Transformar a nós mesmos e o mundo com as idéias da física quântica.

Arquivo para setembro, 2012

Vida: O dentro e fora de todas as coisas.


Vida: O dentro e fora de todas as coisas.

 

Matéria e energia formam um binômio inseparável. São pólos de uma mesma substância. A matéria densa com todas as suas forças: eletromagnética, força forte, força fraca e gravidade compõe o espectro de ação e interação de todas as coisas  visíveis do Universo.  A matéria inerte, sem a energia vital, possui um “psiquismo” incipiente regido por essas “forças” de interação material. Seria uma “consciência” incipiente; uma consciência que seguirá um desenvolvimento; uma consciência que irá ascender. A consciência necessita se expressar. Para isso utiliza-se da matéria densa para criar representações. Há uma necessidade de “intelectualizar” a matéria conforme orientação do plano espiritual em O Livro dos Espíritos. Nesse processo podemos pensar em uma “materialização” da consciência e uma “intelectualização” da matéria. Pois consciência e matéria ficam “acopladas” de tal maneira que não há separação.

 

Nesse processo de ascensão, por assim dizer, a consciência necessita de formas mais complexas para representar suas expressões internas. Necessita do externo para representar seu interno. Dessa maneira, a realidade parecerá um dualismo entre esses aspectos internos e externos. Quando valorizamos um em detrimento do outro tendemos a separação. A ciência com seu establishment supervaloriza o lado externo de todas as coisas; as interações materias e sua conservação de energia. Mas todo aspecto externo tem um correspondente interno em equilibrio e simultaneidade. Há um “psiquismo” interno que almeja ser representando no externo. A matéria inerte guarda o “germe” da consciência.

 

Nesse processo de formas mais complexas ocorre a requisição de energias mais sutis que permitem uma expressão interna da consciência também mais complexa. Individualidade composta. Isso é um comportamento básico da Natureza e obedece a um princípio de individualização com formas mais complexas e energias mais sutis. Um átomo é uma individualidade composta. Possui seu “psiquismo” interno rudimentar e denso. A energia densa que sustenta a forma do átomo almeja por mais expressão; necessita de formas mais complexas e diante desse “querer”, obedecendo a um propósito, transcende a sua forma para uma mais complexa: uma molécula. A molécula é uma nova individualidade e, ao mesmo tempo, incluiu os átomos em sua constituição tornando-se composta. O “psiquismo” rudimentar do átomo agora consegue novas expressões ao “evoluir” para uma molécula. A energia tornou-se mais sutil. Um campo organizador permitiu o aparecimento de uma forma mais complexa. A consciência consegue expressar um grau de complexidade maior. Transcendendo e incluindo.

 

As interações materiais guardam uma aparência de aleatoridade. Aparência, pois elas obedecem a campos de organização sutis. O fenômeno da cristalização dos minerais também obedecem a esses campos mórficos. Esses cristais são constituídos por átomos que são constituídos por partículas elementares que são constituídas por…partículas ainda mais elementares? Aqui a física quântica demonstra o reino das possibilidades. Essas “partículas” estão em um campo transcendente, em possibilidade e potentia, prontas para serem transformadas, convertidas, colapsadas no tempo e espaço compartilhado que é o nosso. Incerteza e conexões e interconexões. Nesse campo primordial todos as partículas elementares estão conectadas; formam um todo inseparável e proporcionam uma espécie de comunicação sem trocas de sinais denominada não localidade. Uma oscilacão nesse campo primordial nascem as partículas elementares; nascem as interações materiais; nascem o ir e vir da energia culminando na “coagulação” ou “congelamento” da mesma em matéria. Um elétron é uma onda de possibilidade. Um próton é uma onda de possibilidade. Um neutron é uma onda de possibilidade. um átomo é uma onda de possibilidade. Uma molécula é uma onda de possibilidade. Matéria e todas as suas interações são ondas de possibilidades. A energia é possibilidade. Temos de admitir algo fora da jurisdição da mecânica quântica capaz de transformar possibilidade em realidade, capaz de provocar essa “perturbação” que irá promover a oscilação do campo primordial e provocar o colapso da função de onda da matéria e transformá-la em realidade. Essa realidade, agora manifesta e particularizada, guarda em sua essência dois domínios: Aquela das possibilidades transcendentes de onde veio e a nova partícula manifesta. A intermediária desse processo de formação da realidade é a consciência. “Psiquismo” inerte dos minerais passando pelo “psiquismo” dos vegatais  e animais até o despertar no reino hominal como consciência plena.

 

Assim podemos inferir que esse algo fora da jurisdição da mecânica quântica seja a própria consciência. Esse algo incorpóreo que comanda o colapso da função de onda e organiza a forma manifesta. Utiliza-se do campo de organização mórfica capaz de gerenciar todas as infinitas reações e ligações disponíveis a fim de conseguir o intento da expressão. Quando todas as possibilidades convergem para um determinado ponto no processo evolutivo da forma, esse “psiquismo” consegue dar um salto para uma nova forma mais complexa. Consegue transcender e incluir. Muda o campo organizador, muda a forma, muda a energia que a sustenta. Muda a expressão da consciência (psiquismo). Quando as possibilidades para o aparecimento da vida biológica ocorreu com a formação do RNA e protéinas, a consciência conseguiu colapsar as possibilidades simultaneas para que a energia vital emergisse nesse processo, A vitalização “emergiu” no processo de ascensão da consciência. Forças primordiais de coesão permitiram a emersão de uma energia mais sutil capaz de sustentar as macromoléculas. Emergiu a energia vital que em essência é proveniente da matéria cósmica, isto é, desse campo primordial de energia incomensurável chamado pelos cientistas de campo do ponto zero. Assim, surge a possibilidade da célula. Uma célula é uma individualidade composta. A célula transcendeu átomos e moléculas e os incluiu em sua constituição. Nesse processo “envelopou” todas as energias que sustentavam átomos e moléculas e permitiu o surgimento da energia vital. Explode a vida no planeta. O Universo se faz realidade. A evolução da vida, juntamente com a ascensão da consciência, se torna possível.

 

Consciência é vida! Vida é consciência!

 

Abraços fraternos.

 

Milton

 

Referências Bibliográficas

 

O Fenômeno Humano – Teilhard Chardin

A Evolução Criativa das Espécies – Amit Goswami

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

Espiritualidade Integral – Ken Wilber

A Gênese – Allan Kardec

Alquimia da Mente – Hermínio C.Miranda

 

Como Conhecemos o que conhecemos?


COMO CONHECEMOS O QUE CONHECEMOS?

Como podemos confirmar ou justificar o conhecimento?
Como sabemos que não estamos enganados, confusos, ou até mesmo delirando?
Todo o conhecimento adquirido por meio de qualquer “olho” do saber passa por 3 ramificações:

Injunção: “Se você que saber isso, faça isso”
Apreensão: Experiência imediata do que será exposto pela injunção, isto é, uma apreensão de “dados”. Essa é a apreensão direta de dados produzidos pela injunção em questão, sejam esses dados uma experiência sensorial, mental ou espiritual.
Confirmação (ou rejeição): É uma comparação dos resultados – os dados, a evidência – com outros que tenham adequadamene completado as etapas da injunção e da apreensão.

A etapa da injunção de todo o conhecimento leva a uma apreensão, uma revelação direta dos dados. Essa revelação é então verificada (confirmada ou refutada) por todos os que realizam adequadamente a injunção e assim revelaram os dados.

A etapa da injunção é muito importante e trata-se da mola propulsora de todo o conhecimento. Pensar que a evidência e os dados estão simplesmente por aí, esperando para serem percebidos por tudo e todos não seria de todo má idéia, porém temos que possuir um “querer” observar, temos que fazer as perguntas corretas para obter as respostas que estamos procurando conhecer. Os dados não estão prontos. Os dados não nos são dados assim de graça!!! A etapa da injunção é justamente isso: se queremos conhecer alguma coisa, que façamos alguma coisa. Essa é a idéia. Somos seres participatipos do Universo. A partir do momento que queremos conhecer e damos início ao ato de experimentar passamos a fase seguinte que é apreender, através dessa experiência, os dados. A injunção leva a apreesão dos dados. O fato de eu observar e querer conhecer leva ao colapso de onda do que está sendo observado e passa a fornercer dados imediatos dessa experiência. O erro materialista está em valorizar apenas a experiência fornecida pelos sentidos. A experiência mental também deve ser valorizada assim como a experiência espiritual dos estados meditativos. Ambos fornecerão dados que poderão ser confrontados com outros dados que cumpriram as etapas de injunção e apreensão.

Se você quer conhecer as estrelas mais distantes, você precisa de um telescópio. Se você quer conhecer Jung você precisa aprender a ler. Se você quer conhecer os teoremas de Pitágoras é preciso aprender geometria. Se você quer conhecer isso, você deve fazer isso. Essa é a etapa importante da injunção. Aqui vale uma conversa sobre nossas intenções. As intenções devem ser participativas – somos cocriadores da nossa realidade – os dados que obtemos são produzidos após o nosso querer em conhecer algo. Nessas descobertas de dados vamos cocriando a realidade. Ela exisita apenas em possibilidade. Há infinitas possibilidades. Escolhemos a nossa realidade após termos cumprido a primeira etapa em busca do conhecimento: a injunção. Temos que experimentar para poder adquirir a “iluminação”. A apreensão desses dados após a ato de querer, após a injunção não precisa ser necessária e obrigatóriamente restriita aos “olhos ” exclusivos dos sentidos. Tanto injunção quanto apreensão podem utilizar outros “olhos” – o olho da carne através dos sentidos, o olho da mente através dos pensamentos e o olho do espírito através do transcendente. Todas forneceram dados a partir da sua injunção e poderão ser confrontadas com outros dados validando ou não esses dados. Se você quer conhecer isso, faça isso. Grande verdade!

Há aqui outras grandes sutilezas. A escola de estudos integrais de Ken Wilber tem desenvolvido uma tarefa infindável na expansão e integração da consciência. Mas parece que ainda falta alguma coisa. Não houve integração plena. Desses estudos, compreendemos que a consciência possui seus aspectos internos como pensamentos, sentimentos, emoções etc. Visto de um ângulo interno é isso que iremos encontrar. Visto por um angulo externo, encotraremos uma estruturação diferente onde esses pensamentos, sentimentos, emoções etc estão ancorados. Assim a consciência tem seus aspectos internos e externos dentro da perspectiva do EU. Seria o EU visto de dentro e de fora. Dentro são os fenômenos e de fora são as estruturas. Estágios de desenvolvimento da consciência são as estruturas da consciência, é o aspecto externo da consciência. Assim podemos identificar vários estágios do desenvolvimento como: Estágio onde a consciência encontra-se na fase do arcaíco, do místico, do pluralismo, da integração, apenas como exemplo. Esses são aspectos visto de fora da consciência e pode haver uma interrelação entre ambos. Fenômenos e estruturas. Interno e Externo. Podemos estudar as estruturas sem compreender os fenômenos internos e vice-versa. Podemos meditar sem compreender os estágios de desenvolvimento e podemos estudar os estágios de desenvolvimento sem alcançar o sartori.

Abraços fraternos
Continuará em breve.
Milton

Referências Bibliográicas

Todos os livros de Ken Wilber.

Fisiologia quântica


FISIOLOGIA QUÂNTICA
Interação dos corpos sutis com o corpo físico.
Um início…

Como se transforma intuição em algo manifesto no corpo físico?
Como se transforma pensamento em molécula?
Como se transforma sentimento em emoção (moléculas da emoção)?
Como interage e qual é a fisiologia “quântica” dos corpos sutis com o corpo físico?

Sabemos da funcionalidade desses corpos sutis e da necessidade lógica da existência de cada um deles. A fisiologia humana conhece bem os “mecanismos biológicos” na qual a física clássica de Newton bem explica esses mecanismos. Uma molécula A atua e interage com uma molécula B e dessa interação emerge uma consequência, um efeito. Temos assim sempre uma causa e um efeito. Mas será que é sempre assim que acontece? Tomemos como exemplo o pensamento. O que é o pensamento? Qual sua constituição material? A física quântica compreende o pensamento como sendo um objeto quântico, isto é, uma possibilidade de escolha da consciência. Mas voltando a nossa questão: Como se transforma pensamento em molécula?

Conseguimos constatar nossa intenção. Uma vontade e o pensamento nasce. Uma vibração, uma oscilação perturba um campo primordial em uma amplitude e frequência específica e uma série de eventos cerebrais acontecem simultaneamente a essa vontade, a essa intenção. O que representa o pensamento no corpo físico? acredita-se que os neurotransmissores exercem esse papel. O que há entre a origem do pensamento e a origem dos neurotransmissores? Mas há um “silêncio”, há uma descontinuidade entre o pensamento e as moléculas que o representam. A física clássica não pode explicar esse fenômeno com a linearidade que lhe é peculiar. Há uma salto descontínuo entre a origem do pensamento e todas as etapas imperceptíveis que acontecem até o momento de nascer a percepção consciente daquele pensamento em nossa “tela” mental. Por exemplo: Quando intenciono pensar em uma rosa, imediatamente vários padrões de disparos neuronais acontecem com a produção de neurotransmissores específicos que conectam os neurônios que farão “emergir” a imagem da rosa que eu havia intencionado pensar. Entre a vontade de pensar na rosa e o surgimento dos neurotransmissores que irão criar a representação da rosa existe um campo sutil, um campo quântico, onde ocorre a transformação do pensamento em moléculas que o representam. Essa etapa não é linear, ela é descontinua.

Esse simples fenômeno diário de nossas percepções, isto é, PENSAR, trata-se de um evento que exige o mundo quântico. Esse tipo de interação não ocorre como simples choques entre bolas de bilhar A e B. É como se existisse uma linha, uma mesa, algum marco divisório entre o nascimento da rosa e todos os milhares de neurotransmissores necessários para essa representação. Algo acontece abaixo dessa linha e outras coisas acontecem acima dessa linha. Acima da linha divisória está toda sequência de eventos que respeitam as leis da física clássica. Mas o que determina o surgimento dos eventos acima dessa linha é justamente algo que acontece abaixo dela. Esses acontecimentos são capazes de coordenar os milhares e milhares de eventos simultâneos necessários para existir a rosa em minha percepção, em minha “tela” mental. É como se existisse uma “curva” e, não, uma reta conectando ambos os eventos. Isso dá a impressão de separação que percebemos entre esses eventos, mas na origem ambos estão conectados. O próprio comportamento de onda e partícula que o mundo quântico possui obedece esta descontinuidade entre os eventos. Há um campo abaixo da linha que possui o verdadeiro poder causal de todas as moléculas e mecanismos biológicos existentes no corpo físico que , em última análise e síntese, representa o mundo sutil. O corpo físico faz representações do sutil.
Por isso afirmamos que a interação entre os corpos sutis e o corpo físico ocorre de forma descontínua, não local e obedece a uma hierarquia entrelaçada. Quando a ciência estuda os “mecanismos biológicos”, ela estuda todos os eventos que acontecem acima da linha. Depois que surge B a ciência consegue determinar o aparecimento de C, de D, de E e assim sucessivamente até atingir um feedback para interromper as reações ou interações.
Determinar B, C, D, E e assim por diante é tarefa que a ciência médica faz e fez com muito louvor. Mas determinar de onde surgiu A e como ele interagiu com B para iniciar a sequência isso ainda não foi detectado (A seria o pensamento e B o neurotransmissor). Esse eventos quânticos que acontecem proporcionando a possibilidade de nossas percepções e memórias guardam essa descontinuidade. Tem um campo primordial que envolve todos os corpos sutis que “fazem” os eventos quânticos acontecerem.

Temos um impulso da Consciência responsável que determina o início da transformação de A para B, ou seja, do pensamento da rosa para os neurotransmissores que criam os padrões neuronais que representam a rosa. A memória da rosa também está presente nesse campo primordial que permeia a tudo e a todos. A oscilação, a vibração, a amplitude e frequência daquilo que representa a rosa é única para aquele evento e estará sempre a disposição para qualquer acesso futuro quando necessário. Os pensamentos vem e vão. A mente trabalha ininterruptamente e torna-se tagarela por assim dizer. Os significados dependem da ação desse corpo mental, dos pensamentos, tanto para significar os contextos (arquétipos) quanto para significar os sentimentos (movimentos da energia vital pelos campos morfogenéticos e percebidos pelos centros vitais). Conhecer essa dinâmica de funcionamento de nossas intuições, de nossos pensamentos, de nossos sentimentos abrirá oportunidade para conhecermos e estudarmos os diversos desequilíbrios que acomentem nosso corpo físico. Essas doenças podem agora ser compreendidas como um funcionamento inapropriado de nossos corpos sutis além de um funcionamento inapropriado de nosso corpo físico que , última instância, representa os corpos sutis.

O corpo físico em si é uma maravilha de complexidade, sincronicidade, sabedoria, ressonância e só com isso escreveríamos compêndios e compêndios sobre tudo o acontece “acima da linha”. Mas, agora estamos tentando escrever sobre o que acontece “abaixo da linha” e que realmente determina, isto é, é o poder causal verdadeiro de tudo o que acontece “acima da linha”. Temos uma vida, temos um nascimento, temos os relacionamentos, temos a morte, temos o que depois da morte? Sem essa compreensão libertadora de que há algo “abaixo da linha”, esse algo que pode sobreviver após a morte ficaríamos presos ao nada. Ter a perspectiva de que algo pode sobreviver a morte, muda nosso posicionamento perante o viver. Tudo passa a fazer mais sentido e passamos a encarar a vida como um fenômeno necessário para a evolução da consciência. Observem a evolução da forma? Observem a evolução dos aspectos da consciência durante a história da humanidade? As expressões dos aspectos internos da consciência se modificam durante esse processo. Temos consciência com um grau de compreensão que obedecem a uma determinada “altitude”. Alguns já tem acesso a essas informações, outras ainda não. Algumas consciências compreendem o pluralismo, outras não. Algumas compreendem a integralidade e agem dessa forma, outras não. Algumas ainda estão na compreensão do mágico e do místico, outras não. A consciência possui um espectro de evolução e várias linhas de desenvolvimento. Cada consciência compreende a fé, a cognição, o EGO, os valores, a moral, o sentimentos de forma diferente entre si. Alguns são egocêntricos, alguns já percebem o outro em uma atitude etnocêntrica e tem algumas consciências já com abordagem globocêntrica. Essa maravilha de diversidade traz a necessidade de respeito e compreensão das diferenças. Somos 7 bilhões de pessoas habitando o planeta terra. Somos 7 bilhões de consciências em processo evolutivo com diferenças entre si. Somos 7 bilhões de oscilações permeadas pela consciência cósmica que interconecta todos por um campo fundamental.

Abraços fraternos

Milton

Altos e Baixos da Evolução da Consciência.


ALTOS E BAIXOS DA EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA

 

Acredito na evolução! Em uma evolução criativa da consciência. Nesse processo dinâmico, a que todos os seres sencientes estão submetidos, podem aparecer sinais e sintomas de patologias. Vários estudiosos do setor da evolução identificaram que a consciência evolui passando por estágios e níveis de desenvolvimento e crescimento.  A consciência possui por assim dizer um “espectro” da mesma forma que a luz divide-se em diversas freqüências que caracterizam o espectro eletromagnético.  O espectro da consciência é caracterizado por níveis e estágios de desenvolvimento e crescimento. A evolução da consciência apresenta altos e baixos e torna-se importante para todos nós, envolvidos no processo de autodescoberta e autoconhecimento, a constatação do seguinte fato: passamos por esses estágios e níveis de desenvolvimento e crescimento. Dependendo do nível/estágio que se encontra a consciência, compreende-se de forma diferente os diversos aspectos do crescimento pessoal.

Esses aspectos do desenvolvimento e crescimento da consciência são chamados pelos estudiosos da psicologia transpessoal de “linhas de desenvolvimento”. Assim temos a linha de desenvolvimento da moral, da cognição,  da emoção, da fé e assim por diante, ou seja, há várias linhas de crescimento e desenvolvimento que a consciência possui para a a evolução. Cada uma dessas linhas são abordadas, vivenciadas de acordo com o nível/estágio de desenvolvimento em que se encontra a consciência. Que maravilha essa compreensão!!! Se estou em determinado nível/estágio egoísta, por exemplo, a realidade que criarei para o meu viver será baseada nessa visão de mundo, ou seja, fé, cognição, moral, emoção, sentimentos serão vistos apenas sob a visão egoísta. Se estou em um nível/estágio etnocêntrico, que reconhece o outro e respeita suas diferenças, a maneira como abordarei e criarei minha realidade será baseada agora sob os auspícios dessa visão de mundo. E, assim, temos um espectro da consciência onde a humanidade  distribui-se com seus próprios níveis/estágios. São 7 bilhões de consciência no planeta Terra.  Para exemplificar vamos seguir a linha do desenvolvimento moral que pode ser compreendida em egocêntrica, etnocêntrica e globocêntrica. No estágio egocêntrico, a consciência age baseada no eu e nada mais importa; na visão etnocêntrica, a consciência age no mundo transcendendo a visão egocêntrica, incluindo-a em sua constituição e valoriza o outro; na visão globocêntrica, a consciência além de valorizar o “eu” e o “outro”, ele valoriza também “todos”, isto é, a consciência conseguiu transcender os estágio predecessores e inclui-los na sua constituição.

Nesse processo dinâmico e criativo da evolução da consciência pode-se encontrar distorções e patologias diversas e confusões exatamente devido ao espectro da consciência. A consciência evolui obedecendo a um principio de diferenciação e integração. Existe por assim dizer uma “dialética do progresso”. Vou explicar! Quando saltamos de forma criativa para um estágio posterior do desenvolvimento, a consciência ou resolve os problemas do estágio anterior ou deflagra novos e recalcitrantes problemas do novo estágio, problemas mais difíceis e complexos. Cada novo nível vai enfrentar problemas que não havia nos níveis precedentes. Cães tem câncer; átomos não! A consciência terá novas possibilidades, novas maravilhas, novos medos, novos problemas, novos desastres  que aparecem com a evolução. Ela evolui baseada no principio da diferenciação e integração e, as vezes, aí se encontram os motivos das diversas patologias da modernidade.

A consciência nesse processo dinâmico de evolução criativa, confunde diferenciação com dissociação, isto é, confunde a diversidade, as diferenças com separação. Em um processo que deveria transcender, diferenciar e incluir ela transcende e reprime. A diferenciação vira dissociação. Uma coisa é diferenciar mente e corpo, outra bem diferente é dissociar (separar) ambos. Podemos diferenciar cultura da Natureza, mas separá-las é patológico. Ken Wilber resumiu de forma perfeita esse processo: ” Diferenciação é o prelúdio da integração; Dissociação é o prelúdio do desastre”. Você tem escolhas. Você pode transcender e incluir, receber, integrar e respeitar ou você pode transcender e reprimir, negar, alienar e oprimir. “Quanto mais brilhante é a luz, mas obscura é a sombra” (Ken Wilber).

A evolução criativa obedece uma hierarquia natural de desenvolvimento. Durante o processo evolutivo o “todo” de um estágio se torna “parte” do todo do próximo estágio. Há, portanto, um todo/parte, isto é, átomos inteiros são partes de moléculas. Moléculas inteiras são parte de células. Células inteiras são partes de organismos e assim indefinidamente. Isso é a hierarquia natural no processo evolutivo em que há um aumento da complexidade da forma. No entanto, podemos observar algumas hierarquias patológicas nesse processo. Há uma arrogância de algumas partes que não toleram serem apenas partes de um todo. Elas querem ser o próprio todo e ponto final. Querem dominar. O poder substitui a comunhão de suas partes; a dominação substitui a comunicação; a opressão substitui a reciprocidade e assim essas hierarquias patológicas deixam suas marcas a ferro e fogo na carne torturada de incontáveis milhões, um rastro de horror, pois não conseguem transcender sem reprimir.

O espectro da consciência possui altos e baixos em seu processo dinâmico de evolução criativa. Fragmentamos esse desenvolvimento e esse crescimento. Observa-se também que estruturas superiores podem ser subjugadas por impulsos inferiores. Você não pode fazer genocídio com apenas um arco e flecha, mas com uma bomba atômica…  A semente precisa se diferenciar para crescer até ser uma árvore. Mas, se você vê cada diferenciação como uma dissociação, confunde-se totalmente  as duas coisas. Então, as vezes, você passa a ver a árvore como uma “violação” da semente e a árvore passa a ser um problema e a solução seria: devemos voltar ao maravilhoso estado de semente. A solução é exatamente o oposto. Encontrar os fatores que impedem as sementes de se realizarem como árvores e remover esses obstáculos, de modo que a diferenciação e a integração possam ocorrer naturalmente em vez de dissociar e fragmentar. Não devemos acabar com as hierarquias patológicas destruindo as hierarquias naturais. Devemos incluir a hierarquia patológica em atitude de compaixão, comunhão e cuidado.

Em um nível primordial, tudo aquilo que constitui o mundo material esta interconectado. Toda matéria guarda um comportamento onde não há separação e fragmentação. Há comunicação coerente e totalidade. Durante milhares, milhares e milhares de anos de evolução,  a consciência vive um dualismo entre transcendência e imanência. Porém, com o conhecimento dos princípios da física quântica compreende-se agora que a consciência vive SIMULTANEAMENTE a transcendência e a imanência, isto é, a consciência utiliza-se de “ferramentas” de expressão que são ao mesmo tempo possibilidades (transcendência) e fato manifesto (imanência). A dualidade é apenas uma aparência. Nessa fragmentação, nesse dualismo, a consciência confunde diferenciação com dissociação, inclusão com repressão e adquiri “patologias” que aos poucos e poucos serão de alguma forma incluídas na sua constituição para compor a totalidade da criação. Assim, torna-se importante a compreensão desses altos e baixos da evolução da consciência e desenvolvermos uma atitude participativa no Universo e , ao mesmo tempo, uma prática de vida integral levando em consideração todos os apectos do desenvolvimento e crescimento da consciência.

Estudar, meditar, contemplar, orar, praticar atividade física, dialogar, reconhecer e aceitar seus aspectos reprimidos (suas sombras), meditar mais um pouco, em suma: VIVER DE FORMA COERENTE.

Abraços fraternos

Milton

Referências Bibliográficas

GOSWAMI, Amit. O ativista quântico: princípios da física quântica para mudar o mundo e a nós mesmos. São Paulo: Aleph, 2010.

GOSWAMI, Amit. O médico quântico: orientações de um físico para a saúde e a cura. São Paulo: Cultrix, 2006.

GOSWAMI, Amit, REED Richard E., GOSWAMI, Maggie. O universo autoconsciente: como a consciência cria o mundo material. São Paulo: Aleph, 2008.

LIPTON, Bruce H. A biologia da crença: ciência e espiritualidade na mesma sintonia: o poder da consciência sobre a matéria e os milagres. São Paulo: Butterfly Editora, 2007.

WILBER, Ken, [et al.]. A prática de vida integral: um guia do século XXI para saúde física, equilíbrio emocional, clareza mental e despertar espiritual. São Paulo: Cultrix, 2011.

WILBER, Ken. Espiritualidade integral: uma nova função para a religião neste início de milênio. São Paulo: Aleph, 2006.