Transformar a nós mesmos e o mundo com as idéias da física quântica.

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Visão mental


Visão Mental

Atenção plena

Cérebro trino

Felicidade e bem-estar

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No post anterior, conseguimos definir a mente como um processo relacional regulatório do fluxo de energia e informações. Mente/Cérebro/Relacionamentos. Esse tripé é a chave para entendermos o que vem a ser bem-estar. Saúde mental e felicidade. Será que esse binômio guarda alguma interconexão? Acredito que sim. O problema é considerar a seguinte hipótese como verdadeira: Nascemos para sermos felizes? O que é essa tal felicidade? É um estado de graça? É um êxtase? É um estado emocional? É saúde? É o funcionamento apropriado do corpo físico? É o funcionamento equilibrado dos corpos sutis? O que é a felicidade? É um estado da “alma”? Estamos todos em algum tipo de relacionamento. Não há como permanecer no isolamento por muito tempo sem perder o senso da saúde mental. Precisamos uns dos outros. Nós somos observadores uns dos outros. A mente é real! Porém não há necessidade de nos identificarmos com a mente. Somos, sem dúvidas, muito mais que a mente. temos, sim, que “aprender” a utilizar esse “instrumento” poderoso. Sem ela, seria impossível estabelecer algum tipo de “percepção” do outro. O outro existe em minha percepção. Podemos ir além. Consigo perceber o outro e identificar o seu estado emocional. Consigo perceber o outro e sentir que ele está me sentindo. “Sentir-se sentido”. Essa seja talvez uma das características mais humanas que possuímos: a capacidade de sentir que estamos sendo sentidos. Isso é fundamental para a saúde mental e também para a felicidade. Mente/cérebro/Relacionamentos. Esse triângulo é a base do bem-estar. Mente e cérebro formam uma ligação íntima e inseparável. Temos bilhões de neurônios que fazem representações de nossas intuições, pensamentos e sentimentos. Se pudéssemos ouvir o som dos disparos dos neurônios quando estão realizando a representação de um pensamento, como seria? Qual sinfonia eles tocariam? Quais arranjos são necessários para que um significado apareça? Quais acordes são realizados para que uma emoção seja manifestada? É importante desenvolvermos um certo raciocínio sobre esses aspectos, porém não há necessidade de estabelecer  nenhuma identificação com qualquer pensamento ou com qualquer sentimento. Somos muito mais que aquilo que  pensamos e sentimos. Essa “identificação” com a mente é a origem do sofrimento!

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A todo instante estamos realizando um verdadeiro “mapeamento” do outro e de nós próprios. Em qualquer relacionamento essa capacidade de “mapear” a si mesmo e o outro, ou seja, criar uma “imagem” que represente a si próprio e o outro, é a base da visão mental. Durante qualquer experiência que envolva relações interpessoais a visão mental está presente fazendo um levantamento das informações e energia do próprio corpo e simultaneamente realizando um outro levantamento das informações e energia do outro. Há uma espécie de “ressonância” mediada pelas emoções que podem ser compartilhadas de forma não verbal e que são fundamentais para a “percepção” do outro. É como se cada um de nós, como observadores, fossemos cocriadores uns dos outros. Somos sujeito e objeto simultaneamente em qualquer relacionamento. A emoção/sentimento “permeia” essa observação simultânea e consegue-se criar um mapa de “nós” em cada relacionamento. Essa ressonância ocorre em um relacionamento entre mãe e filho(a), entre namorados, entre amantes, entre amigos, entre membros de um grupo, entre grupos, entre comunidades, entre sociedades, entre cidades, entre países, entre… todos. Imagine por um instante se perdessemos a capacidade de sentir que somos sentidos. O que aconteceria? Indiferença? Frieza? Mecanicidade dos movimentos? Incapacidade de criar um mapa do outro? Exatamente isso. Estamos todos interconectados por uma realidade fundamental. Se somos infelizes, é porque tem algo em nossa consciência que não está integrado. Há alguma fragmentação da nossa essência que merece uma atenção especial. Aspectos de nossa mente subconsciente estarão presentes nesses “mapeamentos” e diante do fenômeno de ressonância corre-se o risco de projetar esses aspectos subconscientes como sendo do outro e, de repente, os outros tem raiva, tem ódio, tem diversas mazelas e , eu não. O problema está com os outros, não comigo! Como estamos buscando a felicidade? A felicidade interior não está no exterior. O problema real é que estamos constantemente nos identificando com esse oceano interno de pensamentos, crenças, sentimentos, medos, tristezas, desejos, anseios, frustrações e etc. Atribuímos um valor, um significado, uma energia e essa informação torna-se um “sofrimento” e , ainda mais, identifico-me com esse sofrimento. Somos muito mais que isso! A essência sempre presente em cada momento, em cada aqui e agora, é capaz de “nomear e dominar” cada “elemento” desse “oceano interno” que chamamos de mente. Temos que exercitar o poder da visão mental e, não, criarmos mais identificação com seus “elementos”. Isso gera sofrimento e como consequência a infelicidade. Estamos e permanecemos afastados da essência divina presente dentro de cada um de nós. Imagine como seria cada relacionamento se estivéssemos constantemente em íntima relação com a essência divina dentro de cada um de nós? Se pudéssemos realizar nossas escolhas em “sintonia” com essa frequência divina, encontraríamos todas as chaves que levam para a felicidade. A felicidade está nessa essência. E essa essência está dentro de nós. Portanto…

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A consciência no ato da observação divide-se em sujeito e objeto. Surge a autoreferência em uma causalidade de hierarquia entrelaçada. Há uma identificação da consciência (sujeito) com o cérebro. Com essa identificação podemos criar representações de qualquer aspecto sutil (Intuições, pensamentos, sentimentos). O cérebro faz representações. Ao longo de toda a evolução, a consciência de forma criativa foi aumentando sua complexidade – expressões internas e particulares – a medida que o cérebro também aumentou sua complexidade com “aquisições” de mais áreas e regiões – complexidade da forma. Dessa maneira pesquisadores conseguiram identificar a presença de três cérebros dentro de um único cérebro – cérebro trino. Assim, nosso cérebro reptiliano – tronco encefálico – é responsável pelas representações mais primitivas relacionadas a sobrevivência propriamente dita. Fome e sede e a saciedade das mesmas.  Instinto de reprodução e a saciedade sexual. Áreas e regiões com agrupamento de vários neurônios que “codificam” a representação dessas funções biológicas. Com o aumento da complexidade da forma, novas e mais complexas expressões internas da consciência podem ser representadas. A próxima conquista evolutiva foi o cérebro mamífero – cérebro límbico – responsável pela representação dos sentimentos e centros coordenadores das emoções. O cérebro emocional foi uma conquista criativa da consciência para prosseguir em sua evolução. Medo. raiva, ódio e outras emoções negativas foram necessárias nos primórdios da evolução para que padrões de disparos neuronais fossem criados para garantir a sobrevivência. Afinal um pequeno barulho na mata pode significar apenas um movimento do vento ou o movimento de algum predador. Na dúvida, é melhor fugir, senão… é o fim. O córtex cerebral é a aquisição mais recente com funções intelectivas nobres sendo a região pré-frontal a última aquisição evolutiva que permite a tomada de decisões baseadas na razão. Esses três cérebros desenvolvem uma ação conjunta e simultânea e o córtex pré-frontal é responsável por regular o fluxo de energia e informações provenientes do cérebro reptiliano e límbico. O cérebro reptiliano e o límbico enviam constantes informações e energia para todas as áreas superiores (córtex cerebral e córtex pré-frontal) mantendo essas áreas “alertas”, isto é, excitadas.  Já o córtex cerebral consegue enviar energia e informações para as regiões hierarquicamente inferiores (cérebro límbico e reptiliano) com função inibitória dessas regiões.

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Hoje em dia sabe-se que a meditação “fortalece” a região pré-frontal. Quando focamos a atenção na nossa essência, em nosso verdadeiro “eu”, a capacidade de permanecer equânime, em paz, com senso de compaixão, assertivo, mesmo em “situações” estressantes traz a possibilidade de atingir o tão desejado estado de felicidade. Pois nesse estado de atenção plena não há nenhuma identificação com a mente e com nenhum de seus “elementos”. Observa-se que o “tempo” torna-se “atemporal”. Percebe-se os “espaços” entre os pensamentos e sentimentos. Uma sensação inexplicável de paz, plenitude e presença surgem e há um contato com a essência divina. Para que isso possa ter oportunidade de ocorrer é necessário o desenvolvimento dessa atenção plena. Quanto mais tempo permanecermos “centrados” como observadores do oceano interno das percepções (Intuições, pensamentos e sentimentos) em uma atitude apenas de identificação dessas energias e informações liberando-as em seguida, conseguiremos atingir um estado de graça e êxtase que pode ser traduzido em felicidade. Nossos relacionamentos serão mais saudáveis. As escolhas serão mais coerentes, pois conseguiremos estar cada vez mais conscientes das escolhas, não permitindo que a energia e informação do cérebro límbico invada e “inunde” o córtex cerebral, impedindo-o de exercer a sua nobre função de discernimento. A meditação da atenção plena é um instrumento poderoso capaz de  proporcionar uma integração entre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito e também proporcionar uma integração entre os três andares  do cérebro trino. Podemos presenciar qualquer situação da experiência diária e não ser “dominado” por essas situações e, sim, dominarmos cada situação. Pessoas felizes que vivenciam situações difíceis encaram essas situações como oportunidades, já as pessoas infelizes visualizam problemas. Desenvolver e aprimorar nossa capacidade de visão mental proporcionará uma certa habilidade e capacidade de “nomear e dominar” qualquer situação do dia a dia. Com essa atitude de presença constante com atenção plena em nosso “eu” verdadeiro não haverá identificação do EGO com as armadilhas da mente. A visão mental é um instrumento para adquirirmos bem-estar e felicidade. Não o contrário! É uma oportunidade de conhecer as nós mesmos durante nossas ações. “Conheça a ti mesmo”.

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A visão mental é isso! Ela pode ser ampliada com a atenção plena. As ações serão mais coerentes e cônscias. Integração. Perceber o fluxo da consciência. Mapear a si próprio e ao outro criando um mapa de “nós”. Sentir que estamos sendo sentidos. Sentir que podemos sentir os outros. Empatia é isso. Aumentando a capacidade da visão mental, ampliaremos a “mente” e a capacidade de regular, durante uma relação, o fluxo de energia e informação sem identificação e sem sofrimento. Que possamos então despertar e ampliar a consciência para que a felicidade seja um estado em que possamos realizar nossas escolhas. Vale lembrar que não basta ler sobre a atenção plena, ela não virá sem uma certa pratica. Focar a atenção durante cinco minutos diários em nosso “eu” verdadeiro, na respiração, no ir e vir suave da respiração, percebendo e nomeando cada sensação, cada emoção, cada pensamento que possa surgir durante esses cinco minutos, sem julgamento, apenas nomeando e liberando trará uma sensação de bem-estar e felicidade.  Caso você perceba que um pensamento o levou para algum lugar, sem problemas, honre a sua meditação e retorne a atenção para o seu verdadeiro “eu”. Em pouco tempo você experimentará que a convivência com você mesmo poderá ser agradável. A felicidade está ai, junto com a essência divina que permeia cada um de nós.

Abraços fraternos

Milton

A mente é real!


A MENTE É REAL

 

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Ao longo dos últimos anos a ciência se abriu para examinar a natureza da vida. Podemos afirmar sem ressalvas que a “mente”, embora não seja visível, é, inequivocamente, “real”. A medicina já tem se aventurado a inserir em seus programas curriculares noções de empatia e redução do stress em estudantes de medicina e enfatizado a importância de ver o paciente como pessoa. Pode-se ir mais além, mas já é, sem dúvida, um início. Desenvolver um currículo mais abrangente e focado no “interior” poderia ser uma avanço para áreas como psiquiatria, pediatria e a própria psicologia dentro da medicina. Precisamos perceber que todos nós temos um “oceano” interno com intuições, pensamentos, sentimentos, memória, apego, narrativas e etc. Esse oceano interno com todos esses aspectos formam o que chamamos de “mente”. Mas o que é realmente a mente? Será que poderíamos dar uma definição para que as várias áreas do saber pudessem dialogar de maneira objetiva sobre o termo “mente”? É estranho perceber como a visão que cada uma dessas áreas do saber possuem sobre a mente é por demais divergente. Cada disciplina tem sua própria maneira de ver a realidade da mente. Se reunirmos linguistas, engenheiros da computação, geneticistas, matemáticos, neurocientistas, sociólogos, psicólogos do desenvolvimento e experimentais, perceberemos que cada qual enxerga e compreende a natureza do cérebro com sendo de alguma forma relacionada com a natureza subjetiva da mente.

 

Concorda-se facilmente que o cérebro é composto por um conjunto de neurônios protegidos pelo crânio e interconectados com o resto do corpo, porém não há uma visão compartilhada da mente e nenhum vocabulário para discuti-la. Um engenheiro da computação se refere a mente como “um sistema operacional”. Um neurobiólogo diz que ” a mente é apenas a atividade cerebral”. Um antropólogo fala sobre “um processo social compartilhado que atravessa gerações”. Um psicólogo diz que a “mente são nossos pensamentos e sentimentos”. E assim por diante. Essa divergência não ajuda em um entendimento integral podendo levar a desentendimentos entre as diversas disciplinas e corre-se  o risco de não haver avanço. Como poderíamos definir a mente de maneira funcional que estabelecesse um ponto de partida para futuros diálogos? Eis a proposta: “A mente humana é um processo relacional e incorporado que regula o fluxo de energia e informações”. É isso! Essa definição é compatível com as abordagens de todas as disciplinas. A mente é real e ignorá-la não a faz desaparecer. Definir a mente possibilita compartilhar uma linguagem comum sobre a natureza interna de nossas vidas e possibilita para os profissionais da psicoterapia, medicina e educação acesso a essa linguagem comum. Vamos aprofundar em cada aspecto dessa definição.

 

A mente envolve um fluxo de energia e informações. Energia é a capacidade de realizar uma ação – seja ela mexer os membros ou pensar. Energia pode ser compreendida de diversas formas, mas essa “capacidade essencial de fazer algo” permanece a mesma. Utilizamos “energia” neurológica quando pensamos, falamos, ouvimos e lemos. A informação é tudo que simboliza algo diferente de si mesmo. As palavras que você lê ou ouve são ‘pacotes’ de informação. Os rabiscos na página não são os significados das palavras, e as que você ouve são apenas ondas de som movendo moléculas de ar em determinada frequência. O significado está na mente. Energia e informação andam de mãos dadas no movimento de nossas mentes. Somos capazes de fazer representações no físico para transmitir essa noção de informação. Nossa capacidade de “representar” uma reação emocional para nós mesmos, de dar-lhe um nome e um significado. Não somos máquinas! Máquinas não processam significados. Interação material não processa significado e coisas do tipo. Saber que nossas mentes regulam o fluxo tanto de energia quanto de informação nos capacita a sentir a realidade dessas duas formas de experiência mental e, depois, a agir sobre elas em ver de nos perdermos nelas. A mente, a todo instante, cria novos padrões de fluxo de energia e informação, os quais continuamos a monitorar e a modificar. Esse processo é a essência de nossa experiência de vida subjetiva.

 

A mente também é um processo regulatório. Pensemos no ato de dirigir. Se você tem as mãos no volante, mas os olhos estão fechados (ou focado em uma mensagem de texto), você pode fazer o carro se movimentar, mas não está dirigindo-o – uma vez que dirigir significa regular o movimento do veículo, ou seu fluxo, pelo tempo. Se você tem os olhos abertos, mas está sentado no banco de trás, pode monitorar o movimento dele (e fazer comentários, como alguém que conheço), mas não poderá movê-lo de fato. O que está sendo monitorado e depois modificado pela mente? Trata-se do fluxo de energia e informação. A mente “observa” o fluxo de energia e informação e depois molda as características, os padrões e direção dele. Cada um de nós possui uma mente única: intuições, pensamentos, sentimentos, percepções, memórias, crenças e atitudes singulares, em um conjunto regulatório de padrões também únicos. Podemos aprender a moldar esses padrões, a alterar nossa mente e como consequência o cérebro, ao ver, em primeiro lugar, a mente com clareza.

 

A mente é incorporada. Isso significa que o fluxo de energia e informação acontece, em parte, no corpo. A relação entre mente e cérebro torna-se óbvia. Porém não podemos passar uma navalha no pescoço e separar o cérebro do restante do corpo. Temos cérebros no coração, no intestino e etc. Finalmente, a mente é um processo relacional. A energia e a informação fluem entre as pessoas e são monitoradas e modificadas nessa troca compartilhada. Isso acontece agora mesmo entre você e eu, através da minha escrita e da sua leitura. Esses pacotes de energia saem da minha mente e agora entram na sua. Se estivéssemos juntos em uma sala esses “sinais” poderiam ser trocados de outra forma seja no domínio verbal ou não verbal. Os relacionamentos são a forma como compartilhamos o fluxo de energia e informação, e é esse compartilhamento que molda, em parte, com o fluxo que é regulado. Nossa mente é criada dentro de relacionamentos, incluindo o relacionamento conosco mesmos. Podemos perceber e sentir os outros. Temos a capacidade de ressonância por possuir circuitos cerebrais que realizam essa função. “Sentir sentidos” e sentir os outros é a base para realizarmos um aprofundamento sobre nossa própria mente. Muitos dos distúrbios atuais advém dessa incapacidade de se sentir sentido ou de sentir os outros. Depressão, bipolaridade, transtornos diversos do humor, explosões emocionais e até mesmo transtornos biológicos podem ser abordados sob uma visão de mente cuja definição aqui explicamos. Ver a mente como epifenômeno não ajuda muito. Dar a mente o valor que lhe é de direito permite um inicio de quebra de paradigma da separação. Temos a ressonância mutua dos relacionamentos e os princípios quânticos que sustentam a prática. É isso!

 

A mente é um processo que  regula o fluxo de energia e informação. Sob  essa perspectiva cria-se uma oportunidade para explorarmos outras dimensões de nossa mente incorporada e relacional e o que significa ser humano. A física quântica permite essa expansão da consciência quando utilizamos seus princípios e passamos a pensar quanticamente. Estamos diante de uma oportunidade única para mudar paradigma. Que possamos neste momento, partirmos para a prática desses princípios e construirmos uma sociedade melhor. “Mentes que se relacionam e regulam o fluxo de energia e informação”. De forma alguma estamos separados. Na verdade, há uma interconexão entre todos. A “substância” da “matéria” do grosseiro (externo) é a mesma da “matéria” sutil (interna), isto é, do oceano interno, ou melhor, da mente. Temos muito em que trabalhar. Em todas as áreas. Vamos adiante! É isso!

 

Abraços fraternos

 

Milton

 

Reflexões


REFLEXÕES

Apenas reflexões

 

 

 

O que pensar de tudo isso? Qual o propósito da vida? O que são os pensamentos? O que são os sentimentos? De que substância é feito o cosmos? De que substância é feito o pensamento e o sentimento? São diferentes os substratos que compõem o cosmo e os pensamentos, por exemplo? A separação aparente entre o universo “lá fora” e o universo “aqui dentro” nos trouxe em um ponto de mutação, em um ponto de transição. Para seguirmos em frente na dinâmica da evolução e apresentarmos soluções eficazes para a complexidade que o avanço cerebral esquerdo trouxe para a sociedade, baseada nas “verdades” do cientificismo, precisamos parar e repensar nossos valores. Somos felizes? Fazemos aquilo que amamos? Confiamos em nossas escolhas? Acredito na minha potencialidade de realização? Preciso apenas calcular e utilizar da lógica e razão, exclusivamente, para encontrar as soluções dos problemas cotidianos? Meu cérebro, como ele lida com a complexidade? Vivemos os relacionamentos, sejam os amorosos, sejam o filiais, sejam de qual natureza forem, nos observando como seres separados! De onde vem essa separação? Da religião? Da ciência? De ambos? Talvez de ambos. Reduzir tudo para a simplicidade da matéria não ajudou muito. Reduzir tudo para um Deus que também fica separado de suas criaturas, também não ajudou muito. Estamos em um ponto de transição. Continuamos preocupados em ganhar dinheiro para a sobrevivência. Continuamos matriculando nossos filhos em escolas que ensinam a separação cada vez mais. Continuamos estudando em faculdades que eliminaram a “mente” do seu currículo. Continuamos formando cientistas que vão a missa no final de semana (afinal, o Deus pode ser um Deus bondoso) e fazendo bomba atômica durante a semana. Ainda observamos fundamentalistas que matam e se matam em nome da vida eterna. Ainda observamos a identificação da “posse” (O que tenho é mais importante do que eu sou) como status social. Ainda observamos assassinatos todos os dias. Vidas retiradas sem qualquer sentimento de arrependimento. Ainda observamos pessoas com processos degenerativos graves. Ainda observamos pessoas com distúrbio de humor que vai do caos (psicose) a rigidez (depressão) mental. Ainda observamos sofrimento. E muito! Essa, concordando com Buda, é realmente uma grande verdade. O sofrimento existe.

 

O que pensar de tudo isso? Qual o propósito da vida? Por que ainda almejamos a felicidade? Que sentimento é esse que parece estar presente em todos os tempos da humanidade e parece, as vezes, tão fulgaz? Queremos a felicidade, queremos a sabedoria, queremos o conhecimento. Observa-se um fenômeno interessante: conhecimento e ignorância caminham lado a lado. Quanto mais conhecimento possuímos,  mais ignorância nos acompanha. Conhecer, Saber e Amar deveriam caminhar juntas em ações simultâneas. Mente e Cérebro foram separados há 400 anos e, desde então,  estamos sofrendo uma espécie de “esquizofrenia” coletiva. Uma verdadeira “doença” que separou a res extensa da res cogitans. Uma lacuna foi criada. Um paradigma separatista entre aspectos internos e externos foi criado que impregnou de uma tal forma toda uma civilização (em todas as áreas do saber) que nos encontramos agora em um ponto de mutação e transição. Reduziu-se tudo a matéria e sua correlata energia. Valores foram negligenciados, pois só há interação material e interação material, e até mesmo interação de energia não processam valores. Verdade, Amor, Justiça, Abundância, Beleza… são valores esquecidos. Separaram Mente e todo o seu oceano interno de pensamentos, sentimentos, intuições, valores e etc, do corpo com seus mecanismos biológicos reduzindo tudo a movimento de moléculas e átomos. Quanto atraso!!! Essa filosofia da bifurcação ou do dualismo impôs um dívida grande para toda uma civilização. A metodologia científica parte de premissas ilegítimas em sua base e necessita de revisão urgente daqueles que abraçam o trabalho diário da experiência prática. Produzem tecnologia e tecnologia para que os simples cérebros mortais se virem para saber utilizar tanta inutilidade. Aumentam a complexidade diante de um desenvolvimento intelectual sem um propósito aparente e negligenciam o sentimento por achar que é inapropriado para um cientista estudar o que é o tal do sentimento. Não conseguem encontrar respostas objetivas a perguntas tais: Como medir o sentimento? Como pesar o sentimento? Como encontrar a densidade do sentimento? Como encontrar a velocidade e a posição do sentimento? Como medir a cor? Como achar o momento angular da cor? Qual é a cor da teoria das cores? Separamos os aspectos internos dos aspectos externos objetivos e estamos pagando o preço por isso. Afastamos a possibilidade da ciência de estudar e pesquisar, em pé de igualdade, ambos os aspectos buscando uma verdadeira integração, para o bem da saúde de toda a humanidade.

 

As premissas da ciência e toda a sua metodologia atual está baseada em uma ilegitimidade: a separação entre “mente” que não tem extensão e o “corpo” que tem extensão. Uma separação entre objetos externos, uma mundo “lá fora” onde a ciência se incumbiu de desvendar seus mistérios e um mundo “aqui dentro” que a religião e a psicologia se incumbiram de estudá-lo. Quem disse que deve ser assim? Quem é o distribuidor de verdades absolutas? A ciência? Atualmente sim. A religião? Já teve época que sim. Essa distorção é a base da separação. Vivemos sob significados nutridos por contextos errados e equivocados do paradigma atual da matéria e energia como a base de tudo. A educação, a filosofia pós-modernista do pessimismo e do ceticismo, a justiça, a medicina principalmente, a biologia, as próprias religiões, a antropologia, a sociologia, ou seja, qualquer área do saber hoje baseia seus significados em um contexto paradigmático baseado na premissa ilegítima da separação de Descartes. Porém, há uma janela que se abre em busca de uma solução para problemas tão complexos em nossa sociedade hodierna. A própria ciência encontrou o horizonte de eventos. Na busca eterna para tentar responder as perguntas inquietantes chegaram no âmago da matéria. Não há matéria. quanto mais tentavam encontrar a matéria, menos matéria encontravam. Acharam as possiiblidades. Isso é fato! Acharam um mundo de Potentia! Isso é fato! Outro fato inegável é que aquilo que percebemos no mundo externo, os objetos corpóreos são possuidores de atributos que podem ser medidos e de atributos que não podem ser medidos. Massa e cor, por exemplo. Podemos medir a massa e não podemos medir a cor. Podemos encontrar o objeto que possui a massa no campo externo. Podemos encontrar a cor que pertence ao objeto somente no campo interno, a mente. Olha o início da distorção de René Descartes. Tirou a cor, tirou o aroma, tirou o sabor. Ficou a massa que a ciência consegue medir e exorcizou ou tenta exorcizar o observador, a consciência de quem observa. O sujeito da ação percebida. A distorção grave se encontra aqui. Que tenham olhos aqueles que querem ver. Caso contrário continuem ocos e sem criatividade aqueles que permanecem na obscuridade da visão interna. Terão sua chance sempre. O Deus é bondoso.

 

Quando solucionamos o paradoxo da separação, admitindo que a consciência é a base de tudo e escolhe dentre as possibilidades da matéria, seja interna (mente), seja externa (corpo-cérebro) tem-se o respaldo de um grande número de cientistas sérios e experimentos que levam a essa conclusão inevitável. O enigma do colapso do vetor de estado não pode ser solucionado dentro da própria física quântica. O instrumento matemático consegue inequivocamente calcular as probabilidades e nada mais. Eu disse nada mais. A solução está no ato psíquico da observação e na filosofia idealista monista que admite ser a consciência a base de tudo. Deus é tudo. Temos uma consciência que escolhe. Temos uma consciência com livre-arbítrio, até mesmo os cientistas que não acreditam ou não enxergaram essa solução também a possuem. Ela traduz um conhecimento milenar de saberias tradicionais que valorizam os valores. A consciência consegue processar valores, pois consegue amar, consegue representar a justiça em seu comportamento, consegue representar a abundância no seu dia a dia, consegue representar o significado do belo em sua vida, consegue amar o próximo e amar aos inimigos, consegue sempre processar valores que não são jamais movimentos de moléculas dentro do cérebro. Visão pequena quem acha dessa forma e não enxerga a necessidade de uma transformação pessoal e mergulham no negativismo sem solução. Alimentam distúrbios diversos por falta de propósitos na vida. Adoecem o seu corpo e são tratados sem a valorização da mente e todo o seu oceano de pensamentos e sentimentos. Tratam o corpo e esquecem do espírito.

 

A “doença” do paradigma cartesiano contamina a todos pela percepção da separação e, mesmo no universo universitário esse paradigma ainda reina, porém as mudanças já acontecem e merecem a exposição dos dois lados para que cada consciência consiga escolher, baseadas nas crenças que alimentam. A física quântica chega na elegante conclusão de que quem realmente causa o colapso do vetor de estado é a consciência. A causalidade vertical ou causação descendente é fato hoje estudado e experimentado por físicos fundamentais importantes e resgatam os valores tradicionais espiritualistas. Essa é a integração desejada. A premissa da separação cartesiana já são favas contadas.

Precisamos despertar consciências para que novos significados sejam fornecidos e a criatividade seja valorizada a cada instante. Criatividade biológica, criatividade externa da ciência, criatividade interna em forma de um novo comportamento que seja capaz de incluir sempre. Colocar vinho novo em vaso antigo não ajuda muito. Esse blog existe e nasceu de um despertar que insisto é pessoal e intransferível. Esses artigos são frutos não só de um estudo intelectual, mas que também valorizam o sentimento. Razão e Sentimento. Ambos necessitam de uma educação. Coloco sempre em meus textos essa necessidade. A argumentação é forte e a experiência de quem age baseado na premissa da integração traz para sua vida propósito, saúde, valores, pensamentos sadios, sentimentos positivos, gratidão, fé, esperança, bondade e amor. Aqueles que querem e desejam pelo livre arbítrio, permanecer no atoleiro da inferioridade que assim o façam. Mas, tenham certeza, se há um determinismo nesse Universo ele é o AMOR que o Criador tem pelas suas criaturas e haja o que houver Ele estará sempre lá fornecendo novas possibilidades e oportunidades.

 

Abraços sempre fraternos

 

 

Milton

Separação sujeito-objeto


CISÃO SUJEITO-OBJETO

A REALIDADE DA CONSCIÊNCIA CÓSMICA

Quem é o sujeito e quem é o objeto da percepção sensitiva?

 

 

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Vocês já pararam para se perguntar o porquê que em cada medida que fazemos no ato da observação, a maneira como a “forma” de um objeto aparece na tela mental durante a percepção, surgem sempre dois “entes” , simultaneamente, de maneira inexorável: o sujeito que percebe e o objeto que é percebido!? É simplesmente fascinante esse fenômeno! Além de “surgir” dentro de um sistema de codependência, isto é, o sujeito torna real o objeto e o objeto torna existente o sujeito, surge também outra característica que é o fato de o objeto sempre aparecer externo – “fora” – da minha percepção. Ele se torna um objeto externo e “separado” da “representação mental que faço desse objeto. Subjacente ao ato da percepção algumas atividades internas correlacionadas estão ocorrendo. Um  “disparo” de vários neurônios que lançam seus quadrilhões de neurotransmissores nas milhares e milhares de sinapses (conexões entre neurônios). A quantidade de conexões que cada neurônio pode fazer chega a uma contagem aproximada de 10 elevado a milionésima potência (um número enorme). Para que o cérebro entenda o que está acontecendo no seu “exterior” é necessária uma verdadeira “linguagem” cerebral. Essa linguagem específica do cérebro chama-se potencial de ação. O potencial de ação é produzido pela “entrada” de sinais eletromagnéticos pela retina (luz refletida pelo objeto que excita células especializadas no olho humano). A mágica da realidade externa ocorre a cada abrir e fechar de olhos. Pois bem. Esses sinais levam a informação para regiões cerebrais cujos neurônios disparam seus neurotransmissores. Depois desse “disparo”, os neurotransmissores são prontamente reabsorvidos pelo sistema biológico. Pergunta importante nesse momento: O que fica então depois que os neurotransmissores saem da cena biológica no momento da percepção do objeto? Fica a memória desse objeto. Fica a “sequência” e os “padrões” de disparos simultâneos formando uma verdadeira rede de conexão que sempre que “lembrarmos” do objeto em questão ele estará lá, em nossa “tela” mental como uma representação do objeto. O cérebro não diferencia realidade de imaginação! Pensem no objeto da percepção e a mesma rede de conexão se fará presente.

 

Voltaremos a esse tema mais adiante tentando entender o sujeito da percepção. Por agora vamos retomar o raciocínio do objeto externo da percepção. Os objetos externos, no momento da percepção, são ditos objetos corpóreos, objetos grosseiros feito de alguma “substância”. Qual substância? Qual “bloco” concreto estará ali presente no objeto corpóreo que existe “para nós” e que são especificados através da percepção sensitiva. Essa é a grande questão!!! Quando aprofundamos o estudo dos componentes internos dos objetos corpóreos (externos) começamos a “criar” um outro tipo de universo, um outro tipo de mundo, um outro tipo de objeto que é percebido ou especificado apenas pela medição científica. Entre em cena o modus operandi da ciência e todo o seu arsenal de instrumentação que literalmente cria um novo universo, isto é, o universo dos objetos físicos associados ao objeto externo (corpóreo). O objeto físico possui uma série de “entes” que se tornam observáveis e especificados através de uma instrumentação própria. Veja que interessante. Em todo o experimento há uma “intenção”! O Experimentador deve possuir uma “teoria” para criar um determinado aparelho para que ele (O Observador-Experimentador) “pergunte” a natureza do objeto e a natureza do objeto “responda”. Há uma participação ativa no momento da observação. Portanto, aqui emerge uma nova concepção de como os objetos físicos associados aos objetos corpóreos que existem “para nós” são criados. Há uma necessidade de uma “representação mental” do objeto corpóreo ao mesmo tempo que há a necessidade de uma “representação “teórica-matemática” do objeto físico que se “mostra a vista” através dos aparelhos de medição. O universo da matemática, do números, das teorias advém da representação abstrata de uma teoria e sua representação que ocorre no cérebro do experimentador. Daí surgem os entes “observáveis” dos objetos físicos – peso, densidade, campo eletromagnético, momento elétrico do elétron, galáxias, campos morfogenéticos, corpos e energias sutis e etc, etc – há uma gama de observáveis em diversas gradações de possibilidades. Todos são objetos físicos que nada mais são senão as “respostas” da natureza do objeto corpóreo aos questionamentos – “perguntas” – feitas pelo Observador-experimentador.

 

Temos, então,  um objeto corpóreo que se apresenta “para nós”, durante a percepção sensitiva  e que foi também responsável pelo surgimento simultâneo e codependente do sujeito que percebe. Essa é a cisão sujeito-objeto em cada percepção sensitiva. Vejam que na percepção sensitiva não conseguimos perceber a “totalidade” do objeto corpóreo. Percebemos apenas de uma forma parcial, ou seja, percebemos apenas uma parte da realidade. Há uma outra realidade que não percebemos pelos sentidos. O Objeto corpóreo possui algo “transcendente” associado a ele. São os “entes” observáveis que constituem o  objeto físico especificado pela medição e teoria (teoria e experimento formam um ato único cognoscível). O objeto físico torna-se presente no objeto corpóreo, ou de outra forma, o objeto corpóreo é a “presentificação” do objeto físico. Vamos adiante! Ao aprofundar a investigação dos objetos físicos chegamos ao mundo da física fundamental, ou seja, da física quântica e seu mundo de “estranhezas” aparentes. Como vocês já acompanham os diversos posts desse blog, podemos concluir que a física quântica chegou na intimidade do objeto físico associado ao objeto corpóreo. Diversos experimentos tentam compreender e conceber o que são as partículas elementares que formam os átomos. Esse mundo onde as partículas elementares estão “inseridas” formando um “oceano” de possibilidades, um mundo em Potentia de Aristóteles que Heisenberg pegou “emprestado” para conceber elétrons como possiblidades de vir a ser. Aqui, no mundo quântico existem “ondas de possibilidades”. Saímos do mundo corpóreo que existe “para nós”, construímos o mundo físico que se “mostra a vista” através dos aparelhos de medição e finalmente chegamos ao objeto quântico que é um eterno “vir a ser” em possibilidade. A percepção de um objeto corpóreo e sua representação mental que cria a cisão entre sujeito e objeto em um sistema, como já dito anteriormente, de codependência é muito mais fascinante que se possa parecer! O que ocorre no sistema físico capaz de “atualizar” todas as informações que saem das ondas de possibilidades quânticas, passam pelo universo físico e acabam no objeto corpóreo da percepção sensitiva?

 

Objetos quânticos como possibilidades, objeto físico que se mostra a vista pela medição científica e objeto corpóreo que possui uma “forma” e uma “matéria”. Tudo isso durante o ato da observação! Como ocorre essa dinâmica? Como ocorre a passagem das possibilidades para o mundo real da forma e matéria do objeto corpóreo? Como nasce o sujeito nessa dinâmica da percepção? Somos participantes do universo. Isso é fato! Não há como conceber o universo sem a participação do sujeito (observador). Ele participa ativamente dos experimentos e da própria criação teórica para conceber o que quer ser visto e isso é o suficiente para ele “perturbar” o sistema. O mundo quântico que forma os “entes” observáveis dos objetos físicos torna-se presente no objeto físico – que não são “coisas” em si mesmos, eles são o resultado da teoria e da experimentação – assim como os objetos físicos tornam-se presentes no objeto corpóreo que existe “para nós”. Tem “algo” nessa dinâmica capaz de fazer acontecer esse “torna-se em”. É como se houvesse uma “atualização” da onda de possibilidades que “transportaria” todas essas informações, toda essa “energia” até o objeto corpóreo em cada ato psíquico da observação. O que é esse algo? A própria ciência quântica, através do experimento de Bell (Entrelaçamento e emaranhamento quântico) chegou na concepção de que há uma realidade fundamental una e indivisa. As partículas elementares são manifestações de uma única realidade subjacente onde a comunicação ocorre sem a troca de sinais. É a manifestação particular da realidade total. Essa é a compreensão atual de um objeto físico seja ele uma galáxia, seja uma campo magnético, seja uma radiação, seja uma onda eletromagnética, seja corpos e energias sutis,  sejam  átomos,  sejam quarks, sejam quaisquer objetos quânticos reconhecidos pelo modus operandi da ciência.  A física quântica chegou no último estágio da compreensão do que é a matéria. Matéria são ondas de possibilidades que são “atualizadas” no ato da observação. A informação, a energia, contida dentro dessas possibilidades  sai do mundo quântico, passa pelo mundo físico e chega ao mundo corpóreo. Nessa “atualização” nasce o sujeito que percebe, pois ele não pode ser separado do objeto percebido, por mais aparente que seja essa “separação”. Quem é, então, o sujeito da cisão sujeito-objeto? Se temos uma realidade fundamental una e indivisa que constitui a  própria matéria, quem dá “forma” para ela? Chegamos na consciência, chegamos no sujeito.

 

Quem é o sujeito que nasce da percepção sensitiva? Aqui temos o problema do modus operandi da ciência. O cérebro possui 100 bilhões de neurônios. O sujeito “emerge” do funcionamento bioquímico dessas células? Os 70 trilhões de células que nosso corpo possui, incluindo os neurônios, são objetos da percepção. A cada instante, milhares e milhares de informações chegam ao cérebro informando-o e atualizando-o sobre o funcionamento do corpo. A mesma matéria – “substância” – que discutimos acima faz parte da constituição do corpo físico, inclusive o cérebro. Cada célula é composta por milhares e milhares de partículas elementares, de átomos, de moléculas, de campo eletromagnético, de corpos e energias sutis, ou seja, de uma enorme quantidade de objetos físicos que já sabemos que se mostram a vista através da medição (teoria e experimento). Então, cérebro é objeto. Interações entre objetos obrigatoriamente produzem novos objetos. De onde nasce, então, o sujeito da percepção? Partículas elementares, átomos, moléculas, células (inclusive neurônios) e o cérebro são ondas de possibilidades que são “atualizadas” pela “presença da consciência. O que é a consciência? Qual a “natureza” da consciência? Podemos afirmar apenas que ela é o Tertium Quid ( terceiro elemento que tem poder causal sobre dois elementos correlacionados). Há, sim, o “terceiro” elemento capaz de “atualizar” a energia das ondas de possiblidades. Chegamos na causação descendente. Chegamos na compreensão de que há uma consciência cósmica una e indivisa fora do espaço-tempo que se ‘particulariza’ quando se manifesta na identificação do sujeito e seu cérebro no ato de obervação. A consciência cósmica se torna consciente através de nós em cada ato de observação. É o universo autoconsciente de Amit Goswami. A consciência é a base de tudo! Ela se “divide” em sujeito e objeto para permitir a percepção. Ela concede a “forma” para que a matéria una e indivisa da realidade fundamental possa ser percebida e atualizada. A consciência cósmica, O Deus, causa primeira de todas as coisas é tudo o que existe. Deus está em tudo e tudo está em Deus. Não mais um Deus separado, mas um Deus presente que se comunica com suas criaturas.  Nascemos simples e ignorantes com o propósito de conhecer e saber. A percepção e a memória são os instrumentos utilizados e disponíveis na dinâmica da evolução criativa da consciência.  Portando tanto objeto corpóreo como o sujeito da ação de perceber são constituídos pela mesma substância: a Consciência cósmica. Deus é tudo e está em tudo. Deus está em tudo e tudo está em Deus. Eu e Pai somos um! Isso agora faz muito sentido.

 

Somos formados pela substância de Deus e, durante o ato da percepção, forma-se uma consciência imediata e egóica que é o sujeito, o “eu” de cada observação. Esse sujeito possui um verdadeiro oceano interno de intuições, pensamentos e sentimentos. O sujeito literalmente interage com o objeto da observação. Eles são feitos da mesma “substância”. Somos espíritos em evolução. Somos individualidades em evolução. Somos susceptíveis a “erros” e “acertos”. Somos imperfeitos mas possuidores da potencialidade em atingir aquilo que ainda não sabemos o que é, mas que denominamos “perfeição”. Da mesma forma como a “semente” que contém a potencialidade de vir a ser a árvore frondosa com seus frutos. Qualquer realidade do universo está sob dois domínios: possibilidades e fato manifesto. Percebem isso agora? Conseguem visualizar que há um mundo de possiblidades e que nosso inconsciente representa esse movimento quântico de objetos quânticos que são nossos pensamentos e sentimentos. A todo instante estamos fornecendo signficados em tudo em nossa vida! Os objetos corpóreos, os objetos físicos existem também em nossa mente que não está separada do corpo físico. É como se houvesse um “paralelismo” entre intuições, pensamentos e sentimentos que são representados simultaneamente em nosso cérebro. A consciência e todo o seu arsenal de processamento consciente e inconsciente está em um processo de evolução. Como tal, nascemos e renascemos de períodos em períodos para que a consciência egóica, ou imediata seja educada. A escola que permite essa educação é o planeta Terra com toda sua complexidade atual organizada em lares e sociedades. Um código de ética cósmico também foi fornecido para que essa consciência imediata ajuste seu comportamento segundo esse código: O Evangelho de Jesus. As grandes “chagas” da humanidade são, sem dúvidas, o orgulho e a vaidade. O exclusivismo e o solipsismo (A minha consciência é a mais importante). Aprender, conhecer e saber. Coerência no agir, pensar e sentir. Todos fomos criados simples e ignorantes em uma única célula e atingimos a pluricelularidade. Saimos do simples para o complexo. Cada forma mais complexa consegue expressar uma complexidade correspondente da consciência. Nessa dinâmica energias mais sutis são requisitadas. há um mundo espiritual onde as consciências imediatas permanecem com sua “bagagem” de conquistas e aguardam a oportunidade para coordenarem uma nova forma física através do desenvolvimento embrionário. A ontogênese recapitula a filogênese. A reencarnação é uma lei natural onde a consciência pode vir a ser o mesmo ser em uma nova forma corpórea para novas interações e experiências. Nascer, morrer e tornar a nascer, tal é a Lei. Acredito nisso! A consciência imediata (espírito) aproveita das potencialidade gênicas maternas e paternas para trazer “forma” a matéria una e indivisa. Coordena um turbilhão de partículas elementares colapsando a nova realidade corpórea. O processamento inconsciente reflete essa história. As memórias adquiridas durante cada ato de percepcão impulsionam o ser para as experiências que sejam necessárias em sua evolução, para sua aprendizagem e educação. Seguimos evoluindo e interagindo.

 

A vida é um “dom” que devemos agradecer a cada dia! Somos observadores participativos! Somos criaturas com seu criador junto a nós. A cada momento podemos fazer escolhas diferentes. A cada momento podemos dizer não ao hábito e condicionamento e construir um final diferente. Criamos a nossa realidade ainda baseados na consciência imediata e egóica. Somos todos um na jornada evolutiva. Estamos ainda tentando representar o amor em nossas vidas. Estamos construindo os circuitos cerebrais das emoções positivas. Estamos tentando dar novos significados ao AMOR saindo de uma visão egocêntrica para uma visão etnocêntrica (percebendo o outro além de mim) para quem sabe adquirimos uma visão globocêntrica onde o “ nós” será realmente valorizado.

 

Abraços fraternos

 

Milton

Causação Descendente


CAUSAÇÃO DESCENDENTE

Uma abordagem científica, filosófica e, por que não?, religiosa da transcendência.

 

 

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Essas reflexões podem trazer luz à uma verdade de importância fundamental: O Universo observável, contrariamente às suposições do pensamento científico moderno, não pode ser entendido com base na causalidade natural. “A causalidade natural pressupõe a causalidade transcendente“. Ou melhor, a causação ascendente pressupõe a causação descendente. O mundo natural pressupõe um agente causador, não apenas no sentido de uma causa primeira que tenha trazido o universo à existência, mas um princípio de causalidade transcendente que opera aqui e agora. Essa é a conclusão que chegamos quando analisamos o fenômeno do colapso da função de onda. Não se trata apenas de um enigma da teoria quântica,  o colapso prova que apenas o naturalismo e sua causação ascendente (natural) não tem essa aparente hegemonia. O universo observável não corresponde à concepção de um sistema fechado; somos obrigados e até mesmo forçados a admitir que o universo espaço-temporal nem possui existência e nem age por si próprio.

 

A previsibilidade do universo newtoniano é inerentemente estatística, tendo validade para arranjos macroscópicos que envolvem um número gigantesco de partículas fundamentais, ao passo que no nível dessas partículas fundamentais, o elemento “acaso” é introduzido e as próprias leis, que ainda são validas neste nível, não bastam para determinar a resposta de processos naturais. O lançamento de um dado corresponde inferir a constituição de um processo temporal, por mais incerto que seja, o colapso da função de onda não pode ser assim concebido e nem comparado ao lançamento de dados. O colapso da função de onda não é resultado de um processo temporal, seja ele determinístico, aleatório ou estocástico. Obrigatoriamente, uma ordem de causalidade mais elevada entra em cena, a qual precisa ser distinguida categoricamente da causalidade temporal. O chamado “colapso”,  no final das contas, não pode ser atribuído ao acaso mais do que o determinismo, requerendo assim um tipo de causalidade que – estranho dizer – “não é deste mundo” (transcendente).

 

O modus operandi da ciência moderna é incapaz de alcançar a causalidade transcendente, na verdade, ela é incapaz até mesmo de reconhecer que o fenômeno do colapso da função de onda não pode ser tratado pelos meios à disposição, o que explica o esforço dos físicos que estão tentando fazer exatamente isso. O universo não causou a si mesmo. Objetos corpóreos não podem ver a si mesmos. O cérebro não consegue ver a si mesmo. A consciência consegue perceber a si mesmo. O resultado disso é uma causalidade primária transcendente que atua, não em um passado remoto, mas em cada aqui e agora, sem exceção. Tudo o que existe no espaço e no tempo é, além de ser trazido a existência, mantido na existência por essa causação primária descendente e transcendente. Essa causalidade primária não atua desde o passado para o futuro por meio de um processo temporal, ao contrário do que diz a causação ascendente (temporal e natural). Obrigatoriamente, a causação feita por um agente inteligente é transcendente.

 

A exploração dos físicos em busca da “matéria” – sua labuta de séculos para estabelecer as bases materiais da existência corporal – foi coroada com sucesso; eles apenas ainda não conseguiram reconhecer esse fato. Desencaminhados pelas premissas cartesianas, eles tem procurado pela res extensa, pelo átomo de Demócrito, e quando, nas primeiras décadas do século XX, parecia que o sucesso estava à vista, eles acharam no momento decisivo que a fonte tivesse secado misteriosamente. Em lugar da res extensa, surgem essas “esquivas” partículas quânticas, forçando os físicos a admitir, para sua consternação, que o que chamavam de “partículas” não são de fato “entes” reais, não são verdadeiramente “coisas”. Mesmo assim, permanece o modus operandi da pesquisa científica parecendo ser o concreto, que tenham realmente chegado ao substrato material das coisas corpóreas, a despeito de aparências filosóficas apontarem o contrário.

 

Há uma moral nessa história! No final, a ciência se autocorrige! Ela é capaz de nos levar a verdade, contanto apenas que tenhamos os “olhos para ver”. A ciência por si só não é capaz de fornecer essa visão; ela, enquanto tal, não pode interpretar suas próprias descobertas. Temos que voltar às origens, valorizando doutrinas que consideram a transcendência. Temos que voltar a beber da fonte pura dando ouvidos a Platão, Aristóteles que não inventaram suas próprias doutrinas, eles beberam da fonte transcendente. Apenas os sábios da modernidade rejeitam essa herança. Hoje, sabemos muito bem a qual destino nos leva essa modernidade, pois entramos, afinal de contas, na era cética e desiludida do pós-modernismo. O argumento contra a sabedoria tradicional já atingiu seu limite e o caminho para as fontes puras se encontra aberto mais uma vez.

 

Chegou o tempo de uma nova interpretação das descobertas científicas baseadas nos princípios pré-cartesianos onde a consciência é a base de tudo; precisamos de uma mudança de paradigma, precisamos de uma mudança de perspectiva. O que está em jogo é que se os pressupostos da ciência conduzirão a uma iluminação do intelecto (consciência) ou a seu esgotamento.

 

Abraços fraternos

 

Milton

 

Escrevi esse texto sob influência do Dr Wolfgang Smith. Ele formou-se aos 18 anos em Física, Filosofia e Matemática pela Universidade de Cornell. Suas pesquisas em aerodinâmica e seus artigos sobre campos de difusão forneceram a chave teórica para a solução dos problemas de reentrada na atmosfera em viagens espaciais. Depois de receber um Ph.D em Matemática na Universidade de Columbia, foi professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e na Universidade da Califórnia. Além de numerosas publicações técnicas, relacionadas a topologia diferencial, Dr Smith é autor de muitos artigos sobre questões interdisciplinares e espitemológicas, sempre preocupado em desmascarar certas concepções amplamente admitidas como verdades científicas.

É muito bom saber que as ideias aqui expostas são compartilhadas por pessoas como Dr Smith e Dr Amit Goswami.

Amit Goswami também merece minhas homenagens, pois o meu despertar ocorreu também (foram várias sincronicidades) graças ao despertar e insight do Prof Amit, com a qual tive oportunidade de conviver por alguns dias.  Tentarei vivenciar tais conhecimentos baseado em um estado de coerência cardíaca. A razão desse Blog é essa: Transformar a nós mesmos e, como consequência disso, transformar o mundo com os princípios da física quântica. O calapso do vetor de estado é causado de forma descendente e suas assinaturas são a hierarquia entrelaçada, a descontinuidade e a não localidade. É a transcendência comunicando-se com o manifesto. É isso!

 

Novos abraços quânticos e entrelaçados!

Milton

 

Mundo corpóreo


MUNDO CORPÓREO

Uma oportunidade em “perceber” (redescobrir) o que é objeto corpóreo.

 

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Antes de mais nada, antes de qualquer ciência, antes de qualquer filosofia, antes de qualquer religião e antes de qualquer investigação racional, precisamos reconhecer que o mundo existe e que é conhecido apenas em parte. O mundo corpóreo existe como algo que se apresenta para nossa inspeção. Parece haver uma necessidade lógica para que ele “se mostre”, da mesma maneira que pertence a natureza do círculo encerrar, delimitar, uma porção do plano. Se o mundo não fosse “conhecido” em parte que seja, ele simplesmente cessaria e deixaria de ser o mundo – ao menos o “nosso” mundo. Num certo sentido, o mundo existe “para nós”; ele está aí para “nosso exame”. Essa “inspeção”, ou mesmo esse “exame” é efetuado pelos sentidos, através da percepção sensitiva. Deve ficar claro que essa percepção não significa apenas um ato de passividade de obtenção de imagens, ou melhor, um ato desprovido de inteligência. Uma constatação crucial e porque não dizer fundamental é que não importa como o ato é consumado – isso é invariável – percebemos as coisas ao nosso redor e podemos vê-las, cheirá-las, tocá-las, ouví-las, saboreá-las. Isso todos nós sabemos perfeitamente bem!

 

Reconhecemos os objetos externos! Isso é fato! O que deve ser levado em consideração é o fato de percebemos os objetos externos apenas parcialmente e que a sua “integralidade” como objeto permanece oculto de nossa percepção. Diante da nossa percepção visual o que fica exposto é apenas a sua aparência externa, o seu interior escapa aos sentidos. Se conseguíssemos perceber o objeto em sua totalidade, integralmente, implicaria obviamente em não termos a capacidade de perceber coisa alguma, nunca. O problema de percebermos apenas parcialmente e não integralmente os objetos externos parece ser imanente a própria natureza do objeto em questão, assim como, por uma analogia, é da natureza do círculo deixar de fora uma porção do plano. Nem o mundo exterior como um todo e nem o mais insignificante objeto dentro dele podem ser conhecidos ou percebidos integralmente. Essa é uma característica imanente do mundo corpóreo. Longe de ser uma incapacidade do observador, mas pela própria natureza do “ente” corpóreo.

 

É claro que sempre podemos perceber mais e mais e dessa maneira aumentar nosso conhecimento perceptivo, assim como é possível alargar um círculo. O que não é possível é “esgotar” o objeto por via da percepção, ou seja, alargar o círculo até que ele deixe de excluir um ‘remanescente infinito” do plano. Pois, perceber um objeto corpóreo com a capacidade de ser “completamente percebido”, cessaria de ser um objeto corpóreo, do mesmo modo como um círculo “sem exterior” deixaria de ser um círculo. Um objeto corpóreo “conhecido integralmente” deixaria imediatamente de ser corpóreo. Esses objetos corpóreos existem “para nós” como “coisas” a serem investigadas por meio da percepção sensitiva. Entramos em cena como observadores, não como objetos, mas como sujeitos. Essa presença subjetiva pode até ser esquecida algumas vezes, mas não pode ser exorcizada, o que significa dizer que, sob um olhar mais atento, ela (presença subjetiva) está fadada a mostrar-se na natureza do próprio objeto. O objeto, por assim dizer, apresenta as marcas dessa relatividade – sujeito e objeto – orientando em direção ao observador humano. Uma dessas “marcas” é a própria capacidade do objeto de ser percebido, mesmo que seja em parte. Um objeto corpóreo não tem a capacidade de perceber-se. Outra “marca” é a característica contextual, ou melhor, a relatividade de tudo. Por exemplo: a forma espacial que percebemos de um corpo depende da nossa posição em relação a ele, do mesmo modo que a cor percebida depende da luz sob a qual o objeto é visto.

 

Um objeto corpóreo é aquele capaz de apresentar certos atributos, ou manifestar certo atributos melhor dizendo. Esses atributos são quantitativos e qualitativos. Um objeto corpóreo, portando é concebido e definido segundo seus atributos. De maneira mais precisa: o objeto corpóreo concreto é idealmente especificado em termos de todo o conjunto de seus atributos observáveis. O que precisamos entender definitivamente e acima de tudo é que nada no mundo “existe” em si mesmo, que “existir” é precisamente entrar em interação com outras coisas, incluindo observadores. O mundo, por essa razão, não deve ser entendido como a mera coleção de incontáveis “entes” individuais existentes de per si, seja objetos corpóreos, átomos, ou o que queiram. É que, acima de tudo, cada elemento existe numa relação com todos os outros e, portanto, em uma relação com a totalidade, a incluir necessariamente um pólo consciente, subjetivo.

 

As descobertas recentes da física quântica podem nos aproximar definitivamente da espiritualidade, permitindo desvendar um mundo além do mundo corpóreo, seja de objetos físicos sutis, seja de um mundo de potentia como sendo um eterno “vir a ser”, o que emerge de tudo isso é que tanto objetos corpóreos quanto objetos físicos, ou qualquer outro objeto que seja especificado, todos apontam para muito além deles. Apontam para uma realidade indivisa e una onde “coisas e fatos” estão longe de serem concebidos como separados e independentes. A compreensão desse fato nos impulsiona para que passemos a viver com novos significados, agora baseados na integralidade, na realidade indivisa e una, onde todos nós observadores possamos nos enxergar segundo essa realidade total e não local que conecta a todos. A separação já causou muito estrago para a humanidade. É uma verdadeira “doença” que impede uma nova concepção do universo. A mudança de paradigma se faz necessária. Uma mudança de contextos para que a consciência obtenha novos significados nessa relação de coexistência entre observadores que somos e o próprio mundo corpóreo (que se “mostra” para nós) como necessário para o compartilhamento de experiências. Muito mais que falar, muito mais que escrever sobre tudo isso, é necessário vivermos e nos comportarmos segundo esses princípios. A separação e a independência são manifestações parciais de uma realidade muito mais fundamental que é INDIVISA E UNA.

 

Emerge uma gama de oportunidades de estudos e reflexões. Medicina, Direito, Biologia, Filosofia, Psicologia, Arquitetura, Engenharia, Computação e qualquer outra área do saber necessita de uma revisão de paradigma, uma mudança de contextos. Da mesma forma, as religiões com seus rituais e explicações simplistas necessitam de uma mesma e necessária revisão em uma atitude de dar ouvidos para a ciência. Ciência ouvindo a essência de todas as religiões e as religiões ouvindo a essência da física quântica. A transformação pessoal e a própria necessidade de transformação é obviamente pessoal e intransferível. Transformação necessária para que Ciência e Religião (Espiritualidade) possam finalmente compreenderem-se mutuamente. Há necessidade de um certo “despertar” para essa realidade. Cada qual no seu tempo! Cada qual com seu aparato de percepção e, cada qual com sua estrutura teórica sobre como quer acreditar no mundo e, consequentemente, com as devidas responsabilidades pelas memórias advindas dessas percepções. É isso!

 

Abraços fraternos

 

Milton

O Observador


O OBSERVADOR

O que cria a realidade: o ato de medir ou o ato psíquico?

Uma reflexão científica e filosófica do Universo

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A física quântica é a física das possibilidades! O físico sempre teve a intenção de conceber o que é o Universo físico? Lançou seus “olhos” para as “coisas” que formam o Universo e desde a época de Tales de Mileto (624-546 a.C.), um dos grandes pensadores gregos antigos e um dos primeiros a tentar encontrar explicações racionais e naturais através de perguntas como: Qual é a matéria-prima básica do cosmos? Já, naquela época, a visão de inquietação frente a explicações mágicas e religiosas de eventos naturais fez Tales de Mileto inferir que essa matéria-prima deveria ser algo a partir do qual tudo pudesse ser formado, que fosse essencial a vida e tivesse a capacidade de movimento e mudança. Concluiu que a matéria-prima do cosmos era a água. Tudo era composto por água. Bom, após séculos e séculos depois de Tales de Mileto, como poderíamos conceber o Universo? Seria muito bom poder dizer que o universo físico é simplesmente o mundo concebido por um físico, mas ocorre que a concepção que o físico tem do mundo está longe de ser clara. A física, sem dúvida, passou por um desenvolvimento assombroso e ainda continua a avançar. Porém há pouco acordo entre os físicos quanto ao que é, exatamente, que a física traz a luz. Como se pode, assim, falar do “mundo como concebido por um físico”?

A física possui uma metodologia própria, um certo modo de investigação que a distingue. Teorias físicas podem ser suplantadas e opiniões filosóficas podem entrar ou sair de moda, mas há algo que parece ser invariável: os meios cognitivos pelas quais se determina os objetos de modo universal. Esse é o ponto crucial. Digamos que o universo físico seja aquele onde está o “âmbito das coisas” que são cognoscíveis. Onde será que esse raciocínio ontológico vai nos levar? Acompanhem-me, por gentileza. Sei que abordarei aspectos complexos, mas tenho plena convicção que meus leitores conseguirão  acompanhar-me. No final, haverá uma perfeita possibilidade de integração entre ciência e espiritualidade. Antes de prosseguirmos, faz-se necessária uma explicação importante que precisamos colocar desde o início. Precisamos diferenciar mundo corpóreo e mundo físico. O universo corpóreo existe “para nós” como um domínio manifesto das coisas a serem conhecidas através da percepção sensitiva. No universo corpóreo estão os objetos corpóreos (pensem em uma bola de bilhar, por exemplo). O universo físico, por outro lado, nós o conhecemos através da medição (modus operandi) feita por um artefato instrumental e não através da visão direta. Através da instrumentação adequada mede-se o peso, o diâmetro, o momento magnético do elétron, a densidade e etc, etc, etc, O mundo físico é o mundo das quantidades e da estrutura matemática, por assim dizer. A metodologia científica (modus operandi), descobre, dessa maneira, o objeto físico. Temos então, de forma resumida, o objeto corpóreo especificado pela percepção sensitiva e o objeto físico especificado pela medição de instrumentos adequados. Qual é o mais real? Objeto corpóreo ou objeto físico? Mundo corpóreo ou mundo físico? Universo corpóreo ou Universo físico?

Temos então um perfeita distinção entre objeto corpóreo e objeto físico. Objeto corpóreo, por ser perceptível, necessita de uma representação mental. O objeto físico, por ser não perceptível, necessita de uma representação teórica. O objeto físico “se mostra a vista” por meio da medição. Só a medição, porém, não basta. Há um aspecto teórico nesse processo cognitivo. Nada que pertença ao domínio físico pode ser conhecido sem uma teoria, sem um modelo apropriado, sem uma representação. Portanto, Experimento e teoria formam um todo inseparável, isto é, formam um único empreendimento cognitivo. Em qualquer experimento que envolve sua medida, a intenção do experimentador e a medição em si é um ato único e inseparável. Os dois tipos de conteúdo ou significado – intencional e operacional – estão intimamente ligados, pois, um objeto físico pode ser modelado ou representado precisamente em virtude da forma como ele se presta a observações empíricas. Um campo eletromagnético, por exemplo, é indubitavelmente mais que o conjunto de leituras dos instrumentos, e um elétron é mais que um arranjo de traços numa câmara de bolhas (local onde é visualizado os “rastros” dos elétrons). As leituras dos instrumentos e os “rastros” em câmaras de condensação apontam para além delas mesmas e esta é exatamente a razão, na verdade, dessas leituras e visualizações serem de interesse para o físico. Descobrir esses componentes invisíveis em uma realidade oculta que se manifesta, ao menos parcialmente, em todo tipo de efeitos mensuráveis. O Universo dos objetos físicos (átomos, campos eletromagnéticos, partículas elementares, momento elétrico, ondas de possibilidades, ondas de matéria e etc) é de certa forma transcendente apesar de ele existir “para nós”.

Nunca ninguém percebeu (percepção sensitiva) um objeto físico. Os “entes” que respondem ao método científico da física são, por sua própria natureza, invisíveis, intangíveis, inaudíveis, assim como destituídos de sabor e aroma. Os objetos físicos são concebidos por meio de modelos matemáticos e observados por meio de instrumentos apropriados. O que realmente percebemos é a bola de bilhar vermelha ou verde. Ninguém, frisando mais uma vez, jamais percebeu um arranjo de partículas subatômicas ou uma coleção de átomos. Há objetos físicos que se apresentam sob a forma de objeto corpóreo. Ou, qualquer objeto corpóreo pode ser submetido a todo tipo de medidas, estabelecendo assim um objeto físico associado. Objeto corpóreo que passaremos a chamar apenas X e o objeto físico chamaremos de SX.  Sendo X uma bola de bilhar, por exemplo, podemos medir sua massa, seu raio e uma infinidade de parâmetros físicos e representá-lo como SX. X e SX não são a mesma coisa. São tão diferentes quanto a noite e o dia, pois X é perceptível e SX não é perceptível. Agora vem uma conclusão fantástica. Objeto corpóreo X é a “presentificação” do objeto físico SX. De outra forma, SX torna-se presente em X. O transcendente comunica-se com o manifesto.

Precisamos de mais um conceito. Há objetos físicos tipo genéricos (campo eletromagnético, por exemplo) que só é reconhecido ou “especificado” por um modelo matemático ou representação para sua determinação. Ao contrário, temos objeto corpóreo específico que basta o contato observacional para sua determinação. Quando estamos utilizando atos empíricos (atos de investigação) pelos quais um objeto físico fica especificado chamamos de “especificação”.  Como podemos especificar objetos físicos como átomos e partículas elementares? Uma partícula carregada , considerada aqui como um objeto físico SX, deve interagir com um instrumento de medida, que dentro do sistema passa a ser considerado “sub-corpóreo” ,por enquanto, e essa partícula carregada é observada por meio da “presentificação”. Ela tornou-se presente no instrumento de medição. O contador Geiger registra a presença de uma partícula carregada. A partícula penetra na câmara e causa uma descarga elétrica que é, então, registrada de alguma forma ao passar para o nível corpóreo ( na forma de um estalo audível ou pela leitura do contador). Essa cadeia de eventos constitui, evidentemente, uma especificação da partícula. É a única referência que temos da partícula, depois passa ser impossível estabelecer algum contato observacional com ela.

Estejamos lidando com uma partícula fundamental ou com a mais simples entidade sub-corpórea (contador Geiger), não se pode falar de um objeto físico SX antes que se estabeleça um contato observacional inicial. Objetos físicos não crescem em árvores; eles precisam ser “especificados”. Daqui, já podemos inferir a presença de um domínio onde há os “fatos e coisas”, instrumentos que formam esse mundo, aquilo que é real mesmo. Associado, temos o domínio das potencialidades, das possibilidades, das tendências detectadas pela mecânica quântica. São as possibilidades. O que é que faz o mundo das possibilidades tornarem-se realidade em um mundo de fatos e coisas? Inicialmente vamos recorrer a Heisenberg: “Portanto, a transição do “possível” ao “real” ocorre durante o ato da observação. Se quisermos descrever o que ocorre em um evento atômico, deveremos compreender que o termo “ocorre” pode somente ser aplicado a observação e não ao estado de coisas durante duas observações consecutivas.” Como mundo da Potentia de Heisenberg, ou o mundo das possibilidades de SX e agora também da física quântica pode vir ao mundo real? Será que é apenas uma questão de escala? Como se a passagem da potencialidade para a atualidade (realidade) pudesse vir a efeito simplesmente porque se juntou um número suficientemente grande de átomos? Será que o “vir a ser” das potencialidades ao mundo corpóreo ocorreu pelo ato físico da observação, através do contador Geiger, por exemplo? Ou será que o “vir a ser” das  potencialidades ao mundo corpóreo ocorreu pelo ato psíquico da obsevação? Como uma onda de possibilidade pode ter um conteúdo “completamente objetivo” se ela depende do resultado de um experimento ser mentalmente “registrado” ou não? Se a posição de um ponteiro, digamos, carrega um estado de coisas objetivas depois de ter sido “lido”, por que não antes? Enquanto não distinguirmos categoricamente entre um sistema físico – por mais macroscópico que seja – e um objeto corpóreo, de fato não haverá saída para esse dilema. Porém a mecânica quântica é bem clara em seu teorema afirmando que sistemas físicos não causam o colapso do vetor de estado (colapso da função de onda). Se supusermos, portanto, que existam sistemas físicos e atos psíquicos – e nada mais – segue-se que o colapso em questão tem que ser causado obrigatoriamente por uma ato psíquico.

Eis o enigma quântico!! O enigma do colapso do vetor de estado (colapso da função de onda) e o enigma corpóreo!! A observação como intermediária. A realidade está em dois domínios: Possibilidades e fato manifesto. Cada tipo de objeto físico é concebido sempre em relação com um procedimento observacional. Objetos físicos não são bem “coisas em si mesmas”; são antes coisas em relação a modos específicos de investigação científica. Sejam as galáxias, sejam campos eletromagnéticos, sejam radiações, sejam átomos, moléculas e partículas elementares. A física lida, não simplesmente com a “natureza” mas com as “nossas relações com a natureza” (Heisenberg). O experimentador “interroga” a natureza, a realidade externa, e ela “responde”. Objetos físicos são “as respostas” que a natureza fornece. A diversidade de objetos físicos – de “respostas” é inspirada pela diversidade de “perguntas” que nós mesmos colocamos. Os objetos físicos existem realmente; o ponto, no entanto, é que esses objetos tem algo de relativo de devem ser encarados, não tanto como múltiplas entidades independentes, mas como manifestações variadas de uma única e indivisa REALIDADE. David Bohm, após o advento e descobertas da física quântica assim se expressou: “ Somos levados a uma noção de totalidade indivisa, a qual nega a ideia clássica de analisibilidade do mundo em partes que existam separa e independentemente”. Temos uma realidade transcendente que se manifesta parcialmente na forma de objetos físicos. Esses objetos físicos apontam para além deles mesmos. Há um nível mais profundo de realidade. Além do plano físico e do plano corpóreo surge um terceiro substrato. Qual a natureza desse terceiro substrato?

O que significa exatamente essa totalidade indivisa? Como podemos compreender um reino externo que não seja de fato constituído de “partes que existam separada e independentemente”? A realidade está sujeita a uma condição espaço-temporal. Uma natureza que se manifesta no espaço e no tempo. Nas palavras de Henry Stapp: “ Tudo p que sabemos sobre a natureza está de acordo com a ideia de que o processo fundamental da natureza encontra-se fora do espaço- tempo… mas que gera eventos possíveis de serem identificados no espaço-tempo” É isso!! Qual ou quais descobertas apontam para uma realidade indivisa para além do continuum do espaço-tempo? Sem dúvida alguma, o teorema do entrelaçamento de Bell (Não localidade quântica). Dois fotons A e B viajam em direção opostas – a velocidade da luz! – e uma observação efetuada no fóton A parece afetar o fóton B instantaneamente. Como pode isso? Dentro do espaço-tempo Eisnteniano nada é mais veloz que a luz. Essa comunicação ocorre sem troca de energia. Os fótons A e B não são partes que existam separada e independentemente. Elas estão partes separadas e independentes, mesmo porque podemos identificá-las separadas no espaço e no tempo. Os fótons A e B são manifestações de um única realidade subjacente, pois, de fato, onde quer que haja unidade ou uma “totalidade indivisa”, não se vê necessidade para comunicações ou transmissões de efeitos através do espaço e do tempo. Torna-se concebível que uma partícula possa transcender sua localização manifesta e, dessa maneira, transcender igualmente sua identidade fenomênica. Não que a partícula “se projete para outra dimensão”, mas que além do seu aspecto empírico, ela possui uma natureza que de modo algum está sujeita a esse “confinamento”, isto é, ao confinamento do mundo corpóreo.

O que é, então, um objeto físico (Galáxias, campos eletromagnéticos, radiações, átomos e partículas elementares)? Agora estamos preparados para compreender que são manifestações particulares de uma realidade total. Essa realidade total está sempre em dois domínios: Possibilidades e fato manifesto. Objeto físico e objeto corpóreo com suas variedades de gradações. O Ato capaz de colapsar a onda de possibilidade e provocar a especificação, ou melhor, a realidade (trazer do mundo transcendente para o mundo da realidade manifesta) é, sem dúvida, o ato psiquico. É o ato criador em si. A consciência é algo que deve ser valorizado, pois é o que está presente sempre como sujeito e objeto simultaneamente. Daí surgiu a razão desse blog. A consciência é capaz de provocar o colapso da função de onda através do ato psíquico. Com relação a realidade una e indivisa, o objetivo último dos físicos talvez seja procurar por uma lei única, que seja simples (na forma de algum tipo de teoria quântica de campos unificantes) e que descreva corretamente todos os sistemas físicos concebíveis. Atualmente temos as leis de Maxwell que aplica-se a todos os campos eletromagnéticos. Por meio da analogia geométrica, nos tornamos capazes de compreender como a estrutura da natureza – em que pese estar oculta – pode se manifestar nas leis fundamentais da física, nas leis, a saber, que se aplicam sempre em todo lugar aos sistemas físicos aos quais elas se referem. O exemplo do teorema de Pitágoras que se aplica a todos os triângulos retângulos. A física atual ainda não possui um conjunto simples e completo de princípios que cubram o terreno da realidade indivisa e una.

Agora que chegamos a uma realidade fundamental que conecta a todos nós seres sencientes ou não. Agora que chegamos na compreensão e valorização da consciência criadora da matéria corpórea (dos objetos corpóreos) pelo ato psíquico da observação. Resta-nos descobrir o que fazer com tudo isso? Que tal começarmos pela identificação que somos consciências em evolução que participa de dois domínios de realidade: o mundo corpóreo da manifestação e compartilhamento de experiências e  um mundo físico (sutil) onde manteremos a consciência  e as possibilidades sutis de escolhas, após percorrermos a transitoriedade dentro do espaço-tempo da manifestação dessa realidade indivisa e una. Essa é a razão desse blog. Transformar as pessoas e consequentemente o mundo através dos princípios da física quântica. Ciência e Espiritualidade são facetas de uma mesma moeda.

Em breve continuaremos abordando o assunto e integrando os princípios da física quântica com a espiritualidade. Por ora, basta pelo raciocínio científico filosófico para chegarmos na necessidade do ato psíquico da observação na construção da realidade. Bem, isso nós já sabíamos! A consciência escolhe dentre as possibilidades. É disso que temos falado sempre em nossas conversas. Trazer esses princípios para a biologia recupera o livre-arbítrio. Explica o processamento inconsciente. Compreendemos melhor a relação entre memória e percepção. Estamos nos movendo dentro de um campo fundamental. Estamos todos conectados. É a mais pura verdade. Porém, temos um trabalho longo pela frente, da mesma forma que os cientistas tiveram quando comprovaram que o Sol não girava em torno do Terra. Houve muitas coisas a serem descobertas a partir daí. Agora, não é diferente. Temos muito aprender com a constatação de que há uma realidade una e indivisa que conecta todos nós. A consciência é a base de tudo! Ainda escolhemos sob hábitos e condicionamentos, mas a todo instante podemos dizer não aos hábitos e condicionamentos. É isso!

Abraços fraternos

Milton

Complexidade


COMPLEXIDADE

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O arquiteto americano Bryan Berg terminou o maior castelo de cartas do mundo. Isso ocorreu em 2010. Há uma metáfora por detrás desse castelo. Justamente a de um mundo altamente complexo e interligado em que vivemos hoje. Como chegamos até aqui? A réplica do castelo de cartas de Bryan Berg demonstra como a complexidade traz consigo a interdependência e ao mesmo tempo a fragilidade desses sistemas a mercê de eventos não previsíveis. Uma ratazana poderia passar por ali e colocar abaixo toda a complexidade dos mais de 4000 mil baralhos utilizados na construção. Observamos um aumento da complexidade de todos os sistemas envolvidos em uma sociedade. A energia elétrica produzida nas usinas hidroelétricas é fundamental para o funcionamento da internet. Um colapso no funcionamento da internet poderia provocar danos irreparáveis na segurança, na saúde e em diversos setores. Eventos naturais e também eventos provocados pelo homem podem interferir na interconexão dos sistemas. Os seres humanos, que há mais de 150.000 (Cento e cinquenta mil) anos vem mantendo presença no planeta Terra, passando por modificações anatômicas, morfológicas, emocionais, comportamentais. É fascinante percebermos o processo evolutivo. E é ainda mais fascinante pensarmos sobre a vida e como a compreendemos. É imprescindível que consigamos enxergar a necessidade atual que todos nós temos de despertar para uma realidade onde a consciência seja valorizada como poder causal fundamental. Seja refletindo sobre a evolução e a incompletude das teorias que tentam compreender o processo evolutivo, seja refletindo sobre as diversas áreas do saber humano, seja pesquisando e estudando aspectos científicos objetivos, seja buscando auxílio no campo filosófico do pensar, seja dando vazão a criatividade interna e externa, situacional e fundamental, seja ouvindo e refletindo sobre ideias contrárias, seja buscando opiniões em todas as áreas da sabedoria humana, seja em leituras de textos de pessoas que já pensaram no assunto, chegamos a constatação de que: Somos vivos e temos consciência disso. Pensar em consciência nos dias de hoje é fundamental. A evolução da percepção humana sobre si mesma progrediu muito e dentro dessa evolução de percepção há uma motivação inquietante de buscar explicações para uma infinidade de incertezas. Muito além de questões filosóficas sobre nossas origens, sobre se há algum propósito em viver e da forma como vivemos, se há um motivo para as dores e sofrimentos, se realmente há necessidade de sofrer e por que? Qual a nossa destinação ou predistinação? Somos livres? Temos realmente liberdade em nossas escolhas? Ou somos como feito pedras em queda livre pensando que podemos escolher o nosso destino? Essas questões ficam sem respostas, ou apenas com respostas simplórias, se não tentarmos compreender a realidade completa pela qual somos formados.

 

Temos discutido muito as ideias da física quântica e seus princípios que nos conduzem para compreender um novo paradigma. Um conjunto teórico de ideias e comportamentos que regem as decisões dos seres humanos. Muitos paradigmas já nortearam essas condutas. Muitos paradigmas já alimentaram as guerras, destruições, separações por não preverem o processamento de valores. Houve época onde os seres humanos buscavam explicações racionais para suas dúvidas e para fenômenos observados e quando não as encontravam na ciência incipiente, atribuía-se explicações a causas sobrenaturais. Uma era onde o místico era importante e os milagres eram atribuídos a causas que não tinham explicações plausíveis dentro da sabedoria da época. Era uma época organizada e satisfez durante certo tempo e a convivência entre ciência e religião foi orgânica. Porém esse aparente equilíbrio foi quebrado pela revolução das máquinas e o mecanicismo newtoniano. A física de Newton é possuidora de uma filosofia determinista onde admitia-se que sabedor das condições iniciais e das forças envolvidas no sistema, podia-se prever a trajetória, isto é, determinar o destino. A biologia, a medicina, o direito, a psicologia sofreram influências desse paradigma determinista. A metáfora de máquina ainda hoje repercute em nossas mentes e condutas. No início do século XX, os quantas foram teorizados. Pacotes de energia discreta com a capacidade de fazer algo acontecer foi identificado inicialmente por Planck e depois confirmado pelos trabalhos de Einstein em seus experimentos do efeito fotoelétrico. A matéria, antes vista como feita por “blocos de concretos”, agora passou a ser compreendida dentro de um espectro de probabilidade de existir. A luz possui um comportamento ondulatório e simultaneamente um comportamento corpuscular. Desse comportamento íntimo dos constituintes submicroscópicos da matéria emergiu o conceito da incerteza. Em um campo fundamental, onde a matéria nasce, não há certezas. Há, sim, probabilidades e com ela as possibilidades e as incertezas. Nasce uma ferramenta poderosa de cálculos de probabilidade: mecânica quântica.

 

A mecânica quântica consegue prever apenas a probabilidade de um életron existir. Em cada experimento realizado para se detectar o elétron e sua trajetória  pode-se apenas prever a possibilidade dele existir, mas nunca o elétron real. Não há trajetória que possa ser prevista quando estamos considerando objetos quânticos como o elétron. O átomo e seu modelo foi totalmente reconsiderado. O nascimento da luz (salto quântico e flutuações quânticas) é até hoje envolto em mistérios. O que é capaz de perturbar o “tecido” do espaço onde está inserido o átomo capaz de nascer a luz? Bom, ainda voltarei a esse assunto. Até a descoberta da física quântica, o observador não era considerado importante nos experimentos. Hoje, com o conhecimento da interconexão quântica existente entre todos os objetos quânticos, o observador é levado em consideração com papel fundamental. O observador é capaz de perturbar e interferir com o sistema que está sendo experimentado. O observador e aquilo que está sendo observado formam um todo inseparável e influenciam no resultado do experimento. Se a mecânica quântica é capaz de prever apenas a probabilidade de existência do elétron, fica a pergunta que não cala: O que causa a realidade então? Nasce uma interpretação audaciosa da física quântica que considera o papel do observador como fundamental. Nasce a interpretação da física quântica que considera a consciência como algo fora do sistema da mecânica quântica capaz de perturbar o sistema e provocar o colapso da função de onda do elétron e transformá-lo em realidade. A dualidade onda-partícula adquire um intermediário que é a consciência. A consciência é o verdadeiro poder causal da matéria. Sem consciência não haveria a realidade como a conhecemos. Daí, grandes pesquisadores, admitirem em uma época onde pouco se compreendia sobre esses fenômenos, afirmarem que nós criamos a realidade. Foi uma época onde as intenções de criar coisas materiais ganhou força. Bom, se eu sou capaz de criar a minha realidade, então eu quero uma BMW na garagem! Época ingênua. Há uma profundidade maior nessa descoberta. Uma profundidade muito maior que os desejos do EGO. Aqui nasce outra interpretação da física quântica: As escolhas são feitas por uma consciência que está além da consciência imediata(consciência egóica). Essa consciência que está além da consciência imediata é a consciência cósmica. Nasce um novo Deus. Nasce uma consciência cósmica não mais separada. Morre o Deus infantil personificado e nasce um Deus cósmico que participa ativamente e objetivamente das escolhas de suas criaturas. Nasce a Causa Primeira de todas as coisas, O Todo-Poderoso, Ser Supremo, Suprema Bondade, Altíssimo, Ser Divino, Divindade, Deus Pai, Rei dos Reis, Criador, Autor de Todas as Coisas, Criador do Céu e da Terra, Luz do Mundo e Soberano do Universo. A grande maioria das pessoas acreditam em um Deus que é um ser todo-poderoso (onipotente) que tudo sabe (onisciente) e dotado de uma bondade infinita (onibenevolente): que criou o universo e tudo o que nele existe; que é preexistente e eterno, um espírito incorpóreo que criou, ama e pode dar aos homens a vida eterna. Todos essas atribuições são construções humanas na tentativa de compreender a consciência cósmica que interconecta todos os seres sencientes. Hoje a ciência quântica consegue devolver Deus para a própria ciência e mais, consegue integrar aspectos que percorreram um trajeto separado até então: ciência e espiritualidade. Aspectos transcendentes agora podem ser compreendidos de maneira objetiva. Como o transcendente comunica-se com o manifesto? A resposta está na física quântica e na interpretação da filosofia idealista monista da realidade onde a consciência é considerada a base de tudo.

 

Dessa maneira, integramos a separação existente entre ciência e religião, entre ciência e espiritualidade. Podemos conversar e pesquisar os fenômenos da psique humana e todos os aspectos sutis, particulares e internos da mente humana. Integrados e cocriados simultaneamente com a matéria física corpórea dos 70  trilhões de células que constituem  o corpo humano. Conseguimos valorizar a energia vital e resgata-la para a biologia convencional que ainda está incompleta. Conseguimos pensar em um novo paradigma para a medicina onde as condutas levarão em consideração esses aspectos sutis, pois neles estão situados as verdadeiras causas das diversas patologias que afetam a saúde humana. Mudança de paradigma. Mudança de capacidade teórica que orienta a prática e as ações. Mudança de paradigma que impulsiona o ser humano para a necessidade da transformação íntima a fim de alcançar o propósito da evolução. Exatamente isso. Avanço tecnológico, computadores de última geração, computadores quânticos, processamento de informações cada vez mais complexas são construções externas.O cérebro humano tem dificuldade em lidar com a complexidade. As vezes, eventos não previsíveis também acontecem na vida e impulsionam para decisões e soluções novas. As vezes, esses eventos acontecem para diminuir a complexidade até um estágio mais simples que permita uma evolução. Muito mais que a tecnologia externa precisamos da “tecnologia” interna que é capaz de acessar uma rede energética de poder incomensurável capaz de criar a sua própria realidade. Educação das potencialidades do EGO. Motivações. A cada momento podemos fazer um destino diferente. A cada momento podemos colapsar uma possibilidade diferente e escrever histórias diferentes. A cada momento, a cada instante realizamos escolhas ainda baseadas em hábitos e condicionamentos. A cada momento podemos dizer não aos hábitos e condicionamentos e seguirmos um caminho diferente: o caminho do coração.

 

Abraços fraternos

 

Milton

 

Física Quântica e Einstein – Uma Visão de Heisenberg


Queridos Amigos,

Neste post apresento algumas poucas idéias retiradas do livro “A Parte e o Todo” de Heisenberg. Livro esse que recomendo a sua leitura, principalmente para aqueles que se interessam pelas descobertas da física quântica e o processo na qual ocorreram essas descobertas. Conversas presenciadas pelo próprio Heisenberg e diálogos diretos com Einstein e outros gigantes da física quântica. Esse livro foi uma indicação da minha amiga física Eliane Xavier a quem agradeço por essa oportunidade. Aos poucos vou trazendo informações sobre esses temas em posts posteriores. No momento, veremos trechos dos diálogos e, principalmente, como as crenças de Einstein coordenaram as idéias da física quântica. Boa leitura a todos!

Física Quântica e Einstein 

Visão de Heisenberg

“Deus não joga dados”

 

“É a teoria que decide o que podemos observar”

 

“Deus é esperto, mas não é malicioso”

 

“Quero saber como Deus criou o mundo. Não estou interessado nesse ou naquele fenômeno, no espectro desse ou daquele elemento. Quero conhecer Seus pensamentos, o resto são detalhes”

 

Einstein 

Essas frases de Einstein contribuiram muito para o desenvolvimento e compreensão da física quântica em seus primórdios. Heisenberg, Niels Bohr, Pauli, Einstein, Schrondinger, Paul Dirac, Max Born entre outros gigantes da física, conseguiram desvendar alguns segredos sobre a física do átomo. Como compreender um modelo que pudesse representar os fenômenos observados nos experimentos científicos? Qual matemática explicaria aqueles fenômenos? Questões que intrigaram Heisenberg. Mentes que questionaram. Conversas e mais conversas sobre os experimentos. Exercícios teóricos propostos por Einstein tentando mostrar deficiências da mecânica quântica, na verdade, fortaleceram o modelo quântico da realidade. Nenhum físico jamais viu diretamente e objetivamente um elétron. Tem-se fenômenos práticos e os físicos estudiosos tentam elaborar a teoria, através de exercícios mentais e conceitos, para chegarem a simplicidade e elegância de uma fórmula matemática. Guardam em seu interior as suas convicções e montam seus experimentos baseado nessas convicções. Einstein tinha as suas convicções.

A teoria da relatividade demonstrava que nada poderia ultrapassar a velocidade da luz e todos os fenômenos ocorreriam no espaço-tempo edificado por ele. Dessa forma, seus exercícios mentais obedeciam a essa convicção. Tentava um algoritmo matemático para explicar a descontinuidade do modelo atômico da época. Falava-se em saltos quânticos, mas não se compreendiam os espaços intermediários entre esses saltos. Planck estudara as radiações e chegou ao conceito do quantum. Uma pequena e discreta quantidade de energia nesses fenômenos não obedecia a uma continuidade. Era descontínuo.

Várias pessoas e amigos tentaram alertar Einstein sobre sua conduta. Paul Ehrenfest, físico de Leyden, na Holanda, disse-lhe: – Einstein, estou envergonhado; você está contestando a nova teoria quântica exatamente como seus adversários contestam a teoria da relatividade. Esse alerta de nada adiantou. Einstein permaneceu convicto de suas crenças. Tinha como meta investigar o mundo objetivo de processos físicos que tem lugar no espaço e no tempo, independentes de nós, de acordo com leis exatas. O mundo quântico afirma que na escala atômica, esse mundo objetivo do tempo e do espaço nem sequer existe. A matemática se refere a possibilidades e, não, a fatos. Esse raciocínio era nada mais nada menos de Heisenberg.

Ele conversava muito com Einstein, participavam de congressos onde expressavam suas idéias e experimentos. Foi uma fase áurea para a teoria quântica. Desses diálogos construtivos e nem sempre muito amistosos direcionaram as pesquisas para a obtenção de um modelo atômico que representasse suas teorias, livres de paradoxos. Aliás paradoxo, foi o que mais encontraram nesse caminho de descobertas. Em um desses paradoxos, Heisenberg começou a se indagar se não estavam fazendo o tipo de pergunta errado. Se o percurso do elétron na câmara de nuvem podia ser observado ele realmente existia; Mas a teoria quântica e sua instrumentação matemática através da mecânica quântica também existia, e era convincente demais para admitir qualquer mudança. Como conciliar os dois. Qual o elo entre os dois. Heisenberg lembrou-se de uma conversa com Einstein quando ele afirmou: “É a teoria que decide o que podemos observar”. Questionou a observação. O que estamos observando na câmara de elétrons pode ser menos que a simples trajetória, talvez observemos os “rastros”. Os elétrons são mais que o seus rastros. Vejam como a ciência evolui. A construção da física quântica foi dessa forma. Conversas, teorias, experimentos, perguntas. Quais perguntas devemos realizar? Quais dados vamos colher com essas perguntas? Qual a realidade que estamos criando com as perguntas que formulamos em nossas vidas?

A teoria decide o que podemos observar. Einstein está com a razão. As crenças determinam o que podemos perceber. Nós nos movimentamos no mundo segundo nossas crenças. Você acredita em determinismo? Em Predestinação? Então, pense no porque você olha para os dois lados da rua antes de atravessá-la? Eu entendo a dificuldade da ciência convencional em admitir a existência de algo fora do espaço-tempo. Porém, o fato de existir dificuldade em demonstrar por métodos científicos algo, não significa que esse algo não exista. A física quântica não é mais uma descoberta dos cientistas. Ela é a descoberta. É o ponto onde se converge o transcendente com o manifesto. Com certeza, aquele que não fica estonteado e encantado com os princípios quânticos não compreendeu a física quântica. Estamos em fase de construção. Entender o papel do observador. Entender onde nasce a luz? Entender o que é a Luz. Vamos refletir sobre tudo isso em posts futuros a medida que também vamos refletindo sobre como esses princípios podem ser empregados na biologia humana e expandir a compreensão da neurociência e, finalmente, chegarmos na existência da consciência, não como subproduto do funcionamento bioquímico do cérebro, mas como parte integrante da essência de todos nós. Qual a natureza da consciência? Lembre-se: é a teoria que decide o que podemos observar. Escolha? Ou não temos livre arbítrio como querem alguns filósofos?

Abraços fraternos.

Milton

Física quântica, memórias, percepções e o processamento inconsciente.


FÍSICA QUÂNTICA

MEMÓRIAS E PERCEPÇÕES

PROCESSAMENTO INCONSCIENTE

“Todo homem é uma criatura da época em que vive, e muito poucos são capazes de se colocar acima das idéias dos tempos.”

Voltaire

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Dando continuidade ao nosso raciocínio sobre a importância do novo inconsciente e a contribuição da física quântica para a expansão dessa compreensão, vamos buscar um entendimento sobre o paradoxo existente entre percepção e memória. Hoje em dia, baseado em novos parâmetros de observação pelo laboratórios de neurociências, podemos compreender como “construímos” nossas memórias. A memória é necessária para a percepção de um objeto. Quando entramos em contato com qualquer objeto de nossa experiência, recrutamos uma série de informações dos padrões neurais existentes, até então, para perceber (percepção) o mesmo, identificando todas as características inerentes ao objeto. Podemos afirmar, então, que a percepção depende da memória. Pois bem, a percepção também é necessária para a “construção” da memória, caso contrário não teríamos lembranças dos objetos percebidos. Como resolver esse paradoxo. Perceberam? Percepção exige memória e memória exige percepção. Temos um aparato de memória e um aparato de percepção. Qual a relação causal entre eles? Qualquer circularidade observada dentro da ciência é considerada um paradoxo. A ciência materialista (interações materiais) admite a hierarquia simples como paradigma de estudo, orientando as pesquisas baseadas nesse critério de causalidade. A causalidade obedece um processo de causa e efeito onde um “poderoso chefão” é identificado (ou pelo menos há uma tentativa para tal). É assim que são as explicações causais dentro das interações materiais, isto é, partículas elementares formam átomos que formam moléculas, moléculas se reunem formando células, células se reunem formando órgãos (cérebro) que de suas atividades de interação por processos físicos e químicos produzem a consciência. É a famosa causação ascendente. Como a interação material pode causar algo que é sutil: a consciência, ou até mesmo os sentimentos e pensamentos. Como processos físicos e químicos dentro da biologia celular neural pode causar ou fazer emergir a consciência. Quem disse que tem que ser dessa forma?

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Bom, além do campo filosófico que envolve tais considerações a ciência quântica pode contribuir para a solução desse paradoxo. Se admitirmos que é a consciência a base de tudo e não a matéria com suas interações materias, o paradoxo se desfaz. Como? É o sutil que causa o grosseiro. É o sutil quem coordena a forma. É o sutil, através dos campos de influência que organizam e se comunicam com a matéria e mantém a entropia dentro da ordem (entropia entendida aqui como a tendência de qualquer sistema em caminhar para a desordem). É o sutil, por intermédio da consciência (que também podemos chamar de espírito, alma, dependendo da religião em questão) quem escolhe as possibilidades da matéria e mantém a ordem do sistema. Estamos realmente invertendo, de forma radical, a causalidade. Ela é chamada pela nova ciência, ou ciência alternativa, de causação descendente. O sentido não é apenas da terra para o céu, mas também do céu para a terra. Feito essas considerações filosóficas científicas, vamos aprofundar o raciocínio dentro da compreensão do que vem a ser as memórias sob o conceito do novo inconsciente com seu processamento inconsciente. Lembrando que processamento consciente e processamento inconsciente estão dentro da consciência – base de tudo – essência do ser – o “eu” de cada experiência – o sujeito que testemunha tudo em qualquer observação. Podemos também nos referir a esses processamentos como mente consciente e mente inconsciente. A neurociência cognitiva, atualmente, estuda justamente a mente-cérebro-comportamento. Cabe ressaltar que há muitas pesquisas atuais que buscam entender como essas “foças subterrâneas” coordenam e controlam a mente consciente.

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Vamos analisar a matéria da consciência. O cérebro possui áreas responsáveis pela memória. Houve uma época em que a ciência procurava a localização da memória no cérebro. Houve época onde a ciência ignorava os aspectos mentais e dedicava-se exclusivamente ao estudo do comportamento (Behaviorismo). A metodologia científica apresenta falhas por ser realizada por seres humanos também falhos, mas ainda é um instrumento poderoso de investigação. Hoje observa-se que a ciência é a distribuidora oficial de verdades. Isso mesmo! A mesma posição assumida pela Igreja em épocas passadas. A igreja já foi a distribuidora oficial de verdades. Se você questionasse seus dogmas com outras idéias o destino era a fogueira! Atualmente, a ciência não queima ninguém de forma literal, mas queima a credibilidade do investigador e o coloca em um ostracismo apenas por querer estudar esses aspectos sutis do ser humano, que por natureza, são repletos de viéses. Mas podemos utilizar da própria metodologia científica para estudar os aspectos sutis com algumas adequações. Pessoas sérias são desacreditadas. Bom seria se houvesse uma integração entre ciência e espiritualidade e essa é a proposta do novo paradigma proposto pela física quântica. Integração entre ciência e espiritualidade. Explicar como aspectos transcendentes do ser humano podem e influenciam a matéria de que ele é formado. Esse entendimento passa pelo conhecimento e experimentos bem realizados, seguindo os padrões da metodologia científica, pela física quântica de onde emergiu os princípios quânticos que explicam a comunicação além da velocidade da luz (não localidade), que explica a causalidade além dos fatores envolvidos no sistema (hierarquia entrelaçada) e explica a descontinuidade e os saltos característicos do mundo quântico. Todos esses princípios são assinaturas da causação descendente e explica como a tendência natural a desordem (entropia) é revertida em ordem.

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Mente e cérebro indubitavelmente tem uma correspondência de interligação codependentes. A mente é capaz de moldar o cérebro. O que você pensa é representado no cérebro com a formação de redes neurais e explosão de vários neurotransmissores, que são rapidamente reabsorvidos e duram cerca de frações de segundos na fenda sináptica. É a linha de pesquisa atual dos behevioristas que usam o termo biocomportamental oriundo da integração da neurobiologia e as novas descobertas da neurociência explicando o comportamento, reforçando o movimento das moléculas produzidas e que determinariam esse comportamento. Há controvérsias! Da mesma forma, modificações que ocorrem no cérebro são capazes de modificar a mente, permitindo uma modelagem da mesma. Como é feita essa representação no cérebro? A resposta está nos padrões das redes neurais e nas moléculas envolvidas no processo. A bioquímica e física envolvida nesses processos é de entendimento complexo, mas a cada dia uma nova luz é lançada e a compreensão torna-se cada vez melhor a cerca do processo de construção da memória. Pensemos um pouco em como é sintetizada a proteína envolvida na transmissão do impulso nervoso denominada neurotransmissor. Quando falamos em neurotransmissores (Serotonina, Dopamina, GABA e etc) estamos mencionando as proteínas envolvidas na fenda sináptica que são responsáveis pelas conexões entre os neurônios e, consequentemente, pela transmissão e propagação da informação pela rede nervosa, estabelecendo uma comunicação entre as células nervosas e destas com outras células (muscular por exemplo) determinando a contração muscular e como consequência o comportamento. Um pequeno parenteses. Hoje há várias pesquisas sérias levantando a hipótese de poder existir um outro tipo de comunicação energética pelo corpo através do sistema conectivo ou tecido conjuntivo. Esse tecido é responsável pela conexão entre células e órgãos de diversos sistemas do corpo humano. Essa característica é observada no tecido conjuntivo pelo fato dele preencher espaços entre as células e tecidos, bem como órgãos. Fecha parenteses. O novo inconsciente passa pela compreensão desses padrões neurais que representam as informações que caracterizam as experiências do ser humano. A teoria cognitiva e o novo inconsciente resgatam o estudo da mente e seus circuitos cerebrais que a representam. O que se passa na mente molda o cérebro e o que se passa no cérebro molda a mente.

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Intuição, pensamento e sentimento são considerados objetos quânticos pelos princípios bem documentados da física quântica. Por serem objetos quânticos, não há como determinar posição e velocidade simultaneamente. Se você se concentrar no conteúdo do pensamento você perde informação sobre o direcionamento do pensamento e vice-versa. Não há como determinar simultaneamente ambos. Faça a experiência!! Pensamento assim como um elétron é uma onda de possibilidade. Tem o potencial de tornar-se realidade. Para que ocorra o colapso de onda da matéria do pensamento há necessidade do cérebro. O pensamento é representado no cérebro através dos padrões e circuitos neurais e também dos neurotransmissores. Para não violar a lei de conservação de energia, a consciência escolhe simultaneamente os padrões neurais do cérebro com suas moléculas e surge a representação do pensamento com seu significado. É assim que construímos nosso sistema de crenças, assunto que vou abordar em outro post futuramente. Simples e complexo assim! Uma assinatura da causação descendente da consciência é a hierarquia entrelaçada onde algo fora do sistema é o verdadeiro poder causal escolhendo entre duas ou mais opções correlacionadas. Mente e cérebro estão correlacionados. A consciência contém ambos. Como a consciência escolhe o processamento inconsciente e o consciente não há violação da lei de conservação de energia. O mesmo raciocínio pode ser estendido para os sentimentos. Nesse caso, podemos entender as moléculas da emoção: receptores opióides e neuropeptídeos. Entender as pesquisas de Damásio, segundo a contribuição da física quântica, traz uma nova luz na regulação da vida. Uma enorme quantidade de informações inconscientes são organizados por campos sutis – campo morfogenético – presente em um outro campo superior – corpo vital – o movimento da energia vital dentro do corpo vital é o sentimento.

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Campos dentre de campos. Assim é o comportamento da evolução. Aumento da complexidade da forma observada na evolução obedece a esse princípio: campo dentro de campo. Átomos dentro de moléculas. Moléculas dentro de células. Células dentro de órgãos. Órgãos dentro de organismos. Campos dentro de campos. A energia envolvida no processo abedece a um “evelopamento” diferente porém ao mesmo princípio de campo dentro de campo. A energia densa dos átomos são “envelopados” dentro das moléculas e emerge uma nova energia que sustenta a forma da molécula e agora mais sutil quando comparada a energia densa do átomos. A medida que a forma se torna cada vez mais complexa, a energia se torna cada vez mais sutil. Basta isso no momento, para compreender a dinâmica da evolução. A essência presente em todos nós evolui e ainda vou mais adiante, essa essência tem novas oportunidades de experimentação (reencarnação) para que a individualidade do ego eduque suas potencialidades e nesse processo de educação alcance mais sutilezas energéticas capazes de serem representadas no cérebro durante o período que aqui vivemos. Essa seria a teoria da consciência egoísta! (hehe) Uma crítica sutil ao gene egoísta de Dawkins. Só que é um “egoísmo altruísta”, isto é, tem um propósito! A consciência deve buscar representar cada vez mais aspectos de ondas de possibilidade de alta teor vibratório (alta frequência e alta amplitude) para que energias cada vez mais sutis possam ser expressas no comportamento. Quem sabe o amor incondicional entre as pessoas não esteja nessa categoria (alto teor vibratório) e estajamos engatinhando para representá-lo em nosso comportamento. Sei que isso pode parecer tudo muito complexo e de difícil entendimento em um primeiro momento, mas aos poucos e com empenho e vontade vamos vencendo dificuldades teóricas e técnicas e realizando experimentos cada vez mais esclarecedores para que a reencarnação seja um dia reconhecida como uma lei biológica. E o mais importante, saber utilizar esse conhecimento para que o comportamento reflita tal entendimento.

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Estamos construindo memórias! Para compreendermos a construção dessas memórias precisamos entender a especialização que há em nossos hemisférios cerebrais – esquerdo e direito – e a importância dessa especialização na divisão de tarefas e como o processamento inconsciente atua utilizando-se de ambos simultaneamente. Vale ressaltar que várias pesquisas dentro da neurociência considera que talvez a lateralização tenha sido um dos elementos cruciais na expansão das faculdades mentais que nos tornam humanos. No entanto, um efeito colateral dessa configuração pode ter sido a complexificação das relações entre processamento consciente e inconsciente, por meio da evolução de um módulo, o INTÉRPRETE, cuja missão é unificar nossa experiência subjetiva construindo um roteiro explicativo internamente coerente. A conquista atual do cérebro, construído pela evolução criativa da consciência através dos séculos e séculos, mostra que ele é composto por uma coleção de módulos especializados que foram conquistados resolvendo-se vários problemas complexos que apareceram durante essa evolução. Esse “intérprete” – hemisfério esquerdo – busca explicações sobre as razões pelas quais os eventos ocorrem. Nesse processo, preenchem lacunas construindo narrativas fictícias ao reprimir informações, racionalizar e distorcer os fatos para reduzir a dissonância. Assim, o intérprete produz os mecanismos de autoengano e representações equivocadas da realidade, isto é, cria a sua realidade equivocada. Por essa razão, insisto que há necessidade de um “mergulho” nas memórias implícitas, pois as mesmas podem ter sido construídas com autoenganos e terem sido editadas de maneira a satisfazer a realidade criada ou cocriada. A meditação também se torna uma ferramenta poderosa para compreender os temas que alimentam os significados.

Campos morfogenéticos

A regulação da vida, como analisado no post anterior, é praticamente entregue ao processamento inconsciente, que reflete uma “inteligência” por detrás desses fenômenos do inconsciente. Não podemos insistir no equívoco de reduzir tudo às moléculas como se elas soubessem tudo sobre as circunstâncias da vida. Do meu ciúme, das alegrias, da felicidade, da raiva, do ódio, do rancor e etc. Elas representam os aspectos internos da consciência, considerados sutis. Esses aspectos estão em uma campo de organização e influência também sutis – campos morfogenéticos – que sobrevivem após a cessação do corpo físico. Essa ciência alternativa, por assim dizer, está longe de ser aceita pelos establishment da ciência convencional materialista, mas caminha a passos largos para se estabelecer como um novo paradigma capaz de explicar e possibilitar a modificação e transformação da alma humana (consciência). Caso contrário, observaremos a separação e o dualismo naturalista envolvido nas explicações “milagrosas” da ciência materialista buscando incansavelmente o sutil como resultado das interações e movimentos das moléculas e distanciando cada vez mais a ciência e o ser humano da sua natureza espiritual. As pesquisas científicas são muito importantes, quero deixar isso bem claro. Porém há uma supervalorização do hemisfério cerebral esquerdo e falta uma integração. Onde está localizada a memória? No hipocampo? No córtex parietal inferior? O que há lá de especial capaz de armazenar uma informação por um curto período ou um período maior de tempo? Neurônios? Neurotransmissores? Células da memória? Qual o substrato biológico material envolvido no processo de memória? A teoria do novo inconsciente vem fornecendo uma nova abordagem desses aspectos, apesar de estar longe da compreensão da consciência. Mas já é um início. Como construímos nossos padrões de escolhas? Como construímos nossas memórias que acabam influenciando na forma como percebemos o mundo e até mesmo na forma como adquirimos o conhecimento das coisas? A verdade é que construímos nossas crenças em uma interação dinâmica com o ambiente (que fornecem os estímulos) e, somente depois, realizamos o fortalecimento delas. O Intérprete do hemisfério esquerdo cria as histórias coerentes para manter essas crenças. Temos memórias. Temos percepções. Temos processamento consciente. Temos processamento inconsciente. Temos a vida a disposição! Acreditar na imortalidade da alma talvez seja mais uma crença dentro do sistema de crenças existente. Porém, ela é capaz de causar modificações profundas no comportamento e a transformação necessária para que os valores sejam novamente respeitados nesse Planeta.

Abraços fraternos

Milton