dois “entes” , simultaneamente, de maneira inexorável: o sujeito que percebe e o objeto que é percebido!? É simplesmente fascinante esse fenômeno! Além de “surgir” dentro de um sistema de codependência, isto é, o sujeito torna real o objeto e o objeto torna existente o sujeito, surge também outra característica que é o fato de o objeto sempre aparecer externo – “fora” – da minha percepção. Ele se torna um objeto externo e “separado” da “representação mental que faço desse objeto. Subjacente ao ato da percepção algumas atividades internas correlacionadas estão ocorrendo. Um  “disparo” de vários neurônios que lançam seus quadrilhões de neurotransmissores nas milhares e milhares de sinapses (conexões entre neurônios). A quantidade de conexões que cada neurônio pode fazer chega a uma contagem aproximada de 10 elevado a milionésima potência (um número enorme). Para que o cérebro entenda o que está acontecendo no seu “exterior” é necessária uma verdadeira “linguagem” cerebral. Essa linguagem específica do cérebro chama-se potencial de ação. O potencial de ação é produzido pela “entrada” de sinais eletromagnéticos pela retina (luz refletida pelo objeto que excita células especializadas no olho humano). A mágica da realidade externa ocorre a cada abrir e fechar de olhos. Pois bem. Esses sinais levam a informação para regiões cerebrais cujos neurônios disparam seus neurotransmissores. Depois desse “disparo”, os neurotransmissores são prontamente reabsorvidos pelo sistema biológico. Pergunta importante nesse momento: O que fica então depois que os neurotransmissores saem da cena biológica no momento da percepção do objeto? Fica a memória desse objeto. Fica a “sequência” e os “padrões” de disparos simultâneos formando uma verdadeira rede de conexão que sempre que “lembrarmos” do objeto em questão ele estará lá, em nossa “tela” mental como uma representação do objeto. O cérebro não diferencia realidade de imaginação! Pensem no objeto da percepção e a mesma rede de conexão se fará presente.

 

Voltaremos a esse tema mais adiante tentando entender o sujeito da percepção. Por agora vamos retomar o raciocínio do objeto externo da percepção. Os objetos externos, no momento da percepção, são ditos objetos corpóreos, objetos grosseiros feito de alguma “substância”. Qual substância? Qual “bloco” concreto estará ali presente no objeto corpóreo que existe “para nós” e que são especificados através da percepção sensitiva. Essa é a grande questão!!! Quando aprofundamos o estudo dos componentes internos dos objetos corpóreos (externos) começamos a “criar” um outro tipo de universo, um outro tipo de mundo, um outro tipo de objeto que é percebido ou especificado apenas pela medição científica. Entre em cena o modus operandi da ciência e todo o seu arsenal de instrumentação que literalmente cria um novo universo, isto é, o universo dos objetos físicos associados ao objeto externo (corpóreo). O objeto físico possui uma série de “entes” que se tornam observáveis e especificados através de uma instrumentação própria. Veja que interessante. Em todo o experimento há uma “intenção”! O Experimentador deve possuir uma “teoria” para criar um determinado aparelho para que ele (O Observador-Experimentador) “pergunte” a natureza do objeto e a natureza do objeto “responda”. Há uma participação ativa no momento da observação. Portanto, aqui emerge uma nova concepção de como os objetos físicos associados aos objetos corpóreos que existem “para nós” são criados. Há uma necessidade de uma “representação mental” do objeto corpóreo ao mesmo tempo que há a necessidade de uma “representação “teórica-matemática” do objeto físico que se “mostra a vista” através dos aparelhos de medição. O universo da matemática, do números, das teorias advém da representação abstrata de uma teoria e sua representação que ocorre no cérebro do experimentador. Daí surgem os entes “observáveis” dos objetos físicos – peso, densidade, campo eletromagnético, momento elétrico do elétron, galáxias, campos morfogenéticos, corpos e energias sutis e etc, etc – há uma gama de observáveis em diversas gradações de possibilidades. Todos são objetos físicos que nada mais são senão as “respostas” da natureza do objeto corpóreo aos questionamentos – “perguntas” – feitas pelo Observador-experimentador.

 

Temos, então,  um objeto corpóreo que se apresenta “para nós”, durante a percepção sensitiva  e que foi também responsável pelo surgimento simultâneo e codependente do sujeito que percebe. Essa é a cisão sujeito-objeto em cada percepção sensitiva. Vejam que na percepção sensitiva não conseguimos perceber a “totalidade” do objeto corpóreo. Percebemos apenas de uma forma parcial, ou seja, percebemos apenas uma parte da realidade. Há uma outra realidade que não percebemos pelos sentidos. O Objeto corpóreo possui algo “transcendente” associado a ele. São os “entes” observáveis que constituem o  objeto físico especificado pela medição e teoria (teoria e experimento formam um ato único cognoscível). O objeto físico torna-se presente no objeto corpóreo, ou de outra forma, o objeto corpóreo é a “presentificação” do objeto físico. Vamos adiante! Ao aprofundar a investigação dos objetos físicos chegamos ao mundo da física fundamental, ou seja, da física quântica e seu mundo de “estranhezas” aparentes. Como vocês já acompanham os diversos posts desse blog, podemos concluir que a física quântica chegou na intimidade do objeto físico associado ao objeto corpóreo. Diversos experimentos tentam compreender e conceber o que são as partículas elementares que formam os átomos. Esse mundo onde as partículas elementares estão “inseridas” formando um “oceano” de possibilidades, um mundo em Potentia de Aristóteles que Heisenberg pegou “emprestado” para conceber elétrons como possiblidades de vir a ser. Aqui, no mundo quântico existem “ondas de possibilidades”. Saímos do mundo corpóreo que existe “para nós”, construímos o mundo físico que se “mostra a vista” através dos aparelhos de medição e finalmente chegamos ao objeto quântico que é um eterno “vir a ser” em possibilidade. A percepção de um objeto corpóreo e sua representação mental que cria a cisão entre sujeito e objeto em um sistema, como já dito anteriormente, de codependência é muito mais fascinante que se possa parecer! O que ocorre no sistema físico capaz de “atualizar” todas as informações que saem das ondas de possibilidades quânticas, passam pelo universo físico e acabam no objeto corpóreo da percepção sensitiva?

 

Objetos quânticos como possibilidades, objeto físico que se mostra a vista pela medição científica e objeto corpóreo que possui uma “forma” e uma “matéria”. Tudo isso durante o ato da observação! Como ocorre essa dinâmica? Como ocorre a passagem das possibilidades para o mundo real da forma e matéria do objeto corpóreo? Como nasce o sujeito nessa dinâmica da percepção? Somos participantes do universo. Isso é fato! Não há como conceber o universo sem a participação do sujeito (observador). Ele participa ativamente dos experimentos e da própria criação teórica para conceber o que quer ser visto e isso é o suficiente para ele “perturbar” o sistema. O mundo quântico que forma os “entes” observáveis dos objetos físicos torna-se presente no objeto físico – que não são “coisas” em si mesmos, eles são o resultado da teoria e da experimentação – assim como os objetos físicos tornam-se presentes no objeto corpóreo que existe “para nós”. Tem “algo” nessa dinâmica capaz de fazer acontecer esse “torna-se em”. É como se houvesse uma “atualização” da onda de possibilidades que “transportaria” todas essas informações, toda essa “energia” até o objeto corpóreo em cada ato psíquico da observação. O que é esse algo? A própria ciência quântica, através do experimento de Bell (Entrelaçamento e emaranhamento quântico) chegou na concepção de que há uma realidade fundamental una e indivisa. As partículas elementares são manifestações de uma única realidade subjacente onde a comunicação ocorre sem a troca de sinais. É a manifestação particular da realidade total. Essa é a compreensão atual de um objeto físico seja ele uma galáxia, seja uma campo magnético, seja uma radiação, seja uma onda eletromagnética, seja corpos e energias sutis,  sejam  átomos,  sejam quarks, sejam quaisquer objetos quânticos reconhecidos pelo modus operandi da ciência.  A física quântica chegou no último estágio da compreensão do que é a matéria. Matéria são ondas de possibilidades que são “atualizadas” no ato da observação. A informação, a energia, contida dentro dessas possibilidades  sai do mundo quântico, passa pelo mundo físico e chega ao mundo corpóreo. Nessa “atualização” nasce o sujeito que percebe, pois ele não pode ser separado do objeto percebido, por mais aparente que seja essa “separação”. Quem é, então, o sujeito da cisão sujeito-objeto? Se temos uma realidade fundamental una e indivisa que constitui a  própria matéria, quem dá “forma” para ela? Chegamos na consciência, chegamos no sujeito.

 

Quem é o sujeito que nasce da percepção sensitiva? Aqui temos o problema do modus operandi da ciência. O cérebro possui 100 bilhões de neurônios. O sujeito “emerge” do funcionamento bioquímico dessas células? Os 70 trilhões de células que nosso corpo possui, incluindo os neurônios, são objetos da percepção. A cada instante, milhares e milhares de informações chegam ao cérebro informando-o e atualizando-o sobre o funcionamento do corpo. A mesma matéria – “substância” – que discutimos acima faz parte da constituição do corpo físico, inclusive o cérebro. Cada célula é composta por milhares e milhares de partículas elementares, de átomos, de moléculas, de campo eletromagnético, de corpos e energias sutis, ou seja, de uma enorme quantidade de objetos físicos que já sabemos que se mostram a vista através da medição (teoria e experimento). Então, cérebro é objeto. Interações entre objetos obrigatoriamente produzem novos objetos. De onde nasce, então, o sujeito da percepção? Partículas elementares, átomos, moléculas, células (inclusive neurônios) e o cérebro são ondas de possibilidades que são “atualizadas” pela “presença da consciência. O que é a consciência? Qual a “natureza” da consciência? Podemos afirmar apenas que ela é o Tertium Quid ( terceiro elemento que tem poder causal sobre dois elementos correlacionados). Há, sim, o “terceiro” elemento capaz de “atualizar” a energia das ondas de possiblidades. Chegamos na causação descendente. Chegamos na compreensão de que há uma consciência cósmica una e indivisa fora do espaço-tempo que se ‘particulariza’ quando se manifesta na identificação do sujeito e seu cérebro no ato de obervação. A consciência cósmica se torna consciente através de nós em cada ato de observação. É o universo autoconsciente de Amit Goswami. A consciência é a base de tudo! Ela se “divide” em sujeito e objeto para permitir a percepção. Ela concede a “forma” para que a matéria una e indivisa da realidade fundamental possa ser percebida e atualizada. A consciência cósmica, O Deus, causa primeira de todas as coisas é tudo o que existe. Deus está em tudo e tudo está em Deus. Não mais um Deus separado, mas um Deus presente que se comunica com suas criaturas.  Nascemos simples e ignorantes com o propósito de conhecer e saber. A percepção e a memória são os instrumentos utilizados e disponíveis na dinâmica da evolução criativa da consciência.  Portando tanto objeto corpóreo como o sujeito da ação de perceber são constituídos pela mesma substância: a Consciência cósmica. Deus é tudo e está em tudo. Deus está em tudo e tudo está em Deus. Eu e Pai somos um! Isso agora faz muito sentido.

 

Somos formados pela substância de Deus e, durante o ato da percepção, forma-se uma consciência imediata e egóica que é o sujeito, o “eu” de cada observação. Esse sujeito possui um verdadeiro oceano interno de intuições, pensamentos e sentimentos. O sujeito literalmente interage com o objeto da observação. Eles são feitos da mesma “substância”. Somos espíritos em evolução. Somos individualidades em evolução. Somos susceptíveis a “erros” e “acertos”. Somos imperfeitos mas possuidores da potencialidade em atingir aquilo que ainda não sabemos o que é, mas que denominamos “perfeição”. Da mesma forma como a “semente” que contém a potencialidade de vir a ser a árvore frondosa com seus frutos. Qualquer realidade do universo está sob dois domínios: possibilidades e fato manifesto. Percebem isso agora? Conseguem visualizar que há um mundo de possiblidades e que nosso inconsciente representa esse movimento quântico de objetos quânticos que são nossos pensamentos e sentimentos. A todo instante estamos fornecendo signficados em tudo em nossa vida! Os objetos corpóreos, os objetos físicos existem também em nossa mente que não está separada do corpo físico. É como se houvesse um “paralelismo” entre intuições, pensamentos e sentimentos que são representados simultaneamente em nosso cérebro. A consciência e todo o seu arsenal de processamento consciente e inconsciente está em um processo de evolução. Como tal, nascemos e renascemos de períodos em períodos para que a consciência egóica, ou imediata seja educada. A escola que permite essa educação é o planeta Terra com toda sua complexidade atual organizada em lares e sociedades. Um código de ética cósmico também foi fornecido para que essa consciência imediata ajuste seu comportamento segundo esse código: O Evangelho de Jesus. As grandes “chagas” da humanidade são, sem dúvidas, o orgulho e a vaidade. O exclusivismo e o solipsismo (A minha consciência é a mais importante). Aprender, conhecer e saber. Coerência no agir, pensar e sentir. Todos fomos criados simples e ignorantes em uma única célula e atingimos a pluricelularidade. Saimos do simples para o complexo. Cada forma mais complexa consegue expressar uma complexidade correspondente da consciência. Nessa dinâmica energias mais sutis são requisitadas. há um mundo espiritual onde as consciências imediatas permanecem com sua “bagagem” de conquistas e aguardam a oportunidade para coordenarem uma nova forma física através do desenvolvimento embrionário. A ontogênese recapitula a filogênese. A reencarnação é uma lei natural onde a consciência pode vir a ser o mesmo ser em uma nova forma corpórea para novas interações e experiências. Nascer, morrer e tornar a nascer, tal é a Lei. Acredito nisso! A consciência imediata (espírito) aproveita das potencialidade gênicas maternas e paternas para trazer “forma” a matéria una e indivisa. Coordena um turbilhão de partículas elementares colapsando a nova realidade corpórea. O processamento inconsciente reflete essa história. As memórias adquiridas durante cada ato de percepcão impulsionam o ser para as experiências que sejam necessárias em sua evolução, para sua aprendizagem e educação. Seguimos evoluindo e interagindo.

 

A vida é um “dom” que devemos agradecer a cada dia! Somos observadores participativos! Somos criaturas com seu criador junto a nós. A cada momento podemos fazer escolhas diferentes. A cada momento podemos dizer não ao hábito e condicionamento e construir um final diferente. Criamos a nossa realidade ainda baseados na consciência imediata e egóica. Somos todos um na jornada evolutiva. Estamos ainda tentando representar o amor em nossas vidas. Estamos construindo os circuitos cerebrais das emoções positivas. Estamos tentando dar novos significados ao AMOR saindo de uma visão egocêntrica para uma visão etnocêntrica (percebendo o outro além de mim) para quem sabe adquirimos uma visão globocêntrica onde o “ nós” será realmente valorizado.

 

Abraços fraternos

 

Milton

Formação das crenças


COMO ACREDITAMOS NO QUE ACREDITAMOS
FORMAÇÃO DAS CRENÇAS

O que nasce primeiro? A crença ou o conhecimento? A crença converte-se em conhecimento ou o conhecimento converte-se em crença. Em que quero acreditar? Você acredita em Deus? Você acredita em Reencarnação? Você acredita na teoria da evolução de Darwin? Você acredita em anjos? Você acredita na ciência? Pois bem, como construimos nossas crenças, ou melhor, como acreditamos no que acreditamos? Algumas pesquisas foram realizadas. Uma delas de 2009, entrevistou 2303 pessoas pedindo que elas indicassem com sim ou não se acreditavam em cada uma das categorias listadas abaixo. Os resultados foram reveladores.

Deus 82%
Milagres 76%
Céu 75%
Jesus é filho de Deus 73%
Anjos 72%
Imortalidade da alma 71%
Ressurreição de Cristo 70%
Inferno 61%
Virgindade de Maria 61%
Demônio 69%
Teoria da evolução de Darwin 45%
Fantasmas 42%
Criacionismo 40%
Ovnis 32%
Astrologia 26%
Bruxas 23%
Reencarnação 20%

Pessoas acreditam mais em anjos e demônios do que na teoria da evolução!
Uma porcentagem grande da população acredita no sobrenatural e no paranormal.
Conhecimento e crenças coexistem. Uma sociedade progride rapidamente quando as duas necessidades humanas – a crença e o conhecimento – se encontram e se harmonizam. Fatos e crenças coexistem.

Como a ciência contribui para a formação do sistema de crenças através da metodologia científica? Pode-se ensinar a metodologia científica nas escolas e universidades, mas será que isso muda as coisas? Por que as pessoas acreditam? O sistema de crença das pessoas torna-se uma poderosa, penetrante e duradoura ferramenta de conduta. As crenças nascem, se formam, se alimentam, se reforçam, são contestadas, mudam e se extinguem. Por que as pessoas acreditam em alguma coisa? Construímos nossas crenças por várias e diferentes razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas, em contextos criados pela família, por amigos, colegas, pela cultura e sociedade. Uma vez consolidadas essas crenças, nós as defendemos, justificamos com uma profusão de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. Primeiro surgem as crenças e depois as explicações. Segundo Einstein, a teoria determina aquilo que podemos ver. Nosso cérebro foi esculpido durante os evos da evolução para “fazer” as crenças. Como vimos anteriormente, em post sobre o novo inconsciente, o cérebro possui um processamento inconsciente responsável pela formação de padrões de disparos dos neurônios onde a consciência busca e fornece os significados através da mente. O cérebro não consegue se perceber. O cérebro é matéria e não possui a capacidade de auto-observação. A mente, ao contrário, consegue perceber-se Você se percebe no ato da percepção. Você é o sujeito e o objeto ao mesmo tempo. No processo de percepção nasce a autoreferência, o “self” da experiência.

Os dados fluem através dos sentidos em uma atitude de cocriação da realidade através das possibilidades da matéria, isto é, do colapso da função de onda da matéria pela consciência. O cérebro/mente/consciência naturalmente começa a procurar e encontra padrões, aos quais então infunde significado. O Primeiro passo é a busca de padrões (padronicidade), isto é, a tendência de encontrar padrões significativos em dados que podem ou não ser significativos. O segundo passo é a capacidade que temos de dar aos padrões significado, intenção e ação. Padrão e ação. Padronicidade e acionalização. Buscamos a todos os instantes conexão entre os pontos de nosso mundo em padrões significativos, capazes de explicar por que as coisas acontecem. Esses padrões significativos se tornam crenças.

Depois de formadas as crenças, o “intérprete” dentro do hemisfério esquerdo começa a procurar evidências que as confirmem, o que aumenta a confiança emocional e acelera o processo de reforço dessas crenças. Há um processo contínuo de reforço e confirmação das crenças. O sistema de crenças está dentro desse processamento inconsciente e é envolvido pelo conceito do novo inconsciente. A ciência ajuda na construção do sistema de crenças das pessoas? Como não!!! As mudanças de crenças ocorrem mais frequentemente na ciência, mas não com a frequência que se poderia esperar diante da imagem idealizada do cultuado “método científico”, para o qual apenas os fatos importam. Mas os cientistas são seres humanos, sujeitos como qualquer um aos caprichos da emoção e à influência dos desvios cognitivos quando moldam e reforçam suas crenças.

O cérebro/mente/consciência também atribui valor sobre as crenças. Aliás, somente a consciência consegue processar valores. Nenhuma outra máquina tem a capacidade de processar valor. Nesse processamento inconsciente, onde ocorre o nascimento, formação e concretização das crenças, vamos atribuindo significado e valores e buscando na convivência e na experiência diária outros companheiros que possuem idéias afins e a rejeitar os que têm crenças diferentes. Assim, quando tomamos conhecimento de crenças que diferem das nossas, temos a tendência de rejeitá-las ou destruí-las por considerá-las absurdas, más, ou ambas as coisas. Essa propensão torna ainda mais difícil mudar de opinião diante de novas evidências.

O ponto a partir do qual uma sociedade não consegue mais descobrir uma saída para seus problemas é chamado de LIMITE COGNITIVO. Será que estamos vivenciando esse limite cognitivo agora. Dificuldade em adquirir conhecimento através das injunções previamente formuladas e como consequência dificuldade em encontrar soluções para a complexidade dos problemas que enfrentamos? Os estudos sociológicos tem demostrado que em todos os aspectos atingimos um limiar, um limite de resolução de problemas, e somos “forçados” a encontrar soluções sistêmicas e complexas para problemas sistêmicos e complexos. O método científico muitas vezes é o responsável por crenças que canonização a correlação. O que é isso? Na busca por explicações e conhecimento, as pessoas do meio científico confundem “correlação” com causalidade. Acabam fazendo uma falsa correlação e aceitam a correlação como substituta da causalidade; usam a engenharia reversa para manipular evidências e contam com o consenso para a determinação de fatos básicos. Essa “supercrença” da correlação falsa tem efeitos nocivos e acabam determinando comportamento. Vejamos alguns exemplos de falsa correlação: “Ventilador no quarto parece diminuir risco de morte no berço”; “Envio de mensagens escritas aumenta a capacidade linguística”; “Estudo sugere que frequentar uma igreja reduz o risco de morte”; “Implante de seios reduz risco de câncer, mas aumenta tendência de suicídio”; “TV ligada perto de crianças perturba sua atenção”; Alguns tipo de câncer aumentam o risco de divórcio”; “Comer peixes gordurosos reduz risco de demência”; “Pais rigorosos têm filhos gordos”; “Letras de músicas sensuais motivam adolescentes a fazer sexo”. e etc, e etc. Quando começamos a procurar por elas a lista vai longe, as correlações falsas estão por toda parte.

As crenças coordenam as percepções. Através da percepção vamos construindo nossas memórias. A criatividade quântica – capacidade da consciência em evoluir – talvez seja o ponto a ser incentivado no atual estágio evolutivo pela qual estamos passando. Ao mesmo tempo, caminhando em busca da coerência cardíaca, ou seja, um alinhamento entre o que penso e sinto refletindo minhas ações. Podemos construir crenças, memórias que poderão fazer diferença em nosso futuro.

Abraços fraternos

Milton

Física quântica, memórias, percepções e o processamento inconsciente.


FÍSICA QUÂNTICA

MEMÓRIAS E PERCEPÇÕES

PROCESSAMENTO INCONSCIENTE

“Todo homem é uma criatura da época em que vive, e muito poucos são capazes de se colocar acima das idéias dos tempos.”

Voltaire

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Dando continuidade ao nosso raciocínio sobre a importância do novo inconsciente e a contribuição da física quântica para a expansão dessa compreensão, vamos buscar um entendimento sobre o paradoxo existente entre percepção e memória. Hoje em dia, baseado em novos parâmetros de observação pelo laboratórios de neurociências, podemos compreender como “construímos” nossas memórias. A memória é necessária para a percepção de um objeto. Quando entramos em contato com qualquer objeto de nossa experiência, recrutamos uma série de informações dos padrões neurais existentes, até então, para perceber (percepção) o mesmo, identificando todas as características inerentes ao objeto. Podemos afirmar, então, que a percepção depende da memória. Pois bem, a percepção também é necessária para a “construção” da memória, caso contrário não teríamos lembranças dos objetos percebidos. Como resolver esse paradoxo. Perceberam? Percepção exige memória e memória exige percepção. Temos um aparato de memória e um aparato de percepção. Qual a relação causal entre eles? Qualquer circularidade observada dentro da ciência é considerada um paradoxo. A ciência materialista (interações materiais) admite a hierarquia simples como paradigma de estudo, orientando as pesquisas baseadas nesse critério de causalidade. A causalidade obedece um processo de causa e efeito onde um “poderoso chefão” é identificado (ou pelo menos há uma tentativa para tal). É assim que são as explicações causais dentro das interações materiais, isto é, partículas elementares formam átomos que formam moléculas, moléculas se reunem formando células, células se reunem formando órgãos (cérebro) que de suas atividades de interação por processos físicos e químicos produzem a consciência. É a famosa causação ascendente. Como a interação material pode causar algo que é sutil: a consciência, ou até mesmo os sentimentos e pensamentos. Como processos físicos e químicos dentro da biologia celular neural pode causar ou fazer emergir a consciência. Quem disse que tem que ser dessa forma?

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Bom, além do campo filosófico que envolve tais considerações a ciência quântica pode contribuir para a solução desse paradoxo. Se admitirmos que é a consciência a base de tudo e não a matéria com suas interações materias, o paradoxo se desfaz. Como? É o sutil que causa o grosseiro. É o sutil quem coordena a forma. É o sutil, através dos campos de influência que organizam e se comunicam com a matéria e mantém a entropia dentro da ordem (entropia entendida aqui como a tendência de qualquer sistema em caminhar para a desordem). É o sutil, por intermédio da consciência (que também podemos chamar de espírito, alma, dependendo da religião em questão) quem escolhe as possibilidades da matéria e mantém a ordem do sistema. Estamos realmente invertendo, de forma radical, a causalidade. Ela é chamada pela nova ciência, ou ciência alternativa, de causação descendente. O sentido não é apenas da terra para o céu, mas também do céu para a terra. Feito essas considerações filosóficas científicas, vamos aprofundar o raciocínio dentro da compreensão do que vem a ser as memórias sob o conceito do novo inconsciente com seu processamento inconsciente. Lembrando que processamento consciente e processamento inconsciente estão dentro da consciência – base de tudo – essência do ser – o “eu” de cada experiência – o sujeito que testemunha tudo em qualquer observação. Podemos também nos referir a esses processamentos como mente consciente e mente inconsciente. A neurociência cognitiva, atualmente, estuda justamente a mente-cérebro-comportamento. Cabe ressaltar que há muitas pesquisas atuais que buscam entender como essas “foças subterrâneas” coordenam e controlam a mente consciente.

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Vamos analisar a matéria da consciência. O cérebro possui áreas responsáveis pela memória. Houve uma época em que a ciência procurava a localização da memória no cérebro. Houve época onde a ciência ignorava os aspectos mentais e dedicava-se exclusivamente ao estudo do comportamento (Behaviorismo). A metodologia científica apresenta falhas por ser realizada por seres humanos também falhos, mas ainda é um instrumento poderoso de investigação. Hoje observa-se que a ciência é a distribuidora oficial de verdades. Isso mesmo! A mesma posição assumida pela Igreja em épocas passadas. A igreja já foi a distribuidora oficial de verdades. Se você questionasse seus dogmas com outras idéias o destino era a fogueira! Atualmente, a ciência não queima ninguém de forma literal, mas queima a credibilidade do investigador e o coloca em um ostracismo apenas por querer estudar esses aspectos sutis do ser humano, que por natureza, são repletos de viéses. Mas podemos utilizar da própria metodologia científica para estudar os aspectos sutis com algumas adequações. Pessoas sérias são desacreditadas. Bom seria se houvesse uma integração entre ciência e espiritualidade e essa é a proposta do novo paradigma proposto pela física quântica. Integração entre ciência e espiritualidade. Explicar como aspectos transcendentes do ser humano podem e influenciam a matéria de que ele é formado. Esse entendimento passa pelo conhecimento e experimentos bem realizados, seguindo os padrões da metodologia científica, pela física quântica de onde emergiu os princípios quânticos que explicam a comunicação além da velocidade da luz (não localidade), que explica a causalidade além dos fatores envolvidos no sistema (hierarquia entrelaçada) e explica a descontinuidade e os saltos característicos do mundo quântico. Todos esses princípios são assinaturas da causação descendente e explica como a tendência natural a desordem (entropia) é revertida em ordem.

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Mente e cérebro indubitavelmente tem uma correspondência de interligação codependentes. A mente é capaz de moldar o cérebro. O que você pensa é representado no cérebro com a formação de redes neurais e explosão de vários neurotransmissores, que são rapidamente reabsorvidos e duram cerca de frações de segundos na fenda sináptica. É a linha de pesquisa atual dos behevioristas que usam o termo biocomportamental oriundo da integração da neurobiologia e as novas descobertas da neurociência explicando o comportamento, reforçando o movimento das moléculas produzidas e que determinariam esse comportamento. Há controvérsias! Da mesma forma, modificações que ocorrem no cérebro são capazes de modificar a mente, permitindo uma modelagem da mesma. Como é feita essa representação no cérebro? A resposta está nos padrões das redes neurais e nas moléculas envolvidas no processo. A bioquímica e física envolvida nesses processos é de entendimento complexo, mas a cada dia uma nova luz é lançada e a compreensão torna-se cada vez melhor a cerca do processo de construção da memória. Pensemos um pouco em como é sintetizada a proteína envolvida na transmissão do impulso nervoso denominada neurotransmissor. Quando falamos em neurotransmissores (Serotonina, Dopamina, GABA e etc) estamos mencionando as proteínas envolvidas na fenda sináptica que são responsáveis pelas conexões entre os neurônios e, consequentemente, pela transmissão e propagação da informação pela rede nervosa, estabelecendo uma comunicação entre as células nervosas e destas com outras células (muscular por exemplo) determinando a contração muscular e como consequência o comportamento. Um pequeno parenteses. Hoje há várias pesquisas sérias levantando a hipótese de poder existir um outro tipo de comunicação energética pelo corpo através do sistema conectivo ou tecido conjuntivo. Esse tecido é responsável pela conexão entre células e órgãos de diversos sistemas do corpo humano. Essa característica é observada no tecido conjuntivo pelo fato dele preencher espaços entre as células e tecidos, bem como órgãos. Fecha parenteses. O novo inconsciente passa pela compreensão desses padrões neurais que representam as informações que caracterizam as experiências do ser humano. A teoria cognitiva e o novo inconsciente resgatam o estudo da mente e seus circuitos cerebrais que a representam. O que se passa na mente molda o cérebro e o que se passa no cérebro molda a mente.

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Intuição, pensamento e sentimento são considerados objetos quânticos pelos princípios bem documentados da física quântica. Por serem objetos quânticos, não há como determinar posição e velocidade simultaneamente. Se você se concentrar no conteúdo do pensamento você perde informação sobre o direcionamento do pensamento e vice-versa. Não há como determinar simultaneamente ambos. Faça a experiência!! Pensamento assim como um elétron é uma onda de possibilidade. Tem o potencial de tornar-se realidade. Para que ocorra o colapso de onda da matéria do pensamento há necessidade do cérebro. O pensamento é representado no cérebro através dos padrões e circuitos neurais e também dos neurotransmissores. Para não violar a lei de conservação de energia, a consciência escolhe simultaneamente os padrões neurais do cérebro com suas moléculas e surge a representação do pensamento com seu significado. É assim que construímos nosso sistema de crenças, assunto que vou abordar em outro post futuramente. Simples e complexo assim! Uma assinatura da causação descendente da consciência é a hierarquia entrelaçada onde algo fora do sistema é o verdadeiro poder causal escolhendo entre duas ou mais opções correlacionadas. Mente e cérebro estão correlacionados. A consciência contém ambos. Como a consciência escolhe o processamento inconsciente e o consciente não há violação da lei de conservação de energia. O mesmo raciocínio pode ser estendido para os sentimentos. Nesse caso, podemos entender as moléculas da emoção: receptores opióides e neuropeptídeos. Entender as pesquisas de Damásio, segundo a contribuição da física quântica, traz uma nova luz na regulação da vida. Uma enorme quantidade de informações inconscientes são organizados por campos sutis – campo morfogenético – presente em um outro campo superior – corpo vital – o movimento da energia vital dentro do corpo vital é o sentimento.

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Campos dentre de campos. Assim é o comportamento da evolução. Aumento da complexidade da forma observada na evolução obedece a esse princípio: campo dentro de campo. Átomos dentro de moléculas. Moléculas dentro de células. Células dentro de órgãos. Órgãos dentro de organismos. Campos dentro de campos. A energia envolvida no processo abedece a um “evelopamento” diferente porém ao mesmo princípio de campo dentro de campo. A energia densa dos átomos são “envelopados” dentro das moléculas e emerge uma nova energia que sustenta a forma da molécula e agora mais sutil quando comparada a energia densa do átomos. A medida que a forma se torna cada vez mais complexa, a energia se torna cada vez mais sutil. Basta isso no momento, para compreender a dinâmica da evolução. A essência presente em todos nós evolui e ainda vou mais adiante, essa essência tem novas oportunidades de experimentação (reencarnação) para que a individualidade do ego eduque suas potencialidades e nesse processo de educação alcance mais sutilezas energéticas capazes de serem representadas no cérebro durante o período que aqui vivemos. Essa seria a teoria da consciência egoísta! (hehe) Uma crítica sutil ao gene egoísta de Dawkins. Só que é um “egoísmo altruísta”, isto é, tem um propósito! A consciência deve buscar representar cada vez mais aspectos de ondas de possibilidade de alta teor vibratório (alta frequência e alta amplitude) para que energias cada vez mais sutis possam ser expressas no comportamento. Quem sabe o amor incondicional entre as pessoas não esteja nessa categoria (alto teor vibratório) e estajamos engatinhando para representá-lo em nosso comportamento. Sei que isso pode parecer tudo muito complexo e de difícil entendimento em um primeiro momento, mas aos poucos e com empenho e vontade vamos vencendo dificuldades teóricas e técnicas e realizando experimentos cada vez mais esclarecedores para que a reencarnação seja um dia reconhecida como uma lei biológica. E o mais importante, saber utilizar esse conhecimento para que o comportamento reflita tal entendimento.

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Estamos construindo memórias! Para compreendermos a construção dessas memórias precisamos entender a especialização que há em nossos hemisférios cerebrais – esquerdo e direito – e a importância dessa especialização na divisão de tarefas e como o processamento inconsciente atua utilizando-se de ambos simultaneamente. Vale ressaltar que várias pesquisas dentro da neurociência considera que talvez a lateralização tenha sido um dos elementos cruciais na expansão das faculdades mentais que nos tornam humanos. No entanto, um efeito colateral dessa configuração pode ter sido a complexificação das relações entre processamento consciente e inconsciente, por meio da evolução de um módulo, o INTÉRPRETE, cuja missão é unificar nossa experiência subjetiva construindo um roteiro explicativo internamente coerente. A conquista atual do cérebro, construído pela evolução criativa da consciência através dos séculos e séculos, mostra que ele é composto por uma coleção de módulos especializados que foram conquistados resolvendo-se vários problemas complexos que apareceram durante essa evolução. Esse “intérprete” – hemisfério esquerdo – busca explicações sobre as razões pelas quais os eventos ocorrem. Nesse processo, preenchem lacunas construindo narrativas fictícias ao reprimir informações, racionalizar e distorcer os fatos para reduzir a dissonância. Assim, o intérprete produz os mecanismos de autoengano e representações equivocadas da realidade, isto é, cria a sua realidade equivocada. Por essa razão, insisto que há necessidade de um “mergulho” nas memórias implícitas, pois as mesmas podem ter sido construídas com autoenganos e terem sido editadas de maneira a satisfazer a realidade criada ou cocriada. A meditação também se torna uma ferramenta poderosa para compreender os temas que alimentam os significados.

Campos morfogenéticos

A regulação da vida, como analisado no post anterior, é praticamente entregue ao processamento inconsciente, que reflete uma “inteligência” por detrás desses fenômenos do inconsciente. Não podemos insistir no equívoco de reduzir tudo às moléculas como se elas soubessem tudo sobre as circunstâncias da vida. Do meu ciúme, das alegrias, da felicidade, da raiva, do ódio, do rancor e etc. Elas representam os aspectos internos da consciência, considerados sutis. Esses aspectos estão em uma campo de organização e influência também sutis – campos morfogenéticos – que sobrevivem após a cessação do corpo físico. Essa ciência alternativa, por assim dizer, está longe de ser aceita pelos establishment da ciência convencional materialista, mas caminha a passos largos para se estabelecer como um novo paradigma capaz de explicar e possibilitar a modificação e transformação da alma humana (consciência). Caso contrário, observaremos a separação e o dualismo naturalista envolvido nas explicações “milagrosas” da ciência materialista buscando incansavelmente o sutil como resultado das interações e movimentos das moléculas e distanciando cada vez mais a ciência e o ser humano da sua natureza espiritual. As pesquisas científicas são muito importantes, quero deixar isso bem claro. Porém há uma supervalorização do hemisfério cerebral esquerdo e falta uma integração. Onde está localizada a memória? No hipocampo? No córtex parietal inferior? O que há lá de especial capaz de armazenar uma informação por um curto período ou um período maior de tempo? Neurônios? Neurotransmissores? Células da memória? Qual o substrato biológico material envolvido no processo de memória? A teoria do novo inconsciente vem fornecendo uma nova abordagem desses aspectos, apesar de estar longe da compreensão da consciência. Mas já é um início. Como construímos nossos padrões de escolhas? Como construímos nossas memórias que acabam influenciando na forma como percebemos o mundo e até mesmo na forma como adquirimos o conhecimento das coisas? A verdade é que construímos nossas crenças em uma interação dinâmica com o ambiente (que fornecem os estímulos) e, somente depois, realizamos o fortalecimento delas. O Intérprete do hemisfério esquerdo cria as histórias coerentes para manter essas crenças. Temos memórias. Temos percepções. Temos processamento consciente. Temos processamento inconsciente. Temos a vida a disposição! Acreditar na imortalidade da alma talvez seja mais uma crença dentro do sistema de crenças existente. Porém, ela é capaz de causar modificações profundas no comportamento e a transformação necessária para que os valores sejam novamente respeitados nesse Planeta.

Abraços fraternos

Milton

Física Quântica e O Novo Inconsciente


FÍSICA QUÂNTICA E O NOVO INCONSCIENTE
PROCESSAMENTO INCONSCIENTE

A idéia de que somos guiados a nível consciente por um processamento a nível inconsciente tem motivado pesquisas na área das neurociências. Hoje temos oportunidade de estudar a matéria da consciência laboratorialmente através da ressonância magnética funcional, dentre outros. Conseguimos identificar os circuitos e redes neurais envolvidos nas experiências do dia a dia. Antigamente, alguns desses aspectos eram atribuídos ao inconsciente, através das explicações da teoria do inconsciente dinâmico de Freud e que não podia ser verificada pela ciência. Hoje as coisas mudaram. O novo inconsciente torna-se verificável de maneira objetiva e aspectos da psique começam a ser foco de estudos científicos. Ter a oportunidade de associar esses novos conhecimentos com os princípios da física quântica é uma oportunidade ímpar. Sabemos que a realidade de qualquer objeto no Universo está em dois domínios: possibilidades e fato manifesto. Fato manifesto associado ao comportamento de partícula da matéria e ao processamento consciente da consciência. Possibilidades associada ao comportamento de onda da mesma matéria e ao processamento inconsciente da consciência.

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É interessante refletirmos sobre os processamentos consciente e inconsciente. Esse processamento pode ser serial (realizado em série, com uma etapa de cada vez) ou paralelo (com muitas operações ocorrendo simultaneamente). Pesquisadores sugerem que o processamento consciente seja o serial e o inconsciente seja um processamento em paralelo. Outro conceito importante é a chamada memória de trabalho. Temos a capacidade de guardar diversos trechos de informações e mantê-las na mente por um período. Essa memória de trabalho, antigamente chamada de memória de curto prazo, permite que as informações sejam ativadas sobre nossas experiências anteriores (memória de longo prazo). Processos psicológicos subjacentes à memória de trabalho como atenção e raciocínio estão fortemente relacionados. Memória e percepção. Aqui há uma circularidade e ambas são co-dependentes, ou seja, a memória exige percepção e a percepção exige memória. Esse paradoxo só é resolvido com o principio da hierarquia entrelaçada da física quântica onde o verdadeiro poder causal esta fora do sistema: corpos sutis (campos morfogenéticos) e consciência – base de tudo. Se admitirmos que a consciência escolhe simultaneamente e instantaneamente ambas as possibilidades: percepção e memória, esse paradoxo deixa de existir. Vamos adiante em nosso “mergulho” no novo inconsciente.

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Para termos uma opinião sobre uma determinada experiência, mecanismos que relacionam memória de trabalho do córtex pré-frontal com mecanismos inibitórios de outras regiões são utilizados de forma relevante. Se você é questionado sobre uma determinada ponte, por exemplo, o sujeito ativa representações sobre local (córtex parietal), forma (córtex temporal inferior) e cor ( córtex temporal e occipital). É necessário que haja uma inibição de uma série de informações que são ativadas na busca dos dados relevantes, o que demonstra o papel do córtex pré-frontal na filtragem e seleção do material que é utilizado na construção de representações mentais conscientes. Um diálogo entre duas pessoas discutindo sobre suas impressões sobre a constituição de uma ponte poderia ser assim: – A ponte é de concreto!; – Não, a ponte é de ferro! Para se emitir uma opinião, todos os mecanismos anteriores ocorrem para se formar essa opinião sobre a característica da ponte. Complexo? Um pouco. Mas o novo inconsciente assim estuda qualquer experiência humana, principalmente em nossa tomada de decisões.

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Agora, vamos aprofundar um pouco mais com os conceitos da física quântica. Recordando que estamos em um processo criativo de evolução. Fazemos escolhas e dessas escolhas criamos a nossa realidade. Não há um mundo “lá fora” a ser descoberto ou repleto de dados prontos, o universo é co-participativo. Participamos com a nossa capacidade de escolhas. O mundo da matéria fornece as possibilidades. Um elétron, um próton, ou neutron, ou seja, o modelo atômico que temos para representar a realidade concreta tem um comportamento dual. Onda e partícula. Essa dualidade nos fornece a incerteza, a probabilidade e com ela as possibilidades. Um elétron é uma onda de possibilidade. A realidade do elétron possui dois domínios: possibilidade (onda) e fato manifesto (partícula). Nosso cérebro é composto por 100 bilhões de neurônios e uma infinidade de possibilidade de conexões. As células neuronais são constituídas por moléculas que por sua vez são constituídas por átomos que advém das partículas elementares que estão “mergulhadas” em um campo fundamental (Campo do Ponto Zero) que guarda uma interconexão entre todas essas partículas elementares. Essa compreensão é maravilhosa e libertadora. O corpo físico faz representações do sutil. Assim ocorre com o cérebro. Falar do processamento inconsciente faz-nos lembrar dos arquétipos supramental de Jung. Na vida, temos um propósito. Vejamos adiante.

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Essa matéria que constitui nosso cérebro permite a expressão da nossa essência, isto é, da consciência. Já discutimos em outras oportunidades que há campos de organização sutis – campos morfogenéticos – capazes de coordernar e organizar a forma. Assim ocorre também com o nosso cérebro e seus 100 bilhões de neurônios. Esses campos e modelos organizadores da forma estão contidos dentro do nosso corpo vital. O movimento da energia vital dentro desses campos morfogenéticos está sendo simultaneamente criado pela consciência através das escolhas já realizadas durante os evos da evolução. Sim, temos hábitos e condicionamentos. As escolhas são condicionadas. Por enquanto, pois podemos ser criativos e escolher além do condicionamento habitual. Criar o novo, isto é, um novo comportamento resultado do insight da criatividade. O ah-ha criativo! A evolução da consciência é criativa. A criatividade envolve processamento inconsciente. Um processamento em paralelo com várias superposições de possibilidades. A evolução da forma obedeceu a esse critério, isto é, sempre direcionado do simples para o complexo. A evolução obedece a um propósito, ao contrário do que pensam os cientistas materialistas darwinistas e neodarwinistas que colocam que o que somos atualmente é conseqüência da aleatoriedade e acaso. Sobrevivência e necessidade. Únicos critérios da evolução gradual fornecida pela seleção natural. Antes que os críticos de plantão se manifestem, também aceito a idéia da seleção natural quando ela é utilizada para explicar a evolução lenta e gradual. Porém ela é incompleta. Necessita de uma explicação para a evolução rápida e acelerada observada de tempos em tempos. É a lacuna fóssil e descontínua. Complementar a explicação com um novo modelo de organização biológica: os campos morfogenéticos. Os genes necessitam ser informados para que a sua função seja realizada. O ligar e desligar dos genes depende do ambiente e esse ambiente é proporcionado pela consciência e seus campos sutis de influencia: corpo vital, corpo mental e corpo supramental (arquétipos).

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Por que todas essas considerações? Para contribuir com as explicações atuais do novo inconsciente. Os sentimentos são reguladores de alto nível que traduzem em linguagem consciente, todo um iceberg de processamento inconsciente, alimentando a razão superior com substrato fundamental para a formulação de planos e decisões. É como se houvesse níveis de regulação da vida já representados em nosso cérebro. O corpo físico faz representações do sutil. O cérebro faz representações do significado mental dos arquétipos do corpo supramental, pensamentos (corpo mental) e sentimentos (corpo vital). Utiliza-se nesse processo de moléculas neurotransmissoras e receptores específicos para gerar uma verdadeira “explosão” em cada sinapse. O neurotransmissor não é o pensamento, mas o representa. Um campo sutil quântico que mantém tudo interconectado e coerente está em constante transformação. O processo é dinâmico. Tomamos decisões, fazemos planos, emitimos opiniões, executamos diversas tarefas onde estão envolvidos processamento inconsciente. Para que os sentimentos tornem conscientes há uma série de regulação inconsciente que vão desde as respostas metabólicas homeostáticas, reflexos básicos, respostas da imunidade, comportamento de dor e prazer, motivações, emoções sociais, emoções de fundo, emoções primárias até que o sentimento seja representado em uma emoção consciente.

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A cada segundo, milhares de ajustes complexos estão sendo conduzidos com precisão por computação neural totalmente inconsciente envolvida nos processos alostáticos que suportam a regulação do organismo. Para permanecermos vivos é necessário um equilíbrio dinâmico com o ambiente – ajustar temperatura corporal, o nível de glicemia, a oxigenação sanguínea e inúmeros outros parâmetros fisiológicos. O termo homeostase está sendo substituído pelo termo alostase, que é mais fidedigno pois significa a capacidade de manter o equilíbrio mantendo as variações dos padrões corporais dentro de uma faixa ótima. Homeo quer dizer igual e Alos que dizer variação. Respiração, batimentos cardíacos, digestão e movimento peristáltico, liberação de hormônios e neurotransmissores, entre milhares de outras, sem qualquer participação da percepção consciente. Essa enorme quantidade de tarefas elementares à preservação da vida é delegada ao processamento inconsciente, de forma a permitir a ampliação do alcance da mente pelo processamento consciente. Estamos livres para planejar, criar e tomar decisões nunca antes tomada, permitindo cenários alternativos possíveis.

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Mais a frente, continuaremos a conversar sobre o assunto que aparentemente parece complexo, mas que traz muita satisfação e esclarecimento. Estamos em busca da clareza. Resgatamos nosso livre-arbítrio e podemos escolher. Essas escolhas ainda são limitadas por nossos hábitos e condicionamentos, mas estamos caminhando para estar cada vez mais em contato com uma Consciência Cósmica, superior a nossa consciência egóica, onde realmente reside a verdadeira liberdade de escolha.

Abraços fraternos

Milton

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALLEGARO, Marco Montarroyos. O Novo Inconsciente: como a terapia cognitiva e as neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental. Porto Alegre: Artmed, 2011.

GOSWAMI, Amit. Evolução criativa das espécies: uma resposta da nova ciência para as limitações da teoria de Darwin. São Paulo: Aleph, 2009.

HANSON, Rick. O Cérebro de Buda: Neurociência prática para a felicidade. São Paulo: Editora Alaúde, 2012.

O Novo Inconsciente


O NOVO INCONSCIENTE

 

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Vivemos em um momento histórico com relação ao conhecimento do inconsciente. Freud ficaria feliz em estar entre nós. Avanços na neurociência fornecem uma luz extra na questão que sempre intrigou filósofos, dramaturgos, poetas e até mesmo cientistas. O que é o  Inconsciente? O termo inconsciente ainda é muito mal compreendido. Observa-se um paradoxo atualmente, ou seja, a “meta” teoria de Freud é a mais divulgada e estudada no meio acadêmico da área de psicologia e é a menos estudada cientificamente com suas ferramentas de investigação. A “meta” teoria do inconsciente dinâmico de Freud não pode ser verificada cientificamente. Freud não descobriu o inconsciente, talvez o seu grande mérito tenha sido em organizá-lo em uma “metateoria” e sistematizar os aspectos clínicos  dos transtornos psíquicos. Vale ressaltar que o “espírito da época” de Freud era a invenção da máquina a vapor e seus fluidos. O inconsciente dinâmico de sua teoria valeu-se da metáfora dos fluidos e mecanismos das descobertas daquele tempo. Hoje a metáfora é outra e a física quântica complementa aspectos que permitem uma avaliação científica do inconsciente.

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Antes de Freud, muitos já haviam estudado o inconsciente. A noção de que forças subterrâneas, as quais não temos acesso consciente, influenciam o comportamento não é de hoje. Muitos filósofos, dramaturgos e poetas levantaram hipóteses variadas e interessantes. A teoria do inconsciente dinâmico de Freud não podia ser verificável, uma condição essencial considerada pela ciência. Hoje, com vários laboratórios de neurociência, sabe-se que a maior parte do processamento do cérebro é inconsciente e apenas uma pequena parte resumida, editada e nada fidedigna é acessada pelo processamento consciente. O processamento inconsciente é dado pelos milhares e milhares de conexões neurais existentes e possíveis. Cada neurônio é capaz de estabelecer uma comunicação com outros 5000 (cinco mil) neurônios. Temos cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro. O número possível de combinações desses 100 bilhões de neurônios é de 10 elevado a milionésima potência, ou seja, é o número 1 (um) seguido de um milhão de zeros. Um número muito maior que a quantidade de estrelas do Universo manifesto. Temos muitas possibilidades de escolhas de redes neurais para representar as diversas capacidades e diversas potencialidades de expressão da consciência.

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Cabe ressaltar aqui que a consciência – base de tudo – é capaz de escolher o processamento consciente e o processamento inconsciente. Exatamente isso! A criatividade quântica – capacidade da consciência em evoluir – impulsiona a mesma em direção à complexidade. Não podemos confundir o termo consciência – base de tudo – com o processamento consciente. O processamento consciente está incorporado dentro da consciência. Admitimos ser a consciência a essência primeira de tudo. Aquela que é capaz de escolher dentre as possibilidades fornecidas pela matéria. Lembrem-se que a matéria comporta-se como onda de possibilidade e por si só não é capaz de criar a realidade. Há a necessidade de existir algo fora da jurisdição da mecânica quântica para colapsar a função de onda da matéria e esse algo é a consciência.

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Vamos utilizar uma metáfora bem difundida hoje em dia para compreender as dimensões do processamento consciente e do processamento inconsciente. Se considerarmos a mente como sendo um iceberg, a mente consciente e seu processamento representa a superfície fora da água desse iceberg. Capacidade de raciocínio, percepção, resolver problemas de lógica, ler um livro é a capacidade do processamento consciente. Esse processamento consciente é cerca de 200 mil vezes menor que o processamento inconsciente representado pelo restante submerso do iceberg como todos os nossos medos, sistema de crenças, desejos, recalcamentos, autoenganos, autosabotagens, automatismo, etc. Uma enorme capacidade de processar informações, cerca de 11 milhões de bits a cada segundo – abaixo da percepção consciente – capaz de coordenar e influenciar o comportamento, quando comparado com os 50 bits de informações por segundo do processamento consciente. Percebemos o mundo conforme nossos “filtros”. Raciocinamos e decidimos conforme esse processamento inconsciente. São essas as forças subterraneas que coordenam o comportamento. Precisamos e necessitamos conhecê-lo. O processamento inconsciente à luz da neurociência é o novo inconsciente.

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O cérebro é um importante ponto nodal e estamos compreendendo aspectos que compõe a sua realidade. A física quântica fornece novas metáforas e permite integrar dentro da consciência plena esses aspectos agora desvendados pela neurociência. É lamentável que o grande objetivo da ciência materialista ainda permaneça ancorado na causação ascendente, isto é, tenta-se explicar a consciência como um subproduto ou epifenômeno do funcionamento do cérebro.Mas isso não tem problema. Estamos na dinâmica da mudança e aos poucos será vivenciado e estudado de uma forma diferente e haverá uma integração entre ciência e espiritualidade. A consciência escolhe o objeto a ser medido simultaneamente com suas redes neurais ou circuitos neurais que o representam. É a mensuração quântica no cérebro. É a medida de percepção do estímulo que envolve os objetos externos. É a cisão entre sujeito e objeto verificada a cada instante, a cada piscar de olhos. É a maneira como nós percebemos o mundo. O estímulo percorre um aparato de percepção capaz de processar do micro ao macro, isto é, as onda de possibilidades quânticas tornam-se mais lentas a medida que o fenômeno da percepção do estímulo percorre o aparato de percepção das partículas elementares ao átomo e desse às moléculas. Nesse processo, eventos quânticos com certeza estão envolvidos. Observamos e constatamos uma separação entre o sujeito que percebe e o objeto percebido. No processamento consciente ocorre a cisão sujeito e objeto. No processamento inconsciente não há cisão sujeito e objeto, mas há processamento. Isso agora corroborado por uma infinidade de laboratórios de neurociência. É dessa maneira que criamos a realidade, com cerca de 10 milhões de bits de informações por segundo fornecido somente pela visão. A visão é a grande representante do processamento inconsciente.

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A quantidade de bits de informações que chegam até o cérebro proveniente do corpo é enorme. Como vimos anteriormente são cerda de 11 milhões de bits por segundo. A mente consciente não conseguiria tomar decisões se fosse necessário o processamento consciente simultâneo dessa gama de informações que chegam ao cérebro. O processamento inconsciente é necessário e foi conquistado durante os evos da evolução da consciência. Nele está talvez o segredo que deveremos desvendar para o autoconhecimento. Nele está talvez o segredo que teremos que aceitar nos processos de autoengano. Nele está o segredo das nossas mentiras. Nele está o segredo da nossa honestidade e da desonestidade. Nele está o segredo dos sentimentos e das emoções. Nele está o segredo da representação que fazemos dos aspectos sutis de cada um de nós. Talvez, daqui a alguns anos, não seja mais segredo que conheceremos nossas projeções durante os relacionamentos amorosos e não amorosos. Durante as diversas experiências que compartilhamos durante as 24 horas do dia. Entenderemos a sabotagem que realizamos na percepção consciente baseada no sistema de crenças inconsciente. Entenderemos e propiciaremos uma terapêutica adequada baseada nesses conhecimentos emergentes. Criaremos uma nova realidade. Uma realidade mais feliz. Uma realidade mais sábia. Uma realidade mais repleta de gratidão. Uma realidade onde o perdão já está no passado, ou seja, já perdoamos e no final constatamos que mal nenhum ocorreu. Uma realidade onde haja o amor incondicional. Uma realidade onde aprendemos a criar os circuitos de neurônios que representam esses aspectos da consciência que ainda ainda não são instintivos.

Esse ano de 2013 será um ano próspero. Daremos continuidade a vários artigos integrando ciência e espiritualidade. Saberemos que o conhecimento verdadeiro é o autoconhecimento.

Abraços fraternos

Milton

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALLEGARO, Marco Montarroyos. O Novo Inconsciente: como a terapia cognitiva e as neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental. Porto Alegre: Artmed, 2011.

GOSWAMI, Amit. Evolução criativa das espécies: uma resposta da nova ciência para as limitações da teoria de Darwin. São Paulo: Aleph, 2009.

HANSON, Rick. O Cérebro de Buda: Neurociência prática para a felicidade. São Paulo: Editora Alaúde, 2012.